Tradição Ocidental Materialista. Somos amontoados de partículas, mas abaixo das partículas... não sei... mas deve ser material também (?). Deve ser material, ainda que eu saiba que atualmente só 4% do universo seja explicável com minha ciência. O Big Bang. Antes? Não sei... Ah não sei... Deve ser material também. Mas ó. Tem outros universos, com outras leis científicas diferentes das do nosso universo, mas elas só funcionam lá, aqui é material, os outros não. Mas é comprovado? Não, é uma reflexão que faço com minha cabeça fruto de um amontoado de partículas materiais que pensa que outros universos são também materiais com outras leis que o governam (lei não é uma metáfora advinda da sociedade humana? a natureza poderia ter suas recorrências ordenadas em umas "lei" como categoria de pensamento humano-social? Qual nome a natureza poderia se autoreferir para falar sobre seu funcionamento? Manoel de Barros? Oi? Opa, ser humano é natureza, mas pq projetar mais eu na natureza do que a natureza em mim?). Se há outros universos hipoteticamente, qual garantia que eles sejam materiais? E se eles se unificam com nosso universo, qual é a lei científica materialista que seria capaz de assegurar tal conectividade com universos regulados por outras leis. Se há unificação, qual lei não-materialista aplicada a outros universos que tem conectividade com nosso universo? Propor uma unificação não é algo meio monoteísta? Como um princípio uno que governo tudo? Mas não é pretensão demais dizer com base em 4% de 01 universo observável, sem falar dos outros trilhões existentes? Se a natureza é um amontoado de partículas e eu sou capaz de perceber isso eu tenho direito de manipulá-la de acordo com as necessidades humanas? Quais são as necessidades humanas? São materialistas, tipo, dinheiro? Então natureza materializada pode ser usada para fins materiais? E quando um amontoado de partículas pensa em possibilidades não materiais? O pensar é material? E pensar no não-material é material? E se o pensar não-material, no cérebro material, não querer o uso da natureza com fins materiais, pq não vê ela somente material? E se esse sugerir que não use a natureza de modo material e for ridicularizado por aquele que vê a natureza como material, e que conhece suas leis, e conhece até as leis desconhecidas? Conhece o desconhecido? E se a atitude diante do desconhecido for uma atitude sem a expectativa de que ele seja capaz de ser abarcado pelo meu pensamento? E se diante do desconhecido eu pensar que ele cabe na minha ciência, na minha religião? E se eu materializar o desconhecido antes de saber se ele é material, justamente por ser mistério? E se o desconhecido é índio, e se sua ciência não for material? Materializo o desconhecido para me relacionar com ele? Materializando-o alcanço seu ser? Materializando o desconhecido, o universo desconhecido, alcanço sua essência? Essência não é uma ideia humana? A natureza deve e tem que ter essência? Essência material não é ambíguo? Ciência, material, natureza e índio não são linguagem? A linguagem abarca o todo? A poesia? E se eu me relacionar com o mistério sem conceitos pré estabelecidos, esperando que ele me mostre o que é, mesmo que não seja material? E se pensar no desconhecido é me relacionar com ele, posso concebê-lo como habitando em mim? E se eu for feito dos meus mistérios profundos? E se o amor for mistério para mim? E se eu não for feito de partículas, mas de amor?
...é perturbar a cultura e desconstruir a lei, é matéria da arte e ciência do espírito...
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quinta-feira, 2 de junho de 2016
sábado, 29 de outubro de 2011
O sapo e a verdade - Tecnociência
Segundo palavras do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, toda a verdade passa por três fases: primeiro é ridicularizada; depois violentamente atacada; por fim, é aceite como evidente [1]. Diz o provérbio que quem ri por último ri melhor, mas nem sempre os detentores da verdade têm sequer tempo de rir, quanto mais de rir melhor! Pense-se no famoso cientista Galileu, por exemplo. A história veio a dar-lhe razão. A sua teoria de movimento dos planetas não era nada intuitiva para o conhecimento da época, que sustentava que a Terra era o centro do Universo e todos os restantes astros giravam à volta dela. Além disso, a interpretação das escrituras sagradas indicava precisamente isso. Galileu descobriu que modelar o Sol como o centro e a Terra a girar à volta dele seria muito mais fácil e coerente com o que realmente acontece. Esta é a verdade actualmente aceite, uma verdade “mais do que evidente”. No entanto, a contas com a Inquisição Galileu teve a vida em risco. Negou a sua própria verdade e escapou à morte, mas acabou por viver os seus últimos dias em prisão domiciliária – ciência, a quanto obrigas!
Mas nem sequer é preciso fixar os olhos nos tempos de Galileu Galilei para encontrar exemplos das três fases da verdade. Quanto a isso, a Humanidade será incorrigível, se de um defeito se trata.
Durante muitos séculos pensou-se que os barcos não poderiam ser de metal. O metal é mais pesado do que a água, não flutua. Logo, não seria possível construir um barco de metal. Por isso, durante muito tempo, mesmo os grandes navios eram construídos de madeira. Mesmo os navios de guerra que tinham partes metálicas como forma de protecção ou ataque tinham a estrutura em madeira, que era o material mais abundante, resistente e barato com as características que se pretendiam para um barco na altura. Instrumentos metálicos existem há muitos séculos, basta pensar em espadas, escudos e lanças. Mas pensar em construir um barco em metal era ridículo, não era evidente que se afundava? No entanto, alguém um dia demonstrou o contrário. O importante não é o peso do corpo, mas o volume de água que desloca. Portanto, não importa apenas o material usado, mas também o volume do objecto. Assim, a construção de barcos metálicos passou a ser uma verdade mais do que aceitável, evidente.
Muito próximo do exemplo do barco de metal é o do avião. Durante muitos anos acreditava-se não ser possível que um objecto mais pesado do que o ar voasse. Bem, os pássaros voavam e são mais pesados do que o ar, mas isso permanecia um mistério não muito bem compreendido. Mais uma vez a ciência resolveu o mistério. Bastou compreender que a diferença de pressão acima e abaixo de um objecto poderem ser suficientes para a sua sustentabilidade – é uma questão de forma e velocidade. Afinal, pode haver ainda muita gente com medo de voar, mas pelo menos já ninguém se espanta que um avião voe sem cair. Muito embora de permeio não tenham sido poucos os cientistas “loucos”, desde o próprio Ícaro que, segundo a mitologia grega, perdeu a vida a voar com asas de cera e penas muito perto do sol.
Seja como for, as três fases da verdade aplicam-se ainda hoje e em vários campos, nem só na ciência. Veja-se na política, por exemplo, onde são o pão nosso de cada dia as verdades que são primeiro ridicularizadas, depois violentamente atacadas, e por fim consideradas evidentes, se não morrerem entretanto.
Mas talvez seja até melhor assim, que a verdade surja em três fases. Para além de ser uma coisa que parece característica da nossa natureza humana, talvez seja mais fácil por ser mais progressivo. Uma experiência muito pouco ética mas que ilustra claramente o fenómeno é a do sapo na panela. Se se colocar um sapo numa panela quente o bicho salta de imediato. Mas se se colocar numa panela fria e se aumentar a temperatura gradualmente, consta que o sapo muito provavelmente se vai deixar ficar quieto até eventualmente morrer. Uma variação brusca da temperatura fá-lo reagir. Mas uma variação gradual nem sequer é percebida, ou se é percebida, pelo menos não é interpretada como potencialmente perigosa. A verdade, ao surgir em três fases, é também muito mais fácil de ser digerida e aceite. Assim como qualquer inovação ou mudança: se for brusca é muito mais susceptível de sofrer oposição e resistência. Mas se for progressiva, ninguém dá por ela ou, mesmo que a perceba, lhe liga importância.
[1] http://www.quotationspage.com/quote/25832.html
Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://tecnociencia.etikweb.com/Article-39-O+Sapo+e+a+verdade.html
Mas nem sequer é preciso fixar os olhos nos tempos de Galileu Galilei para encontrar exemplos das três fases da verdade. Quanto a isso, a Humanidade será incorrigível, se de um defeito se trata.
Durante muitos séculos pensou-se que os barcos não poderiam ser de metal. O metal é mais pesado do que a água, não flutua. Logo, não seria possível construir um barco de metal. Por isso, durante muito tempo, mesmo os grandes navios eram construídos de madeira. Mesmo os navios de guerra que tinham partes metálicas como forma de protecção ou ataque tinham a estrutura em madeira, que era o material mais abundante, resistente e barato com as características que se pretendiam para um barco na altura. Instrumentos metálicos existem há muitos séculos, basta pensar em espadas, escudos e lanças. Mas pensar em construir um barco em metal era ridículo, não era evidente que se afundava? No entanto, alguém um dia demonstrou o contrário. O importante não é o peso do corpo, mas o volume de água que desloca. Portanto, não importa apenas o material usado, mas também o volume do objecto. Assim, a construção de barcos metálicos passou a ser uma verdade mais do que aceitável, evidente.
Muito próximo do exemplo do barco de metal é o do avião. Durante muitos anos acreditava-se não ser possível que um objecto mais pesado do que o ar voasse. Bem, os pássaros voavam e são mais pesados do que o ar, mas isso permanecia um mistério não muito bem compreendido. Mais uma vez a ciência resolveu o mistério. Bastou compreender que a diferença de pressão acima e abaixo de um objecto poderem ser suficientes para a sua sustentabilidade – é uma questão de forma e velocidade. Afinal, pode haver ainda muita gente com medo de voar, mas pelo menos já ninguém se espanta que um avião voe sem cair. Muito embora de permeio não tenham sido poucos os cientistas “loucos”, desde o próprio Ícaro que, segundo a mitologia grega, perdeu a vida a voar com asas de cera e penas muito perto do sol.
Seja como for, as três fases da verdade aplicam-se ainda hoje e em vários campos, nem só na ciência. Veja-se na política, por exemplo, onde são o pão nosso de cada dia as verdades que são primeiro ridicularizadas, depois violentamente atacadas, e por fim consideradas evidentes, se não morrerem entretanto.
Mas talvez seja até melhor assim, que a verdade surja em três fases. Para além de ser uma coisa que parece característica da nossa natureza humana, talvez seja mais fácil por ser mais progressivo. Uma experiência muito pouco ética mas que ilustra claramente o fenómeno é a do sapo na panela. Se se colocar um sapo numa panela quente o bicho salta de imediato. Mas se se colocar numa panela fria e se aumentar a temperatura gradualmente, consta que o sapo muito provavelmente se vai deixar ficar quieto até eventualmente morrer. Uma variação brusca da temperatura fá-lo reagir. Mas uma variação gradual nem sequer é percebida, ou se é percebida, pelo menos não é interpretada como potencialmente perigosa. A verdade, ao surgir em três fases, é também muito mais fácil de ser digerida e aceite. Assim como qualquer inovação ou mudança: se for brusca é muito mais susceptível de sofrer oposição e resistência. Mas se for progressiva, ninguém dá por ela ou, mesmo que a perceba, lhe liga importância.
[1] http://www.quotationspage.com/quote/25832.html
Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://tecnociencia.etikweb.com/Article-39-O+Sapo+e+a+verdade.html
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Goethe, poesia e ciência - Ordem Implicada
Raoul Francé - biólogo vienense, nos inícios do século XX
Darwin comparou as radículas vermiformes das plantas, a um cérebro. Poetas e filósofos como Johann Wolfgang Von Goethe e Rudolf Steiner deixaram explicações e conceitos extraordinários a respeito da "Vida Secreta das Plantas". E Carl Von Linné, pioneiro da botânica moderna, declarou que "as plantas só diferem dos bichos e do homem por sua falta de movimento." Nesta sua assertiva Linné foi contestado por Darwin: "As plantas só adquirem e exibem esse poder quando ele apresenta alguma vantagem para elas."
Existe motivação maior para a ecologia exercer os seus conceitos e regras exigindo o respeito da humanidade em relação aos "Seres Verdes da Natureza?" Ao ensino da ecologia nas escolas e universidades sobre aquilo que significa, verdadeiramente, o chamado "Reino Vegetal?"
Goethe, o Poeta e o Reino Vegetal
Goethe, um homem alto e bonito, muito bem quisto no meio feminino também pelo seu gênio poético, passava uma temporada de descanso em Karlsbad quando resolveu-se a trocar seu sucesso já sedimentado na literatura, pelas incursões nas expedições botânicas empreendidas, solitariamente, nos bosques.
Pouco depois, incógnito, dirigiu-se para o sul, na direção dos Alpes, "para deliciar-se com a beleza e a variedade da vegetação sulina, além do Brenner." A Itália iria revelar ao gênio da poesia e o maior poeta da Alemanha, o clímax da sua vida: o verde mistério dos roseirais, das madressilvas e da mais humilde das plantas que habitam o reino dos vegetais.
No jardim botânico da universidade de Pádua, Goethe imantado por uma visão poética, pode compreender a verdadeira natureza das plantas e ganhar o seu importante lugar na "História da Ciência" como precursor da Teoria do desenvolvimento Orgânico de Darwin. Seus pares não o compreenderam na ocasião, o que soe acontecer, mas a geração seguinte o exaltou pelas suas grandes descobertas. Ernst Haeckel, grande biólogo, o comparou a Jean Lamarck "na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwin."
O "jeu de rouages et de ressorts sans vie"
Este "jeu" (jogo) se referia ao instinto classificatório do século 18 e com a teoria da física "que submetia o mundo às cegas leis da mecânica, então triunfante."
Goethe não se submetia a regras e coisas estabelecidas, a sua veia poética não lhe permitia esta aridez, e ele se rebelava contra a divisão arbitrária da ciência em disciplinas rivais. Outro motivo de se desagrado: as contradições existentes entre os sábios acadêmicos.
Goethe sofrera de um mal que o acometera antes de completar 20anos, uma grave infecção na garganta e fora curado por um "rosa-cruz", Johann Friederich Metz e esta cura o incitou a aprender todo o segredo da criação das forças ocultas da natureza. Recorreu a Paracelso, Jakob Boheme, Giordano Bruno, Spinoza e G. Arnold e aos livros de alquimia e misticismo. Descobriu na sua Busca que a mágica e a alquimia eram "bem diversas das obscuras práticas supersticiosas que têm por objeto criar ilusões e malefícios." Segundo o autor do livro "Goethe et L'occultism", Christian Lepinte, Goethe "começou a desejar com toda a sua força destruir os limites de um universo mecanizado, encontrar ciência viva, capaz de lhe revelar o segredo supremo da natureza."
Isto lhe havia sido ensinado lendo Paracelso - "o oculto, por lidar com realidades vivas e não catálogos de mortos, pode chegar mais perto da verdade que a ciência, e que o sábio que desvenda os segredos da natureza não profana necessariamente um santuário proibido, mas pode seguir passo a passo a divindade, como pessoa privilegiada a olhar profundamente no mistério das almas e das forças cósmicas."
Goethe pontificou que não se busque a natureza da planta na sua aparência, o seu mistério encontra-se além listo. Imbuído desta idéia, um pensamento ousado começou a assaltar a sua mente: era possível desenvolver todas as plantas a partir de uma só.
Goethe não se entregava à sua inspiração poética e esta idéia transformou a ciência botânica e toda a concepção do mundo: este foi um dos primórdios da idéia da EVOLUÇÃO!
Sua chave? A metamorfose, que abriria o código da natureza.
A diferença entre os futuros princípios de Darwin e os de Goethe é a seguinte: Darwin presumiria que influências externas (causas mecânicas) agindo sobre a natureza de um organismo o modificariam. Goethe intuía que "as alternativas ímpares eram várias expressões de um organismo arquetípico (uroorganismos) que possuiria em si a capacidade de assumir formas multifárias e que em determinado momento a assumiria aquela que melhor se adequasse às condições de seu meio ambiente."
Goethe expôs as suas idéias em um primeiro ensaio: -"Sobre a metamorfose das plantas", a origem do estudo ma morfologia vegetal, entretanto, por ser muito revolucionário recebeu a negativa do seu editor em publicá-lo. O editor alegou que o cliente era um literato e não um cientista. O mesmo pensaram o seu público e os cientistas, o que muito desgostou o autor. Goethe só conseguiu triunfar sobre a ortodoxia reinante 18anos após o Congresso de Viena e a sua aceitação como genial colaborador da Ciência da Botânica só se deu três décadas adiante. Goethe forneceu outro conhecimento básico a esta ciência: o crescimento da vegetação de dois modos distintos - vertical e espiraladamente - uma década antes de Darwin abordar o mesmo assunto.
"Quando entendermos que o sistema vertical é definitivamente masculino e o espiralado feminino, seremos capazes de conceber o caráter andrógino de toda a vegetação. No decurso da transformação de crescimento, os dois sistemas se separam e tomam rumos opostos para depois reunirem-se a um nível mais alto." Goethe.
A Hipótese GAIA
Na sua velhice Goethe concebeu a terra como sendo viva, um organismo animado como possui um animal e uma planta, dotada de um mesmo ritmo de inspiração e evaporação, constantemente inalando e exalando.
Apesar de considerado na sua época como sendo o maior dentre todos os poetas alemães, esqueceram-no como sendo também dotado de um espírito universal capaz de abarcar todos os domínios da atividade e conhecimento humanos.
A bióloga Lynn Margullis, hoje, defende a "Hipótese Gaia" ou seja, pensa como Goethe pensava.
Suas descobertas na botânica
"Cunhou a palavra MORFOLOGIA formulando o conceito de Morfologia Botânica em vigor até hoje."
Foi precursor de Darwin, faleceu 27 anos antes de Darwin proclamar seu princípio holístico da evolução orgânica. Goethe possuía espírito holístico e era capaz de, com inteiro sucesso, abranger todas as gamas das atividades e do conhecimento. Foi descobridor da origem vulcânica das montanhas, estabeleceu o primeiro sistema de estações metereológicas e expôs uma teoria das cores.
"Não ligo muito para a minha obra de poeta, mas arrogo-me o direito de ter sido o único em meu tempo a compreender a verdadeira natureza da cor."
Goethe foi comparado como sendo "companheiro" de Darwin, pelo biólogo Ernst Haeckel ao lado de Jean Lamarck - "Na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwim." Deram o nome "Goethea" a um gênero da planta, homenageando Goethe e a sua contribuição para um conhecimento maior dos "Seus Verdes da Natureza."
Posteriormente, a aparição de Darwin no cenário científico, propiciou o reconhecimento das formulações de Goethe a respeito da "Metamorfose das Plantas."
"Foi de observações similares às de Goethe que Darwin partiu para afirmar sua dúvida sobre a constância das formas externas dos gêneros e espécies... Enquanto Darwin considerou que toda a natureza do organismo se encontrava de fato compreendida nessas características, concluindo, por conseguinte, que nada há de constante na vida da planta, Goethe foi mais longe e inferiu que, sendo inconstante as características, o que há de constante deve ser perseguido em algo que repousa por trás das exterioridades mutáveis." - Rudolf Steiner.
* Ilustração: Claudio Salvio.
Fonte: http://www.jornalinfinito.com.br/series.asp?cod=13
terça-feira, 5 de julho de 2011
Físicos foram os mais politizados no regime militar
O historiador americano John Heilbron afirmou certa vez que é impossível estabelecer uma relação entre regimes políticos e desenvolvimento científico. Ou seja, maiores investimentos na área não têm relação direta com democracia plena e vice-versa.
As considerações de Heilbron fazem sentido se aplicadas ao período da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), quando a relação entre governo e cientistas foi bastante ambígua.
Houve muitos investimentos, principalmente a partir de 1968 – ano marcado pela instituição do AI-5, que fortaleceu a linha-dura do regime militar –, mas também perseguições a cientistas, aposentadorias compulsórias e exílios.
“Mesmo com os investimentos em ciência e tecnologia, muitos grupos faziam oposição ao regime”, explica o sociólogo da ciência Simon Schwartzman, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), em entrevista à Revista História da Biblioteca Nacional. “Entre eles, os físicos eram os mais politizados.”
Pode parecer estranho pensar que uma área tão técnica da ciência tenha sido a oposição mais pujante. “O cientista tem consciência da importância de seu papel social, e isso faz com que ele queira discutir políticas públicas e se envolver em questões políticas e sociais”, comenta o sociólogo.
Na linha de Schwartzman está o físico Olival Freire Júnior, em seu artigo publicado no livro Os 60 anos do CBPF e a Gênese do CNPq. Nele, Freire Júnior conta que, por sua oposição politizada contra o regime, muitos nomes importantes da física alinhados a idéias de esquerda foram perseguidos e tiveram que sair de suas universidades e institutos de pesquisa.
O exemplo mais dramático foi o fim do departamento de física da Universidade de Brasília, em 1965. Após perseguições de nomes como José Leite Lopes e Roberto Salmeron, entre outros, mais de 230 membros pediram demissão. Mas também o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro, foi alvo de medidas parecidas, gerando uma troca de cartas e declarações entre a Sociedade Brasileira de Física (SBF) e o CBPF sobre a gravidade da situação.
A posição dos cientistas frente ao regime, no entanto, não foi sempre tão clara. Apesar da intolerância política em relação a muitos pesquisadores, houve situações em que físicos e governo estiveram lado a lado. “Nessas circunstâncias, mesmo em condições políticas excepcionais, muitos dos líderes da física no Brasil atuaram junto ao Estado, interferindo no desenvolvimento da física brasileira”, escreve Freire Júnior.
As áreas que mais receberam investimentos à época foram a informática – com participação direta da Marinha -, a engenharia aeroespacial, nuclear e a agricultura, com o fortalecimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Na física, os recursos totais destinados à área duplicaram entre 1967 e 1968, e a participação direta do governo federal por meio do BNDE triplicou, segundo a historiadora Vanya Sant’Anna.
Força da SBPC
Além da física e áreas mais tecnológicas, também as ciências sociais passaram por um período de sedimentação durante o regime militar. Apesar dos problemas com o governo nos primeiros anos da Ditadura, a sociologia, antropologia e ciência política conseguiram se sedimentar por meio da institucionalização da pós-graduação – o que, assim como no caso da física, não significou um apoio automático ao regime.
Entre as muitas associações e sociedades da ciência brasileira, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – assim como a SBF - foi uma das mais destacadas como oposição ao regime militar, uma vez que reunia grupos das mais diversas áreas. “A SBPC era um dos poucos lugares do país onde se podia discutir de tudo, desde a própria ciência até política”, explica Schwartzman.
Em sua sede no Rio de Janeiro, aconteciam debates polêmicos que eram bastante repercutidas na imprensa. No entanto, o governo militar, segundo o sociólogo, nunca fez nenhum movimento agressivo diretamente contra a SBPC. “Acredito que o governo temia interferir e criar rusgas com cientistas importantes”, defende.
De fato, alguns nomes perseguidos e exilados nos anos 1960 foram trazidos de volta ao Brasil em projetos do governo na década de 1970. Schwartzman explica essa convergência entre atores opostos pelas idéias compartilhadas de nacionalismo e crença nos poderes da ciência e tecnologia. Essas ideias em comum, no entanto, de forma alguma apontam uma coexistência pacífica entre cientistas de esquerda e governo militar – muito pelo contrário.
domingo, 3 de julho de 2011
De Aristóteles a Stephen Hawking - Filosofia com Café
“… devemos todos, filósofos, cientistas, e mesmo leigos, ser capazes de fazer parte das discussões sobre a questão de por que nós e o universo existimos. Se encontrarmos a resposta para isso teremos o trunfo definitivo da razão humana; porque, então, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus.”
(Stephen W. Hawking)
Será que o Universo teve um começo? Aconteceu mesmo um BIG BANG? O que é Espaço? Haverá uma Alma Universal? Para onde nos leva a mecânica quântica? Caberá o Universo inteiro dentro de uma molécula da mente humana? O que é Deus? Poderá o Homem participar da criação do mundo? Plantas e animais têm alma? Seremos todos eternos? Estas e outras tantas questões atuais têm sido, na verdade, levantadas por estudiosos ao longo de toda a história da humanidade.
Escrito, dirigido e apresentado pelo documentarista grego Paul Pissanos, DE ARISTÓTELE A HAWKING busca respostas na analise das teorias de filósofos clássicos, incluindo Pitágoras, Protágoras, Platão, Sócrates, Anaxágoras, Aristóteles e Plotino, sobre o “início do mundo”. O box com 12 episódios divididos em 4 DVDs apresenta, além de encenações, a participação de professores e cientistas dos campos da filosofia, física, astrofísica, matemática e teologia, tanto da Grécia quanto de conceituadas universidades internacionais.
VOLUME 1: O Universo Teve Um Começo?
Episódio 1
• Introdução para o conhecimento do Cosmo;
• A Agonia em demonstrar a estrutura do Universo;
• A teoria do Big Bang;
• Aristóteles.
Episódio 2
• O que veio antes pela lógica? – Acontecimento ou Lei?
• Hawking, filósofos e leis;
• Materiais estruturais do Universo.
Episódio 3
• O que existia antes do início?
• O real e o Irreal;
• O conjunto.
VOLUME 2: Existe Uma Alma Universal?
Episódio 4
•O Planeta Terra e O Homem
•O Conceito da Luz nas Antigas Religiões
•A Procura de Deus
Episódio 5
•A Evolução e a Degeneração do Mundo
•A Matéria se Estende ao Espírito
•”Inderteminação” e a Fábrica do Universo
Episódio 6
•É Cosmogonia , Cosmografia.
•”O Pai, O Filho e a Ciência.”
•O Domínio Universal do Homem.
Episódio 7
•A natureza Universal da Alma.
•A Nulificação do Tempo-Espaço.
•Pensamentos de Aristóteles.
VOLUME 3: O Que É Deus?
Episódio 8
•A Luz da Alma.
•Amor Plantônico.
Episódio 9
•A Natureza nos Ensina.
VOLUME 4: Como Funciona a Natureza?
Episódio 10
•As Coisas Mais Estranhas da Natureza.
•O Olho do Sapo e do Inseto.
•Radar e o Morcego.
•A Teoria de Darwin.
Episódio 11
•Como a Ciência Contemporânea Revela o Universo e o Homem.
Episódio 12
•O Universo Cabe em uma Romã.
•Síndrome Titanic.
•O Fim, Para um Novo Começo.
De Aristóteles a Stephen Hawking - Episódio 1
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De Aristóteles a Stephen Hawking - Episódio 3
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De Aristóteles a Stephen Hawking – Episódio 4
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De Aristóteles a Stephen Hawking – Episódio 5
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De Aristóteles a Stephen Hawking – Episódio 6
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De Aristóteles a Stephen Hawking – Episódio 7
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Comunicar - François Arago
"Aquele que não comunica aos outros o que conhece parece com a murta do deserto, cujo perfume se perde para todos... Até o último dia então serei interamente da ciência e dos meus semelhantes." François Arago.
Recomendado por Antonio Rosa Campos ( http://skyandobservers. blogspot.com/ )
sábado, 18 de junho de 2011
Inventar para simplificar
Inventores da vida comum
Dezembro 10, 2009 por Manoela Vianna
Matéria produzida em conjunto com Thaíne Belissa e Alice Maciel para publicação no jornal Hoje em Dia.
A matéria conta como algumas pessoas, mesmo tendo profissões estáveis, se dedicaram à invenções.
Produtos químicos, baldes, áreas de testes. O que parece ser um laboratório é, na verdade, o quintal do motorista Célio Marciano Duarte, de 37 anos. O que era pra ser solução para um problema de vedação resultou, sem querer, em um novo produto: a “borracha anti-chama”. “Eu misturei tudo e virou uma borracha. Tentei derreter e não consegui de jeito nenhum. Não falei ‘eureka’, mas sabia que tinha feito algo com consistência” , conta.
Célio percebeu que aquela mistura poderia se tornar um novo produto comercial. Para confirmar sua teoria, levou a borracha a amigos que, como Célio, não conseguiram derretê-la. A partir daí, com ajuda de um deles, começou comprar produtos químicos variados para testar a resistência da borracha. Alguns meses depois, em 2006, patenteou a borracha anti-chama como seu produto original.
Mais a vontade com substâncias químicas, Célio resolveu testar novas misturas. Inventar era um hobby de finais de semana – hoje se tornou uma rotina. Sete meses atrás tentou confeccionar um objeto decorativo para casa derretendo sacolinhas plásticas com produtos químicos. O resultado foi uma areia muito fina que, misturada com cimento, se tornou uma argamassa. “Para testar, colei uma cerâmica na parede com a argamassa e ficou”, diz.
Depois de mais testes caseiros, Célio conseguiu confeccionar blocos de concreto que, de acordo com ele, são 40% mais baratos que o convencional e possuem a mesma funcionalidade. Ele pesquisou na internet sobre reciclagem e os benefícios para o meio ambiente e concluiu que seria muito útil para construção de casas populares, uma vez que é mais acessível. “A vantagem é que a sacolinha evita o uso da areia, que é tirada dos rios. Você também gasta a sacolinha que iria para o aterro”, explica.
Célio patenteou a descoberta e agora espera conseguir apoio para levar a idéia do “concreto ecológico” para frente. Mesmo tendo a aprovação de amigos que trabalham com construção e realizando testes diários no concreto, ele precisa de um laudo de especialistas comprovando a real resistência do produto. Célio já levou a idéia do concreto a cerca de 20 prefeituras do interior do estado e todas se comprometeram a analisar a proposta. Até hoje não teve resposta.
Mesmo com as dificuldades, Célio ainda está a procura de patrocinadores. Ele montou uma parceria com o amigo Cláudio Luiz de Carvalho, que o ajuda na compra de produtos químicos para mais testes. Juntos eles pretendem alugar um galpão no bairro Independência, região XX da capital, para produzir o concreto ecológico e a borracha anti chama em escala maior e, assim, tirar rentabilidade da criação de Célio. “Foi tudo por acaso, mas hoje eu já busco criar outras coisas. A sensação de inventar é um prazer enorme”, finaliza.

Célio e Cláudio não desistem da invenção mesmo sem patrocinadores
Segundo o Gerente de propriedade intelectual e inovação da Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Ediney Neto Chagas, os inventores que não estão ligados à nenhuma instituição, como Célio, são minoria na procura por patentes em Minas. Mas, de acordo com ele, também levam criações relevantes. “Nós tratamos os inventores independentes da mesma maneira dos que estão ligados à alguma instituição”, afirma.
Ediney ainda acrescenta que uma das características dos inventores é que eles, na maioria das vezes, pensam em produtos de utilidade social. Ele ressalta que o principal critério para patentear essas invenções é a novidade. “O produto e a invenção têm que ser inédita. Através dos bancos de patentes nacionais e internacionais, nós conseguimos saber se o produto é uma novidade”, finaliza.
Révelson de Souza Lima também descobriu que tinha talento para seguir a profissão de inventor. Ele é formado em física, mas não foi só através dos livros, teorias ou experiências em laboratórios que desenvolveu a habilidade de criar. A necessidade do dia-a-dia foi o pontapé para o início de uma nova carreira. Hoje, o físico tem cerca de dez patentes com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
A primeira invenção, em 2004, foi uma tela de aço movida por controle remoto. Ela sobe ou desce até debaixo do piso de acordo com o interesse do proprietário. A idéia surgiu porque Révelson precisou tirar o muro que cercava sua casa para usar o quintal como estacionamento da clínica de terapias alternativas que possuía. Ele precisava de um espaço aberto durante o dia e um cercamento para a residência à noite. Foi assim que surgiu a Tela Flex. “Procurei telas que atendessem minha demanda, mas não achei. Então sentei e desenvolvi”, conta. O produto será comercializado em breve e, segundo Révelson, já despertou interesse em representantes como o diretor do Mineirão que pretende testar a idéia no estádio.

A tela de aço movida por controle remoto é uma das 10 patentes do físico Révelson
No ano seguinte, o físico já patenteava sua segunda invenção: a casinha de cachorro portátil. Mais uma vez, a criação surgiu para solucionar um problema particular. Révelson tinha uma namorada que levava a cadela de estimação para todos os lugares. “Quando a gente ia viajar eu já ficava pensando como iríamos levar a cadela”, lembra. Inspirado nessa experiência o inventor criou o canil portátil desmontável a partir de material reciclável. A casinha é carregada dentro de uma bolsa que facilita o transporte.

A idéia da casinha para cachorro surgiu de uma necessidade
O físico já desenvolveu outras invenções, mas não pode divulgar todas devido a um processo sigiloso de experiência feito por algumas empresas interessadas em seus produtos. Apesar de nenhuma de suas criações serem comercializadas atualmente, Révelson acredita em resultados positivos. “Boas idéias podem gerar bons lucros se houver investimento e apoio como o governo tem feito”, diz. Ele acredita que o Brasil começou a enxergar as patentes como uma iniciativa importante e vê o futuro com otimismo. “A criatividade do brasileiro é muito grande. Com pouquíssimos recursos desenvolvemos coisas que o pessoal do exterior cai o queixo. O Brasil vai ter um grande reconhecimento dos seus produtos lá fora”, afirma.
**
Pratinhos de plantas com gaveta para armazenar a água. Parece uma invenção simples, mas foram dez anos para conseguir concluir o projeto que começou quando o restaurador de patrimônio Roberto Luiz de Lima fazia um trabalho no Minas Shopping. Diariamente ele observava a dificuldade das faxineiras para limpar os grandes vasos de cerâmica que enfeitam os corredores do shopping center. Sua ideia inicial era criar uma maneira que facilitasse essa higienização, mas, o que Roberto não imaginava era que sua invenção poderia ser uma saída para ajudar a combater o mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue.
Os pratinhos anti-dengue para vasos de planta, em plástico reciclados, não permitem o acúmulo de água no prato, evitando a desova do mosquito. A vasilha tem um buraco no meio e uma gaveta para onde a água escoa. Essa água acumula as vitaminas das plantas e pode ser reaproveitada para deixar as flores ainda mais vistosas. O recurso desobriga os proprietários de plantas a ficar tomando conta da areia no pratinho, que pode encharcar, gerar pequenas poças de água ou mesmo criar algum cheiro desagradável. Para colocar em ponto de produção e concretizar sua invenção, que virou um sonho, Roberto vendeu sua casa a e a partir dai conseguiu um empréstimo no Banco do Brasil.
A luta atrás de patrocínios começou em 1997, no mesmo ano que Roberto registrou a patente. “Em 97 fui em várias industrias de vasos de plástico para fazer uma parceria, mas sempre falavam que não tinha como investir e que era um problema de saúde pública dos governos”, conta. Para não deixar o projeto parado, o inventor começou a fabricar as vasilhas em concreto, material que estava acostumado a trabalhar. Já as gavetas, fazia em fibra de vidro. Em 2000, passou a produzir o vaso e a gaveta com vidro. Já o prato tinha a idéia de fazer em fibra mas, segundo Roberto, é trabalhoso e caro. Mesmo assim, não parou de estudar uma maneira de fazer um prato em plástico que ficasse fácil para a industria fabricar em tempo mínimo.
Em maio de 2003 saiu a carta patente e com ela, o restaurador voltou a tentar o patrocínio com empresas, mais uma vez em vão. Com o projeto na mão, fez alguns protótipos para saber se realmente ia funcionar. “Levei para um projetista, professor de automação do Senai de Contagem para desenvolver um molde a partir do protótipo que eu tinha fabricado e ele colocou minha idéia em pratica”, afirma.
Roberto mostrou seus pratinhos para vários Secretários de saúde do Brasil. Segundo ele, o Prefeito Márcio Lacerda gostou muito da ideia. Em outubro de 2008 os pratinhos do restaurador foram distribuídos para os participantes do Seminário Internacional sobre a dengue em BH. Os pratinhos anti-dengue ainda não estão no comércio de Belo Horizonte, Roberto os vende em sua loja, na rua Jacuí, região leste de Belo Horizonte.

Dezembro 10, 2009 por Manoela Vianna
Matéria produzida em conjunto com Thaíne Belissa e Alice Maciel para publicação no jornal Hoje em Dia.
A matéria conta como algumas pessoas, mesmo tendo profissões estáveis, se dedicaram à invenções.
Produtos químicos, baldes, áreas de testes. O que parece ser um laboratório é, na verdade, o quintal do motorista Célio Marciano Duarte, de 37 anos. O que era pra ser solução para um problema de vedação resultou, sem querer, em um novo produto: a “borracha anti-chama”. “Eu misturei tudo e virou uma borracha. Tentei derreter e não consegui de jeito nenhum. Não falei ‘eureka’, mas sabia que tinha feito algo com consistência” , conta.
Célio percebeu que aquela mistura poderia se tornar um novo produto comercial. Para confirmar sua teoria, levou a borracha a amigos que, como Célio, não conseguiram derretê-la. A partir daí, com ajuda de um deles, começou comprar produtos químicos variados para testar a resistência da borracha. Alguns meses depois, em 2006, patenteou a borracha anti-chama como seu produto original.
Mais a vontade com substâncias químicas, Célio resolveu testar novas misturas. Inventar era um hobby de finais de semana – hoje se tornou uma rotina. Sete meses atrás tentou confeccionar um objeto decorativo para casa derretendo sacolinhas plásticas com produtos químicos. O resultado foi uma areia muito fina que, misturada com cimento, se tornou uma argamassa. “Para testar, colei uma cerâmica na parede com a argamassa e ficou”, diz.
Depois de mais testes caseiros, Célio conseguiu confeccionar blocos de concreto que, de acordo com ele, são 40% mais baratos que o convencional e possuem a mesma funcionalidade. Ele pesquisou na internet sobre reciclagem e os benefícios para o meio ambiente e concluiu que seria muito útil para construção de casas populares, uma vez que é mais acessível. “A vantagem é que a sacolinha evita o uso da areia, que é tirada dos rios. Você também gasta a sacolinha que iria para o aterro”, explica.
Célio patenteou a descoberta e agora espera conseguir apoio para levar a idéia do “concreto ecológico” para frente. Mesmo tendo a aprovação de amigos que trabalham com construção e realizando testes diários no concreto, ele precisa de um laudo de especialistas comprovando a real resistência do produto. Célio já levou a idéia do concreto a cerca de 20 prefeituras do interior do estado e todas se comprometeram a analisar a proposta. Até hoje não teve resposta.
Mesmo com as dificuldades, Célio ainda está a procura de patrocinadores. Ele montou uma parceria com o amigo Cláudio Luiz de Carvalho, que o ajuda na compra de produtos químicos para mais testes. Juntos eles pretendem alugar um galpão no bairro Independência, região XX da capital, para produzir o concreto ecológico e a borracha anti chama em escala maior e, assim, tirar rentabilidade da criação de Célio. “Foi tudo por acaso, mas hoje eu já busco criar outras coisas. A sensação de inventar é um prazer enorme”, finaliza.
Célio e Cláudio não desistem da invenção mesmo sem patrocinadores
Segundo o Gerente de propriedade intelectual e inovação da Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Ediney Neto Chagas, os inventores que não estão ligados à nenhuma instituição, como Célio, são minoria na procura por patentes em Minas. Mas, de acordo com ele, também levam criações relevantes. “Nós tratamos os inventores independentes da mesma maneira dos que estão ligados à alguma instituição”, afirma.
Ediney ainda acrescenta que uma das características dos inventores é que eles, na maioria das vezes, pensam em produtos de utilidade social. Ele ressalta que o principal critério para patentear essas invenções é a novidade. “O produto e a invenção têm que ser inédita. Através dos bancos de patentes nacionais e internacionais, nós conseguimos saber se o produto é uma novidade”, finaliza.
Révelson de Souza Lima também descobriu que tinha talento para seguir a profissão de inventor. Ele é formado em física, mas não foi só através dos livros, teorias ou experiências em laboratórios que desenvolveu a habilidade de criar. A necessidade do dia-a-dia foi o pontapé para o início de uma nova carreira. Hoje, o físico tem cerca de dez patentes com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
A primeira invenção, em 2004, foi uma tela de aço movida por controle remoto. Ela sobe ou desce até debaixo do piso de acordo com o interesse do proprietário. A idéia surgiu porque Révelson precisou tirar o muro que cercava sua casa para usar o quintal como estacionamento da clínica de terapias alternativas que possuía. Ele precisava de um espaço aberto durante o dia e um cercamento para a residência à noite. Foi assim que surgiu a Tela Flex. “Procurei telas que atendessem minha demanda, mas não achei. Então sentei e desenvolvi”, conta. O produto será comercializado em breve e, segundo Révelson, já despertou interesse em representantes como o diretor do Mineirão que pretende testar a idéia no estádio.
A tela de aço movida por controle remoto é uma das 10 patentes do físico Révelson
No ano seguinte, o físico já patenteava sua segunda invenção: a casinha de cachorro portátil. Mais uma vez, a criação surgiu para solucionar um problema particular. Révelson tinha uma namorada que levava a cadela de estimação para todos os lugares. “Quando a gente ia viajar eu já ficava pensando como iríamos levar a cadela”, lembra. Inspirado nessa experiência o inventor criou o canil portátil desmontável a partir de material reciclável. A casinha é carregada dentro de uma bolsa que facilita o transporte.
A idéia da casinha para cachorro surgiu de uma necessidade
O físico já desenvolveu outras invenções, mas não pode divulgar todas devido a um processo sigiloso de experiência feito por algumas empresas interessadas em seus produtos. Apesar de nenhuma de suas criações serem comercializadas atualmente, Révelson acredita em resultados positivos. “Boas idéias podem gerar bons lucros se houver investimento e apoio como o governo tem feito”, diz. Ele acredita que o Brasil começou a enxergar as patentes como uma iniciativa importante e vê o futuro com otimismo. “A criatividade do brasileiro é muito grande. Com pouquíssimos recursos desenvolvemos coisas que o pessoal do exterior cai o queixo. O Brasil vai ter um grande reconhecimento dos seus produtos lá fora”, afirma.
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Pratinhos de plantas com gaveta para armazenar a água. Parece uma invenção simples, mas foram dez anos para conseguir concluir o projeto que começou quando o restaurador de patrimônio Roberto Luiz de Lima fazia um trabalho no Minas Shopping. Diariamente ele observava a dificuldade das faxineiras para limpar os grandes vasos de cerâmica que enfeitam os corredores do shopping center. Sua ideia inicial era criar uma maneira que facilitasse essa higienização, mas, o que Roberto não imaginava era que sua invenção poderia ser uma saída para ajudar a combater o mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue.
Os pratinhos anti-dengue para vasos de planta, em plástico reciclados, não permitem o acúmulo de água no prato, evitando a desova do mosquito. A vasilha tem um buraco no meio e uma gaveta para onde a água escoa. Essa água acumula as vitaminas das plantas e pode ser reaproveitada para deixar as flores ainda mais vistosas. O recurso desobriga os proprietários de plantas a ficar tomando conta da areia no pratinho, que pode encharcar, gerar pequenas poças de água ou mesmo criar algum cheiro desagradável. Para colocar em ponto de produção e concretizar sua invenção, que virou um sonho, Roberto vendeu sua casa a e a partir dai conseguiu um empréstimo no Banco do Brasil.
A luta atrás de patrocínios começou em 1997, no mesmo ano que Roberto registrou a patente. “Em 97 fui em várias industrias de vasos de plástico para fazer uma parceria, mas sempre falavam que não tinha como investir e que era um problema de saúde pública dos governos”, conta. Para não deixar o projeto parado, o inventor começou a fabricar as vasilhas em concreto, material que estava acostumado a trabalhar. Já as gavetas, fazia em fibra de vidro. Em 2000, passou a produzir o vaso e a gaveta com vidro. Já o prato tinha a idéia de fazer em fibra mas, segundo Roberto, é trabalhoso e caro. Mesmo assim, não parou de estudar uma maneira de fazer um prato em plástico que ficasse fácil para a industria fabricar em tempo mínimo.
Em maio de 2003 saiu a carta patente e com ela, o restaurador voltou a tentar o patrocínio com empresas, mais uma vez em vão. Com o projeto na mão, fez alguns protótipos para saber se realmente ia funcionar. “Levei para um projetista, professor de automação do Senai de Contagem para desenvolver um molde a partir do protótipo que eu tinha fabricado e ele colocou minha idéia em pratica”, afirma.
Roberto mostrou seus pratinhos para vários Secretários de saúde do Brasil. Segundo ele, o Prefeito Márcio Lacerda gostou muito da ideia. Em outubro de 2008 os pratinhos do restaurador foram distribuídos para os participantes do Seminário Internacional sobre a dengue em BH. Os pratinhos anti-dengue ainda não estão no comércio de Belo Horizonte, Roberto os vende em sua loja, na rua Jacuí, região leste de Belo Horizonte.
O restaurador Roberto investiu tudo que podia para bancar sua invencão: os pratinhos anti-dengue
Computador com cheiro
Receber um e-mail com imagens, fotografias ou com algum tipo de som já não é novidade para a maioria das pessoas que utilizam a internet. Mas sentir o cheiro de uma mensagem eletrônica ou de uma foto na rede é um recurso inédito para os brasileiros e um dos temas de pesquisa de Hércules Lima. Há 12 anos, ele estuda formas de explorar o olfato como uma maneira de interação com os meios de comunicação.
Hércules é técnico em edificações pelo Cefet e trabalhou na Companhia Vale do Rio Doce até 2006. Ele conta que a idéia da pesquisa surgiu da vontade que tinha em inventar um produto inovador. “Criar algo que não existe no mercado é um grande desafio e eu gosto de desafios”, diz. Ao observar os meios de comunicação, ele percebeu que eram utilizados muitos recursos que demandavam os sentidos da visão e da audição, mas o olfato não era explorado.
Foi a partir disso que ele criou seu primeiro produto, um aparelho com 256 cartuchos de diferentes fragrâncias. Hércules desenvolveu um programa de computador para reconhecer, através de códigos, os variados tipos de cheiros contidos no aparelho. Ao selecionar o código de determinada fragrância, o programa aciona o aparelho que elimina o cheiro escolhido. E é através desses códigos e desse aparelho que é possível enviar um e-mail perfumado ou vincular um odor a uma imagem. “Você pode transmitir emoções através cheiro”, afirma.
O inventor explica que criou o aparelho de forma independente através de pesquisas na internet, leitura de manuais de eletrônica e revistas especializadas. Segundo ele, o produto, que hoje é grande e sem forma comercial, é apenas um protótipo, mas a intenção é que a peça seja colocada dentro dos computadores. Apesar do otimismo, Hércules ainda esbarra no obstáculo do patrocínio de empresas que queiram investir no novo projeto.
Ainda se utilizando dos recursos ligados ao olfato, Hércules desenvolveu outros dois projetos. Um deles é um odorizador de automóveis. Trata-se de um pequeno aparelho que é ligado ao isqueiro automático do carro e que possui várias opções de fragrâncias que são eliminadas por uma espécie de mini-ventilador alocada dentro do aparelho. “Você pode escolher o cheiro e não precisa ficar comprando aqueles potinhos que só têm uma opção de perfume”, defende.
A outra invenção é um recipiente prático para perfumes. O pequeno dispositivo tem até sete mini-compartimentos onde podem ser colocados diferentes tipos de fragrâncias. Mas a criação não serve para guardar perfume, mas para exalar o cheiro escolhido sem que a pessoa precise passar no corpo. Por isso o recipiente é afixado em um chaveiro para que possa ser colocado no cinto ou na bolsa. Hércules explica que esse é um método mais higiênico de se usar perfume, pois evita o contato do produto com a pele. Ele lembra que é também uma descoberta interessante para os alérgicos.
O inventor já patenteou todas as invenções e firmou um contrato de divulgação com a Agência Nacional dos Inventores, mas ainda não conseguiu investimento de nenhuma empresa. Hércules conta que a única criação que lhe deu algum retorno financeiro foi o recipiente de perfumes vendido para alguns amigos. Apesar das dificuldades, ele está satisfeito com a profissão de inventor e pretende continuar pesquisando novos produtos. “A sensação de criar é maravilhosa. É a mesma sensação de um pintor que faz uma obra prima”, diz.
Escorredor de arroz
Lavar e escorrer arroz faz parte da rotina de muitas casas brasileiras na hora do almoço. Mas muita gente não sabe que quem inventou o escorredor de arroz é brasileira, mora em São Paulo e é dentista. “A empregada tinha um trabalhão para lavar o arroz na bacia e depois escorrer na peneira. Foi ai que eu tive a idéia”, conta Therezinha Beatriz Zorowich, que no ano de 1959 patenteou a idéia que até hoje não caiu em desuso.
Beatriz contou com ajuda do marido, que é engenheiro, para criar o primeiro escorredor de arroz. Com papel alumínio e duas tigelas, eles conseguiram montar o utensílio que ainda estava em fase de testes. Depois de alguns contatos, a idéia ganhou patrocinadores. “Eu tinha um primo que era secretário da indústria na época e foi ele quem me apresentou para o dono da indústria Troll”, explica. Depois de apresentar a idéia à três lojas de conveniência e ganhar a aprovação de todas, a indústria começou a produzir e vender o produto que não demorou para ganhar espaço no mercado.
Depois de 20 anos, a patente caiu em domínio público. “Na época foi como se eu tivesse três salários: o meu, do meu marido e do escorredor de arroz”, brinca. Depois da primeira invenção, Beatriz ganhou confiança e já montou cerca de doze produtos para casa. Entre panos de chão mais práticos e abridores garrafas pet, a dentista pensa sempre em soluções práticas para facilitar a vida de quem tem que limpar, lavar e cozinhar. Ela garante que sua nova invenção, uma jarra para sucos que não derrama ao servir, vai trazer uma economia de R$200 para uma família de três pessoas. “Se fazer suco se torna mais prático e rápido, as pessoas vão evitar comprá-los prontos”, afirma.
Mesmo com o sucesso de sua primeira invenção, Beatriz afirma que ainda há empecilhos. “A dificuldade que eu tenho para meus produtos é achar quem quer fabricá-los e distribuí-los. E eu ainda tenho pouco tempo para correr atrás”, diz. Para ela, o que falta no Brasil é empresários que valorizem o inventor do dia-a-dia. “É difícil depender da boa vontade das indústrias”, reclama. Mesmo assim, Beatriz confirma que tem muita satisfação em inventar. “Outro dia um colégio aqui de São Paulo colocou minha foto em um livro didático, junto com o escorredor de arroz. Isso me dá muita satisfação, é muito gostoso”, finaliza.
Fotos: Manoela dos Santos
Fonte: http://manoelasantos.wordpress.com/2009/12/10/inventores-da-vida-comum/
Computador com cheiro
Receber um e-mail com imagens, fotografias ou com algum tipo de som já não é novidade para a maioria das pessoas que utilizam a internet. Mas sentir o cheiro de uma mensagem eletrônica ou de uma foto na rede é um recurso inédito para os brasileiros e um dos temas de pesquisa de Hércules Lima. Há 12 anos, ele estuda formas de explorar o olfato como uma maneira de interação com os meios de comunicação.
Hércules é técnico em edificações pelo Cefet e trabalhou na Companhia Vale do Rio Doce até 2006. Ele conta que a idéia da pesquisa surgiu da vontade que tinha em inventar um produto inovador. “Criar algo que não existe no mercado é um grande desafio e eu gosto de desafios”, diz. Ao observar os meios de comunicação, ele percebeu que eram utilizados muitos recursos que demandavam os sentidos da visão e da audição, mas o olfato não era explorado.
Foi a partir disso que ele criou seu primeiro produto, um aparelho com 256 cartuchos de diferentes fragrâncias. Hércules desenvolveu um programa de computador para reconhecer, através de códigos, os variados tipos de cheiros contidos no aparelho. Ao selecionar o código de determinada fragrância, o programa aciona o aparelho que elimina o cheiro escolhido. E é através desses códigos e desse aparelho que é possível enviar um e-mail perfumado ou vincular um odor a uma imagem. “Você pode transmitir emoções através cheiro”, afirma.
O inventor explica que criou o aparelho de forma independente através de pesquisas na internet, leitura de manuais de eletrônica e revistas especializadas. Segundo ele, o produto, que hoje é grande e sem forma comercial, é apenas um protótipo, mas a intenção é que a peça seja colocada dentro dos computadores. Apesar do otimismo, Hércules ainda esbarra no obstáculo do patrocínio de empresas que queiram investir no novo projeto.
Ainda se utilizando dos recursos ligados ao olfato, Hércules desenvolveu outros dois projetos. Um deles é um odorizador de automóveis. Trata-se de um pequeno aparelho que é ligado ao isqueiro automático do carro e que possui várias opções de fragrâncias que são eliminadas por uma espécie de mini-ventilador alocada dentro do aparelho. “Você pode escolher o cheiro e não precisa ficar comprando aqueles potinhos que só têm uma opção de perfume”, defende.
A outra invenção é um recipiente prático para perfumes. O pequeno dispositivo tem até sete mini-compartimentos onde podem ser colocados diferentes tipos de fragrâncias. Mas a criação não serve para guardar perfume, mas para exalar o cheiro escolhido sem que a pessoa precise passar no corpo. Por isso o recipiente é afixado em um chaveiro para que possa ser colocado no cinto ou na bolsa. Hércules explica que esse é um método mais higiênico de se usar perfume, pois evita o contato do produto com a pele. Ele lembra que é também uma descoberta interessante para os alérgicos.
O inventor já patenteou todas as invenções e firmou um contrato de divulgação com a Agência Nacional dos Inventores, mas ainda não conseguiu investimento de nenhuma empresa. Hércules conta que a única criação que lhe deu algum retorno financeiro foi o recipiente de perfumes vendido para alguns amigos. Apesar das dificuldades, ele está satisfeito com a profissão de inventor e pretende continuar pesquisando novos produtos. “A sensação de criar é maravilhosa. É a mesma sensação de um pintor que faz uma obra prima”, diz.
Escorredor de arroz
Lavar e escorrer arroz faz parte da rotina de muitas casas brasileiras na hora do almoço. Mas muita gente não sabe que quem inventou o escorredor de arroz é brasileira, mora em São Paulo e é dentista. “A empregada tinha um trabalhão para lavar o arroz na bacia e depois escorrer na peneira. Foi ai que eu tive a idéia”, conta Therezinha Beatriz Zorowich, que no ano de 1959 patenteou a idéia que até hoje não caiu em desuso.
Beatriz contou com ajuda do marido, que é engenheiro, para criar o primeiro escorredor de arroz. Com papel alumínio e duas tigelas, eles conseguiram montar o utensílio que ainda estava em fase de testes. Depois de alguns contatos, a idéia ganhou patrocinadores. “Eu tinha um primo que era secretário da indústria na época e foi ele quem me apresentou para o dono da indústria Troll”, explica. Depois de apresentar a idéia à três lojas de conveniência e ganhar a aprovação de todas, a indústria começou a produzir e vender o produto que não demorou para ganhar espaço no mercado.
Depois de 20 anos, a patente caiu em domínio público. “Na época foi como se eu tivesse três salários: o meu, do meu marido e do escorredor de arroz”, brinca. Depois da primeira invenção, Beatriz ganhou confiança e já montou cerca de doze produtos para casa. Entre panos de chão mais práticos e abridores garrafas pet, a dentista pensa sempre em soluções práticas para facilitar a vida de quem tem que limpar, lavar e cozinhar. Ela garante que sua nova invenção, uma jarra para sucos que não derrama ao servir, vai trazer uma economia de R$200 para uma família de três pessoas. “Se fazer suco se torna mais prático e rápido, as pessoas vão evitar comprá-los prontos”, afirma.
Mesmo com o sucesso de sua primeira invenção, Beatriz afirma que ainda há empecilhos. “A dificuldade que eu tenho para meus produtos é achar quem quer fabricá-los e distribuí-los. E eu ainda tenho pouco tempo para correr atrás”, diz. Para ela, o que falta no Brasil é empresários que valorizem o inventor do dia-a-dia. “É difícil depender da boa vontade das indústrias”, reclama. Mesmo assim, Beatriz confirma que tem muita satisfação em inventar. “Outro dia um colégio aqui de São Paulo colocou minha foto em um livro didático, junto com o escorredor de arroz. Isso me dá muita satisfação, é muito gostoso”, finaliza.
Fotos: Manoela dos Santos
Fonte: http://manoelasantos.wordpress.com/2009/12/10/inventores-da-vida-comum/
Navalha de Occam
"Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor" William de Ockham
sábado, 4 de junho de 2011
Experimentos de arte contemporânea
Experimentos discutem questões da arte contemporânea
Grupo Poéticas Digitais utiliza recursos e interfaces tecnológicas na produção de obras de arte
Agência USP
A utilização de recursos e interfaces tecnológicas para a divulgação de produções artísticas não é novidade nos dias de hoje. Porém, no que se refere à produção das obras, ainda se verifica um baixo uso destas ferramentas. No Departamento de Artes Plásticas (CAP) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, um grupo de pesquisadores se dedica ao estudo e à experimentação com esse novo tipo de trabalho.
O Grupo Poéticas Digitais, como o núcleo é conhecido, é formado por professores, artistas e alunos da graduação e da pós-graduação, que realizam, através de suas mais diversas competências, diferentes trabalhos experimentais. Constituído por pessoas de diversos campos da arte, o grupo foi criado a partir de um antigo projeto, o wAwRwT, iniciado em 1995, quando a internet e os primeiros navegadores começaram a ficar mais acessíveis ao grande público.
Segundo Gilbertto Prado, professor do CAP e coordenador do grupo, a ideia de formar a equipe surgiu da possibilidade de trabalhar esse novo espaço que nasceu com a internet, sob o ponto de vista da arte. Uma vez que vivemos rodeados por variados equipamentos e que adotamos a cultura da tecnologia, o interesse do grupo é descobrir como todo esse maquinário e novas interfaces podem ser pensados do ponto de vista artístico. "A nossa grande questão é como podemos trabalhar essa relação da arte e tecnologia na contemporaneidade", afirma o professor.
Outra preocupação que permeia os estudos do grupo é a necessidade de experimentação. A busca por novas linguagens e diferentes diálogos se renova a cada projeto. "O que nos interessa é como nós vamos buscar e articular esse nosso olhar de leitura do mundo", diz Prado. Além disso, explica que o objetivo do Poéticas Digitais é trabalhar com experimentações artísticas, acompanhadas de reflexão, e da contextualização dos projetos no campo da arte contemporânea.
Desde 2002, quando o Poéticas Digitais foi oficialmente constituído, o grupo já realizou projetos com os temas mais diversos. Para Gilbertto Prado, entre os trabalhos produzidos um que se destacou foi o "Acaso 30", uma instalação interativa em memória aos mortos de uma chacina que aconteceu em 2005 em Queimados, município da Baixada Fluminense.
Projetos
A obra foi a primeira grande experiência do grupo, que até então só havia realizado trabalhos de menor escala. Consistia em diversos sensores sob um tapete em espaço aberto, onde imagens de corpos nus eram projetadas e reagiam à presença dos visitantes. De acordo com o professor, o projeto faz uma crítica ao sentimento de indiferença em relação ao outro, ao qual estamos nos habituando. "As chacinas se repetem, a gente vai assistindo corpos jogados e nem percebe, nem dá mais atenção", afirma Glbertto Prado.
Outros projetos são um videogame baseado em texto de Oswald de Andrade (Cozinheiro das Almas, 2006), videopoemas (Incógnito, 2007), web-instalações com tubos de led azul (Pedralumen, 2008) e leds infravermelho (Desluz, 2009). Para cada um desses projetos interdisciplinares, o grupo propunha uma discussão: a relação espaço-tempo, a questão do conhecimento e percepção de interfaces, a noção de interatividade, a discussão do visível e invisível, paisagens e mobilidades contemporâneas, entre outros.
O trabalho mais recente foi o "Amoreiras", de 2010. Nessa obra, cinco amoreiras foram colocadas na Avenida Paulista, em frente ao Instituto Itaú Cultural, como parte da quinta edição Bienal de arte e tecnologia da exposição "Emoção Art.ficial". As árvores eram ligadas a pequenos dispositivos mecânicos conectados a placas arduíno (próteses poéticas), que eram acionadas de acordo com as variações dos níveis sonoros do ambiente. Dessa forma, cada amoreira "respondia", a partir dos estímulos sonoros captados e dos movimento das outras amoreiras. "Era um trabalho que discutia a questão de autonomia e aprendizado artificial, natureza e meio ambiente".
Assim como os textos que refletem sobre os trabalhos artísticos, o grupo Poéticas Digitais mantém, ao mesmo tempo, um intenso contato com outros grupos de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre as principais instituições, as que mais dialogam com o grupo são a Universidade Paris VIII, na França, a Universidade de Valência, na Espanha, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/0/experimentos-discutem-questoes-da-arte-contemporanea-207236-1.asp
quarta-feira, 25 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
Mutações no estilo de pensamento - Ludwik Fleck
Fleck redescoberto
Agora, leitores brasileiros poderão ter acesso às ideias do médico com o lançamento da tradução em português da obra. A edição foi lançada durante o Colóquio de História e Filosofia da Ciência: Ludwik Fleck, evento promovido em setembro pelo grupo de teoria e história da ciência e da técnica Scientia & Technica, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Na obra, lançada originalmente na Suíça, Fleck discute como se dá a produção do conhecimento e como são formados os fatos científicos. Para o pensador polonês, eventos da esfera da ciência como o surgimento de uma nova doença ou de uma bactéria não são realidades dadas e prontas para serem descobertas, mas construções de uma comunidade específica, que compartilha uma certa forma de pensar e perceber os fenômenos que investiga.
“O pensamento de Fleck é tão rico porque ele tinha uma forma muito própria de filosofar; era um cientista tentando compreender o que estava fazendo”, diz o linguista Johannes Ferh, diretor do Ludwik Fleck Zentrum, em Zurique, na Suíça, local onde se encontra o acervo do polonês. Os arquivos – em alemão – podem ser acessados pela página do centro.
Estilo de pensamento
O modo peculiar de Fleck de pensar e enxergar seu objeto de estudo é o que ele chama de “estilo de pensamento”. Já o grupo que se organiza em torno de um mesmo estilo – como uma equipe de cientistas que tenta compreender os mecanismos de evolução do vírus HIV, por exemplo – constitui um “coletivo de pensamento”.
Cada um desses profissionais participa também de muitos outros coletivos de pensamentos. Ao transitarem entre eles, eles promovem fluxos de ideias e conceitos e geram transformações mútuas desses estilos.
Fleck encarava a ciência como uma atividade coletiva, que implica debates e divergências e não é consensual
Gradativamente, esse movimento leva à alteração dos estilos de pensamento e, por conseguinte, da forma de se tratar um problema científico, como ocorreu com a passagem da física clássica newtoniana para a física moderna einsteiniana.
Os dois conceitos são centrais para entender a maneira pela qual Fleck encarava a ciência: uma atividade coletiva, que implica debates e divergências, não é consensual e apresenta respostas provisórias, sempre.
“Estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento” são apenas algumas das expressões que Fleck cunhou para expressar suas ideias, inovadoras para a época. Para dar conta do desafio de vertê-las para o português, o tradutor Georg Otte, professor do curso de Letras da UFMG conta ter feito uma extensa pesquisa, para contrastar o texto do ensaio com os poucos artigos do médico sobre teoria da ciência.
Ludwik Fleck e colaboradores em foto tirada provavelmente durante o período em que o pesquisador passou em Lublin, no leste da Polônia, entre 1946 e 1952 (foto: / Ludwik Fleck Zentrum).
Novo fôlego
De acordo com Mauro Condé, organizador do colóquio e professor do Departamento de História da UFMG, o interesse pelo pensamento de Fleck tem ganhado novo fôlego na Europa e no Brasil nos últimos 20 anos.
“Professores que tiveram contato com a obra do médico através de outros autores foram orientando alunos, formando um grupo que utiliza seus conceitos em análises”, conta o historiador. A redescoberta de Fleck foi desencadeada pela publicação em 1979 da edição em inglês do livro que acaba de sair no Brasil.
Fleck via a sucessão de modelos teóricos hegemônicos como as mutações dos seres vivos
Condé acredita que a teoria do polonês seja mais adequada para pensar questões ligadas à atividade cientifica, com uma abordagem mais complexa.
“Uma das sofisticações que o pensamento de Fleck apresenta, em comparação ao de outros estudiosos, como Thomas Kuhn, por exemplo, é essa ideia de que não há uma ruptura radical entre dois modelos teóricos, mas sim uma continuidade com mudanças, como uma mutação em um ser vivo”, explica.
A fim de intensificar a relação entre os pesquisadores do cientista no país, durante o colóquio foi lançada a Rede Fleck Brasil, que reunirá acadêmicos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “O propósito é ampliar o nosso trabalho, trocando artigos, teses e estreitando o contato com outros interessados na obra do Fleck, inclusive na Europa”.
O historiador da ciência Mauro Condé (UFMG) fala da importância de se estudar a obra de Fleck hoje:
Uma questão vital
Fleck cresceu num ambiente multicultural: Lwów, a cidade em que nasceu, em 1896, tinha sua identidade formada pela fusão das culturas polonesa, austríaca e alemã, o que contribuiu para que ele conhecesse pensamentos de outras áreas, como a filosofia e a psicologia, especialmente a Escola da Gestalt, e os unisse ao analisar sua atividade. “Para Fleck, entender seu papel como cientista e como cidadão era uma questão de vida e não apenas profissional”, avalia o lingüista Johannes Ferh.
A microbiologia, talvez o principal interesse do pensador polonês, responde pela maior parte de sua produção bibliográfica – foram mais de 170 artigos, publicados em periódicos da área a partir de 1927. Já a produção sobre teoria da ciência, um número bem menor de escritos, está disponível na internet, em inglês.
Fleck publicou mais de 170 artigos na área de microbiologia a partir de 1927
Episódios da vida pessoal do médico também afetaram o andamento e o reconhecimento de sua obra: judeu, Fleck foi preso no gueto de sua cidade, em 1941 e, mais tarde, enviado, junto com sua mulher e seu filho para os campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, e de Buchenwald, na Alemanha. Durante a prisão, foi obrigado a trabalhar no desenvolvimento de vacinas contra o tifo, doença que causava muitas mortes entre as tropas alemãs.
Libertado em 1945, com a saúde bastante debilitada, Fleck permanece na Europa até 1956, quando parte para Israel, onde morava seu filho desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com um câncer nos linfonodos diagnosticado em 1956, morre em 1961, devido a um infarto.
O pensamento epistemológico do médico Ludwik Fleck, autor que influenciou pensadores como Thomas Kuhn e Bruno Latour, ganha visibilidade no Brasil com a tradução de sua obra e a constituição de uma rede acadêmica para estudar seu legado.
Por: Desireé Antônio
Por: Desireé Antônio
Publicado em 15/11/2010 | Atualizado em 05/04/2011

O médico Ludwik Fleck no laboratório: a contribuição do pensador polonês para a história e a filosofia da ciência foi tema de colóquio em Belo Horizonte (foto: Ludwik Fleck Zentrum).
O médico Ludwik Fleck no laboratório: a contribuição do pensador polonês para a história e a filosofia da ciência foi tema de colóquio em Belo Horizonte (foto: Ludwik Fleck Zentrum).
O polonês Ludwik Fleck (1896-1961) não foi sociólogo, historiador ou filósofo – era médico. A despeito disso, seu pensamento influenciou intelectuais de todas essas áreas, dentre eles, nomes de peso como o físico e historiador das ciências norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996) e o filósofo e antropólogo francês Bruno Latour (1947-).
Kuhn reconhece que o ensaio Gênese e desenvolvimento de um fato científico, escrito por Fleck em 1935, antecipa muitas de suas próprias ideias, como conta no prefácio deA estrutura das revoluções científicas, um dos livros mais influentes dos estudos de história e filosofia da ciência. A menção de Kuhn a Fleck fez com que o nome do polonês ganhasse projeção e despertasse o interesse de pesquisadores nos Estados Unidos e no resto do mundo.
Agora, leitores brasileiros poderão ter acesso às ideias do médico com o lançamento da tradução em português da obra. A edição foi lançada durante o Colóquio de História e Filosofia da Ciência: Ludwik Fleck, evento promovido em setembro pelo grupo de teoria e história da ciência e da técnica Scientia & Technica, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Na obra, lançada originalmente na Suíça, Fleck discute como se dá a produção do conhecimento e como são formados os fatos científicos. Para o pensador polonês, eventos da esfera da ciência como o surgimento de uma nova doença ou de uma bactéria não são realidades dadas e prontas para serem descobertas, mas construções de uma comunidade específica, que compartilha uma certa forma de pensar e perceber os fenômenos que investiga.
“O pensamento de Fleck é tão rico porque ele tinha uma forma muito própria de filosofar; era um cientista tentando compreender o que estava fazendo”, diz o linguista Johannes Ferh, diretor do Ludwik Fleck Zentrum, em Zurique, na Suíça, local onde se encontra o acervo do polonês. Os arquivos – em alemão – podem ser acessados pela página do centro.
Estilo de pensamento
O modo peculiar de Fleck de pensar e enxergar seu objeto de estudo é o que ele chama de “estilo de pensamento”. Já o grupo que se organiza em torno de um mesmo estilo – como uma equipe de cientistas que tenta compreender os mecanismos de evolução do vírus HIV, por exemplo – constitui um “coletivo de pensamento”.
Cada um desses profissionais participa também de muitos outros coletivos de pensamentos. Ao transitarem entre eles, eles promovem fluxos de ideias e conceitos e geram transformações mútuas desses estilos.
Fleck encarava a ciência como uma atividade coletiva, que implica debates e divergências e não é consensual
Gradativamente, esse movimento leva à alteração dos estilos de pensamento e, por conseguinte, da forma de se tratar um problema científico, como ocorreu com a passagem da física clássica newtoniana para a física moderna einsteiniana.
Os dois conceitos são centrais para entender a maneira pela qual Fleck encarava a ciência: uma atividade coletiva, que implica debates e divergências, não é consensual e apresenta respostas provisórias, sempre.
“Estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento” são apenas algumas das expressões que Fleck cunhou para expressar suas ideias, inovadoras para a época. Para dar conta do desafio de vertê-las para o português, o tradutor Georg Otte, professor do curso de Letras da UFMG conta ter feito uma extensa pesquisa, para contrastar o texto do ensaio com os poucos artigos do médico sobre teoria da ciência.
Ludwik Fleck e colaboradores em foto tirada provavelmente durante o período em que o pesquisador passou em Lublin, no leste da Polônia, entre 1946 e 1952 (foto: / Ludwik Fleck Zentrum).
Novo fôlego
De acordo com Mauro Condé, organizador do colóquio e professor do Departamento de História da UFMG, o interesse pelo pensamento de Fleck tem ganhado novo fôlego na Europa e no Brasil nos últimos 20 anos.
“Professores que tiveram contato com a obra do médico através de outros autores foram orientando alunos, formando um grupo que utiliza seus conceitos em análises”, conta o historiador. A redescoberta de Fleck foi desencadeada pela publicação em 1979 da edição em inglês do livro que acaba de sair no Brasil.
Fleck via a sucessão de modelos teóricos hegemônicos como as mutações dos seres vivos
Condé acredita que a teoria do polonês seja mais adequada para pensar questões ligadas à atividade cientifica, com uma abordagem mais complexa.
“Uma das sofisticações que o pensamento de Fleck apresenta, em comparação ao de outros estudiosos, como Thomas Kuhn, por exemplo, é essa ideia de que não há uma ruptura radical entre dois modelos teóricos, mas sim uma continuidade com mudanças, como uma mutação em um ser vivo”, explica.
A fim de intensificar a relação entre os pesquisadores do cientista no país, durante o colóquio foi lançada a Rede Fleck Brasil, que reunirá acadêmicos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “O propósito é ampliar o nosso trabalho, trocando artigos, teses e estreitando o contato com outros interessados na obra do Fleck, inclusive na Europa”.
O historiador da ciência Mauro Condé (UFMG) fala da importância de se estudar a obra de Fleck hoje:
Uma questão vital
Fleck cresceu num ambiente multicultural: Lwów, a cidade em que nasceu, em 1896, tinha sua identidade formada pela fusão das culturas polonesa, austríaca e alemã, o que contribuiu para que ele conhecesse pensamentos de outras áreas, como a filosofia e a psicologia, especialmente a Escola da Gestalt, e os unisse ao analisar sua atividade. “Para Fleck, entender seu papel como cientista e como cidadão era uma questão de vida e não apenas profissional”, avalia o lingüista Johannes Ferh.
A microbiologia, talvez o principal interesse do pensador polonês, responde pela maior parte de sua produção bibliográfica – foram mais de 170 artigos, publicados em periódicos da área a partir de 1927. Já a produção sobre teoria da ciência, um número bem menor de escritos, está disponível na internet, em inglês.
Fleck publicou mais de 170 artigos na área de microbiologia a partir de 1927
Episódios da vida pessoal do médico também afetaram o andamento e o reconhecimento de sua obra: judeu, Fleck foi preso no gueto de sua cidade, em 1941 e, mais tarde, enviado, junto com sua mulher e seu filho para os campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, e de Buchenwald, na Alemanha. Durante a prisão, foi obrigado a trabalhar no desenvolvimento de vacinas contra o tifo, doença que causava muitas mortes entre as tropas alemãs.
Libertado em 1945, com a saúde bastante debilitada, Fleck permanece na Europa até 1956, quando parte para Israel, onde morava seu filho desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com um câncer nos linfonodos diagnosticado em 1956, morre em 1961, devido a um infarto.
Gênese e desenvolvimento de um fato científico - Ludwik Fleck (tradução: Georg Otte e Mariana Camilo de Oliveira) Belo Horizonte, 2010, Fabrefactum - 205 páginas – R$ 40,00 Tel: (31) 2515 2277
Desireé Antônio
Especial para a CH On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/pchae/alo-professor/noticias/2010/11/fleck-redescoberto
Desireé Antônio
Especial para a CH On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/pchae/alo-professor/noticias/2010/11/fleck-redescoberto
domingo, 1 de maio de 2011
Arte e Ciência - Suas ligações simbólicas.
Dá (quase) na mesma
Publicado em 01/09/2010
Em vídeo on-line, físico dá aula vibrante sobre a história das artes plásticas no início do século 20.

'A noite estrelada', famoso quadro de Van Gogh. Holandês como o pintor, o físico brincou com a plateia dizendo que apenas uma pessoa ali sabia pronunciar 'Van Gogh' corretamente.
Os aspectos que aproximam e opõem ciência e arte já renderam muita discussão, no Brasil e no mundo. A tendência maior para os teóricos, cientistas e artistas tem sido apontar a ligação simbiótica de ambas. E, pensando bem, já era nessa direção que apontava o cientista/artista multiuso Leonardo Da Vinci (1452-1519) na Itália do século 15.
Por isso, o maior mérito de Walter Lewin, físico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é pular essa polarização dos dois campos. Em palestra publicada em vídeo há algumas semanas na página da instituição (boa dica da Cristina Campos), ele conta sobre sua paixão por arte (em especial, as plásticas) e começa a falar do período que mais lhe agrada – o primeiro quarto do século 20.
Sem explicar muito por que exatamente está dissertando sobre aquele período e qual é a relação desse intervalo com a história da ciência, Lewin desanda a mostrar quadroscubistas, impressionistas,expressionistas etc.
Os pintores com quem gasta mais tempo são o espanhol Pablo Picasso (1881-1973), o francês Henri Matisse (1869-1954) e o russo Wassily Kandinsky (1866-1944). "Pelo pioneirismo dos três", reflete.
Na verdade, a repetição por dezenas de vezes da palavra "pioneirismo" durante sua hora e meia de apresentação é a única pista que o físico dá de como irá associar arte à ciência.
No mais, ele mostra o seu vasto conhecimento sobre aquele período da arte. Situa-o no tempo, explica por que, à época, determinados quadros não foram valorizados (e hoje são), discorre sobre o ineditismo de várias obras. E faz tudo isso com carisma e humor notáveis. Uma aula sobre a vanguarda das artes plásticas do início do século 20.
No fim da palestra ele dá a chave para entender seu raciocínio. "O pioneirismo une a busca artística do início do século 20 à ciência, que sempre tenta a novidade. Nesse período, na arte, não era mais a questão do belo. A beleza não era importante, o importante era fazer o que nunca ninguém tinha feito".
Mas haveria uma diferença: "Na ciência, pode-se estar certo ou errado. Na arte, não existe certo ou errado", conclui Lewin, de modo simples e, não por isso, menos verdadeiro.
Publicado em 01/09/2010
Em vídeo on-line, físico dá aula vibrante sobre a história das artes plásticas no início do século 20.
'A noite estrelada', famoso quadro de Van Gogh. Holandês como o pintor, o físico brincou com a plateia dizendo que apenas uma pessoa ali sabia pronunciar 'Van Gogh' corretamente.
Os aspectos que aproximam e opõem ciência e arte já renderam muita discussão, no Brasil e no mundo. A tendência maior para os teóricos, cientistas e artistas tem sido apontar a ligação simbiótica de ambas. E, pensando bem, já era nessa direção que apontava o cientista/artista multiuso Leonardo Da Vinci (1452-1519) na Itália do século 15.
Por isso, o maior mérito de Walter Lewin, físico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é pular essa polarização dos dois campos. Em palestra publicada em vídeo há algumas semanas na página da instituição (boa dica da Cristina Campos), ele conta sobre sua paixão por arte (em especial, as plásticas) e começa a falar do período que mais lhe agrada – o primeiro quarto do século 20.
Sem explicar muito por que exatamente está dissertando sobre aquele período e qual é a relação desse intervalo com a história da ciência, Lewin desanda a mostrar quadroscubistas, impressionistas,expressionistas etc.
'Moscow I', tela do pintor russo Wassily Kandinsky – um dos pioneiros (palavra importante) do abstracionismo.
Os pintores com quem gasta mais tempo são o espanhol Pablo Picasso (1881-1973), o francês Henri Matisse (1869-1954) e o russo Wassily Kandinsky (1866-1944). "Pelo pioneirismo dos três", reflete.
Na verdade, a repetição por dezenas de vezes da palavra "pioneirismo" durante sua hora e meia de apresentação é a única pista que o físico dá de como irá associar arte à ciência.
No mais, ele mostra o seu vasto conhecimento sobre aquele período da arte. Situa-o no tempo, explica por que, à época, determinados quadros não foram valorizados (e hoje são), discorre sobre o ineditismo de várias obras. E faz tudo isso com carisma e humor notáveis. Uma aula sobre a vanguarda das artes plásticas do início do século 20.
No fim da palestra ele dá a chave para entender seu raciocínio. "O pioneirismo une a busca artística do início do século 20 à ciência, que sempre tenta a novidade. Nesse período, na arte, não era mais a questão do belo. A beleza não era importante, o importante era fazer o que nunca ninguém tinha feito".
Mas haveria uma diferença: "Na ciência, pode-se estar certo ou errado. Na arte, não existe certo ou errado", conclui Lewin, de modo simples e, não por isso, menos verdadeiro.
Assista (em inglês) à palestra do físico Walter Lewin
Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/da-quase-na-mesma/view
Assista (em inglês) à palestra do físico Walter Lewin
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/da-quase-na-mesma/view
Preferência do brasileiro: Menos futebol, mais ciência?
Uma enquete realizada pelo MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) levantou um dado curioso: os brasileiros dizem gostar mais de ciência e tecnologia do que de esportes.
A pesquisa foi feita em todo ao país, com diferentes classes econômicas, faixas etárias, sexo e outras variáveis. Do total de 2.016 respondentes, 65% disseram que se interessam ou se interessam muito por “ciência e tecnologia” (bem mais do que os 41% da mesmo pesquisa realizada em 2006), enquanto 62% tiveram a mesma resposta para o tema “esportes”.
Isso é possível no país do futebol?
Sim. Explico: ciência e tecnologia são temas que agradam muita gente, mesmo que boa parte das pessoas não entenda do tema.
A pesquisa do MCT viu, por exemplo, que só 12% das pessoas conseguem dizer o nome de um cientista ou 18% dizem o nome de uma instituição de pesquisa (como uma universidade). Esse número certamente seria muito diferente caso a pergunta fosse sobre o nome de um time ou de um jogador de futebol. Ou seja: as pessoas não conhecem a ciência brasileira, como conhecem esportes. Mas gostam dela.
Alguns especialistas dizem que, nesse tipo de pesquisa, muita gente quer agradar o entrevistador e, por isso, acaba respondendo mais o que soa “bonito” do que o que a pessoa realmente pensa. Exemplo disso é Bogotá, a capital iberoamericana com maior índice de interesse revelado em ciência e tecnologia. Lá, 89% dos respondentes revelaram se interessar ou se interessar muito pelo tema.
Outra hipótese é que o tema “ciência” seja simpático às pessoas. Mesmo sem entender, mesmo sem ir a museus de ciência (talvez porque não tenha nenhum por perto), as pessoas gostam de saber sobre ciência. E prestam atenção quando o tema aparece na mídia – especialmente na TV.
Já o tema “esportes”, que é definitivamente uma paixão nacional, pode não ter um interesse tão generalizado. Isso porque as pessoas mais velhas e também mulheres se dizem menos interessadas pelo assunto. E aí a porcentagem geral cai.
Mas, independente da discussão de quem ganha na briga esportes X ciência, a pesquisa do MCT levantou outro dado bacana: 46% das pessoas se dizem satisfeitas com o conteúdo de ciência veiculado nos jornais. E de quem está insatisfeito, 74% reclama que existe pouca ciência na imprensa.
Se esse estudo for um termômetro real da nova sociedade brasileira – com mais com acesso à educação e a condições melhores de vida – talvez esse seja um sinal de que a ciência ainda deve ganhar mais espaço no Brasil nos próximos anos. E isso será lindo.
Escrito por Sabine Righetti às 14h46
Brasileiro se interessa mais por ciência, mas desconhece instituições de pesquisa
SABINE RIGHETTIDE SÃO PAULO
Não é só por bola de futebol que o brasileiro se interessa, mas também por pipetas e microscópios. Pelo menos é isso o que sinaliza uma pesquisa do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).De acordo com os dados, o brasileiro está mais interessado em ciência e tecnologia do que estava em 2006 e o interesse declarado (ou seja, o que a pessoa afirma ter) já supera até o tema "esportes".No entanto, apenas 12% dos entrevistados conseguem citar o nome de um cientista brasileiro e só 18% sabem mencionar de cabeça uma instituição científica.Quem consegue nomear está na parte mais rica da população. "Isso mostra que o Brasil ainda é uma país extremamente desigual", analisa o físico Ildeu de Castro Moreira, coordenador do trabalho.E os cientistas mais citados são Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. "Praticamente ninguém menciona cientistas sociais, sendo que o Brasil têm nomes importantíssimos como Paulo Freire e Gilberto Freyre", completa.A pesquisa consultou 2.016 brasileiros com objetivo de investigar as atitudes e percepções dos brasileiros sobre a ciência e tecnologia. O trabalho dá continuidade a uma investigação similar realizada em 2006.
RESULTADOS
A amostra foi desenhada de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de modo que os resultados possam ser projetados para o que o brasileiro "médio" pensa sobre vários temas.
O nível de interesse em ciência e tecnologia aumentou significativamente desde 2006. O número de interessados ou muito interessados no tema subiu de 41% para 65% dos respondentes.
Em ambiente, o interesse disparou de 58% para 83% no mesmo período --empatando com o gosto por medicina e saúde.
Para o coordenador do trabalho, o resultado condiz com o momento atual de preocupações ambientais no mundo e no Brasil- especialmente na Amazônia.
FUTEBOL E CIÊNCIA
Outro dado que chama atenção é que o tema "ciência" tem quase o mesmo nível de interesse declarado (65%) que esportes (62%).
"As pessoas, no geral, estão mais interessadas em todos os assuntos. No caso da ciência, isso reflete o momento positivo da situação econômica do país e a ampliação do acesso a espaços e atividades científico-culturais", explica Moreira.
Apesar do interesse científico declarado de boa parte dos entrevistados, 92% dos consultados revelaram que não frequentam museus de ciência (37% dos quais sob a justificativa de que eles não existem na sua região).
Mesmo baixo, o número de visitantes dobrou desde 2006, passando de 4% para pouco mais de 8%.
Entre as pessoas com ensino superior completo, no entanto, o índice de visitação sobe para 14% dos respondentes- e se aproxima dos índices europeus, que é 18%.
MAIS CONFIANÇA
Outro dado que muda de acordo com a escolaridade e classe econômica do entrevistado é o índice de confiança em determinados profissionais como fonte de informação --com exceção de médicos, que são "confiáveis" para todas as classes.
Entre os mais pobres, a confiança nos religiosos é maior do que nos cientistas. Já nas classes com mais recursos e formação, os campeões são os cientistas de instituições públicas. Quem faz ciência em instituições privadas parece ter uma certa descrença do entrevistado.
Em relação à ciência brasileira, a opinião geral é que ela vai bem. A avaliação sobre a posição da ciência do Brasil no mundo tem se tornado cada vez mais positiva.
Para metade dos brasileiros consultados, ela está hoje em uma posição intermediária.
Mas, novamente, o resultado muda conforme a condição econômica: pessoas de classes menos favorecidas têm, em geral, uma posição mais otimista em relação à ciência brasileira.
Em outras palavras, quanto menor o nível econômico do entrevistado, mais ele declara achar que a ciência nacional é bastante avançada.
Fonte: Folha de São Paulo
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