Riso, sorriso, quizo de gata
brinca, recreia, recria de nada
esparrama, deitada, acorda
da realidade pra viver num sonho
de cores, sabores; cinthyla!
Respiração; inspiração.
Inspira, inspira, inspira!
Aaaahhhh... ar, ar! Respirar!
Cheiro, gosto, mulher!
Mordida, contato, presença.
Inspira mesmo em ausência.
Som, corda, baixo.
Acorda ao sabor do acaso.
Caso, case, cello.
Som da cor ao sabor-entusiasmo.
Ruídos ofegantes, gemido indiscreto.
São notas de um concerto tesão.
Desenho é o seio impossível
de vetorização, não-racionalização.
O ventre, dimensão intangível
senão pelo tato-transcendente.
Corpo que é copo, transborda,
transborda...
Cores, sabor. Cheiro, cheiro, cheiro.
Aaahhhh... cheiro!!!
Sabor!!! Cor!!!
Delícia que cintila,
sim tira, tira...
brilha; cinthyla.
Alma, alma, alma!
Transborda de alma!
Brilha de não-ter
o que irrelevante pra viver
Releva. Revela, revela vida.
Luz, ilumina.
...é perturbar a cultura e desconstruir a lei, é matéria da arte e ciência do espírito...
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Amor astral
Amor astral
Se eu ousasse a
descrever-te
seria assim:
meu amor é astral.
Dessa premissa
desdobram-se características
que são como as
órbitas que o satélite percorre
ao redor
do astro-mor:
o amor.
Amor à música,
que de tanto querer
não se entrega
a não ser que seja
entrega total,
sem hesitação.
A música é uma
oração,
que eleva ao nível
dos astros etéreos, nobres.
Ao nível do
astro-mor:
o amor.
O amor, por isso, é
sempre fim, destino.
Destino que, sempre
provisório,
é início
para uma nova
viagem.
Das janelas do
transporte
o objetivo é sempre
um novo ângulo do
astro-mor-destino-fim:
o amor.
Meu amor é mutação.
Vira, revira.
De cabeça pra
baixo, barriga pra cima, pra baixo.
As meias nunca tem
lugar.
Os livros? Sempre
com as meias.
A cabeça não para
de girar,
sempre a trabalhar
para descobrir
as criações sobre
as transmutações mais nobres;
sempre recriar para:
o amor.
Este amor é da
terra,
das plantas, dos
bichos, oprimidos.
É da caridade
natural,
aquele altruísmo
devoto à salvação
da ordem natural do
que
por essência é
natural.
Mesmo que seja
talvez supra-natural e metafísico,
o que guia e ordena
a sua sensibilidade,
as atitudes para com
as quatro patas e o verde é:
o amor.
Este amor é ar,
sempre a viajar de
nação em nação.
Viaja na terra,
viaja no sonho.
Alcança templos de
luz astrais.
Vê
passado-presente-futuro em espaços nunca visitados.
Viaja, viaja, viaja.
Quando sai da rota e
sente medo pelo visto que
não-deveria-ser-visto-naquele-momento,
se assusta
exatamente diante da antítese do:
amor.
Se eu ousasse a
descrever-te seria assim:
meu amor é astral.
Dos astros que tem a
substância
da terra, do fogo,
da água, do ar.
Tu és o amor a
buscar a própria consciência.
O amor a se
reconhecer.
A aprender e
reaprender a amar.
A amar mais.
A amar melhor.
Infinito círculo
cíclico:
tu és o amor,
amor por princípio,
amor por fim.
Reto
Praticamente reto ou sobre a cidade e a loucura.
Retas.
Retas agudas.
Destino reto.
Sempre com destino.
Todos com destinos.
Retas paralelas.
Retas que se cruzam.
Retas transversais.
Retas com origens diferentes.
Com destinos diferentes.
Retas com origens e destinos contrários.
Repouso reto.
Espera reta.
Movimento parabólico com destino: reto.
A curva com origem e destino: reta.
Reto agir.
Reto pensar.
Um reta cruza o plano cartesiano.
Racionalidade.
Na cidade geométrica
sujeitos sem origem
e sem destino
Caminham Param
Circulam
Círculos ou
trajetos
abstratos
Dormem
no
chão
sem retidão
Distoam
do reto
agir
Falamqualquercoisaquesentir
"Sem sentido" é o julgamento
daqueles que tem sentido:
com origem, com destino:
que caminham retos.
Na racionalidade
do plano cartesiano:
o sentido.
Sem sentido e sem retidão:
os loucos.
E´ louco o poeta que caminha pela cidade sem origem e destino e transforma em versos suas impressões sobre a cidade e seus sujeitos com origem e destino?
Com origem e destino, o poeta perceberia os sujeitos que não estão em sua
reta?
sábado, 4 de junho de 2016
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nos queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-proprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis, in “Odes”
Heterônimo de Fernando Pessoa
quinta-feira, 2 de junho de 2016
No ônibus 1
No ônibus 1
Buraco. Vazio. No
vazio.
Desanimo. Sem força.
Perdido. Buscando
sentido.
Não há respostas
fora.
Não no cigarro.
Bukowski.
Bucólico.
Eis o caminho:
consciência do vazio.
O que fazer?
Vazio finito, pois
completa-se no fazer.
Não fazer: vazio.
Escrita, mãos;
trabalho sobre si.
Lapidar-se: esculpir
si mesmo.
Tempo livre. Tempo
livre com educação de si.
Paidéia.
Não perder-se:
consciência.
O que fazer?
Preencher o vazio.
Caminha na busca
solitária.
Qual palavra? Qual
verbo?
Qual sentimento.
Mergulhar-se, sem
medo de conhecer-se.
O conceito não foi
esgotado.
O caminho não foi
trilhado.
Erros, conjunto dos
erros: experiência.
Tentar, caminho, sem
busca do quê?
De não pensar, em
não parar.
Buscar-se, nessa
temporada no inferno.
Rimbaud.
Partilha,
compartilhar.
Dor no peito, o que
queres de mim?
O que queres de mim?
No transporte
coletivo,
exercício de
eternidade.
Cansaço,
recuperar-se.
Re-cura. Curar-se de
que enfermidade?
Existência. Existo.
Penso. Sinto.
Todo conhecer que
habita em mim.
Partilha.
Sem querer
doutrinar.
Sem impor verdades.
Há verdade, a
verdade reside no agora. Agora.
Ver-se aos olhos
alheios.
Ver-se nos olhos
alheios.
Prazeres efêmeros,
desencadeiam.
Desencadeiam;
encadeamentos.
De ideias,
sentimentos.
Consciência de
existir.
Dor de sentir,
sentir.
Arte que não é
posta à parte.
Mas é pintura.
Autorretrato.
Criar. Criar-se para
reduzir o caos,
e do caos, criar
novos hábitos,
novas regularidades.
Mutação, rumo à
transformação,
evolução, nova
pele, novo ser,
novas escolhas,
novas atitudes.
Respirar: viver.
Viver o ser humano
que sou.
Criar o universo. De
dentro da alma posta agora.
Escrita como forma
de terapia.
Materializar-me em
versos.
Versos. Verbo.
Do caos: o verbo.
Registrar-me.
Deleite. Deleite.
De me ver. De me
sentir.
De me viver.
Diminui a
intensidade.
Calma.
Papel e caneta:
expressões do vazio habitado
pela potência
criadora, caótica.
Vazio prenhe de
caos. De criação.
Verbo: coerência,
regularidade.
Consciência de si
mesmo.
Universo.
Unir-versos.
Universos de
sentido.
Futuro, sonho,
desejo e o medo.
Medo das escolhas.
Os erros são, pois,
formas.
Formar. Plasmar.
Plástico.
Escultura.
Métrica: impor
regularidade ou a forma
mais elevada da
forma da consciência?
Mostrar-me:
compartilhar
da felicidade de
descobrir-me
parte do universo.
Memórias que
habitam em mim.
Do passado, novas
expectativas:
Agora. Hoje. Agora.
Sem medo de
mergulhar-se no caos:
não há vazio.
Falso vazio:
território múltiplo
de potencialidades.
Goodbye Babylon.
Febre de sentir.
Caos em ebulição:
inquietude.
Desassossego.
Fernando Pessoa.
Criativo caos.
Criativo
desassossego.
Potencialidade
criadora.
Do caos: o verbo.
Desaceleração:
Ordem. Regularidade.
Órbita.
Sol.
Luz.
Vida.
Deus. Senti-lo.
Recriar-me me
realiza.
Torna real existir.
domingo, 2 de outubro de 2011
Menino Jesus - Alberto Caeiro
Num meio-dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Alberto Caeiro
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Alberto Caeiro
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Goethe, poesia e ciência - Ordem Implicada
Raoul Francé - biólogo vienense, nos inícios do século XX
Darwin comparou as radículas vermiformes das plantas, a um cérebro. Poetas e filósofos como Johann Wolfgang Von Goethe e Rudolf Steiner deixaram explicações e conceitos extraordinários a respeito da "Vida Secreta das Plantas". E Carl Von Linné, pioneiro da botânica moderna, declarou que "as plantas só diferem dos bichos e do homem por sua falta de movimento." Nesta sua assertiva Linné foi contestado por Darwin: "As plantas só adquirem e exibem esse poder quando ele apresenta alguma vantagem para elas."
Existe motivação maior para a ecologia exercer os seus conceitos e regras exigindo o respeito da humanidade em relação aos "Seres Verdes da Natureza?" Ao ensino da ecologia nas escolas e universidades sobre aquilo que significa, verdadeiramente, o chamado "Reino Vegetal?"
Goethe, o Poeta e o Reino Vegetal
Goethe, um homem alto e bonito, muito bem quisto no meio feminino também pelo seu gênio poético, passava uma temporada de descanso em Karlsbad quando resolveu-se a trocar seu sucesso já sedimentado na literatura, pelas incursões nas expedições botânicas empreendidas, solitariamente, nos bosques.
Pouco depois, incógnito, dirigiu-se para o sul, na direção dos Alpes, "para deliciar-se com a beleza e a variedade da vegetação sulina, além do Brenner." A Itália iria revelar ao gênio da poesia e o maior poeta da Alemanha, o clímax da sua vida: o verde mistério dos roseirais, das madressilvas e da mais humilde das plantas que habitam o reino dos vegetais.
No jardim botânico da universidade de Pádua, Goethe imantado por uma visão poética, pode compreender a verdadeira natureza das plantas e ganhar o seu importante lugar na "História da Ciência" como precursor da Teoria do desenvolvimento Orgânico de Darwin. Seus pares não o compreenderam na ocasião, o que soe acontecer, mas a geração seguinte o exaltou pelas suas grandes descobertas. Ernst Haeckel, grande biólogo, o comparou a Jean Lamarck "na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwin."
O "jeu de rouages et de ressorts sans vie"
Este "jeu" (jogo) se referia ao instinto classificatório do século 18 e com a teoria da física "que submetia o mundo às cegas leis da mecânica, então triunfante."
Goethe não se submetia a regras e coisas estabelecidas, a sua veia poética não lhe permitia esta aridez, e ele se rebelava contra a divisão arbitrária da ciência em disciplinas rivais. Outro motivo de se desagrado: as contradições existentes entre os sábios acadêmicos.
Goethe sofrera de um mal que o acometera antes de completar 20anos, uma grave infecção na garganta e fora curado por um "rosa-cruz", Johann Friederich Metz e esta cura o incitou a aprender todo o segredo da criação das forças ocultas da natureza. Recorreu a Paracelso, Jakob Boheme, Giordano Bruno, Spinoza e G. Arnold e aos livros de alquimia e misticismo. Descobriu na sua Busca que a mágica e a alquimia eram "bem diversas das obscuras práticas supersticiosas que têm por objeto criar ilusões e malefícios." Segundo o autor do livro "Goethe et L'occultism", Christian Lepinte, Goethe "começou a desejar com toda a sua força destruir os limites de um universo mecanizado, encontrar ciência viva, capaz de lhe revelar o segredo supremo da natureza."
Isto lhe havia sido ensinado lendo Paracelso - "o oculto, por lidar com realidades vivas e não catálogos de mortos, pode chegar mais perto da verdade que a ciência, e que o sábio que desvenda os segredos da natureza não profana necessariamente um santuário proibido, mas pode seguir passo a passo a divindade, como pessoa privilegiada a olhar profundamente no mistério das almas e das forças cósmicas."
Goethe pontificou que não se busque a natureza da planta na sua aparência, o seu mistério encontra-se além listo. Imbuído desta idéia, um pensamento ousado começou a assaltar a sua mente: era possível desenvolver todas as plantas a partir de uma só.
Goethe não se entregava à sua inspiração poética e esta idéia transformou a ciência botânica e toda a concepção do mundo: este foi um dos primórdios da idéia da EVOLUÇÃO!
Sua chave? A metamorfose, que abriria o código da natureza.
A diferença entre os futuros princípios de Darwin e os de Goethe é a seguinte: Darwin presumiria que influências externas (causas mecânicas) agindo sobre a natureza de um organismo o modificariam. Goethe intuía que "as alternativas ímpares eram várias expressões de um organismo arquetípico (uroorganismos) que possuiria em si a capacidade de assumir formas multifárias e que em determinado momento a assumiria aquela que melhor se adequasse às condições de seu meio ambiente."
Goethe expôs as suas idéias em um primeiro ensaio: -"Sobre a metamorfose das plantas", a origem do estudo ma morfologia vegetal, entretanto, por ser muito revolucionário recebeu a negativa do seu editor em publicá-lo. O editor alegou que o cliente era um literato e não um cientista. O mesmo pensaram o seu público e os cientistas, o que muito desgostou o autor. Goethe só conseguiu triunfar sobre a ortodoxia reinante 18anos após o Congresso de Viena e a sua aceitação como genial colaborador da Ciência da Botânica só se deu três décadas adiante. Goethe forneceu outro conhecimento básico a esta ciência: o crescimento da vegetação de dois modos distintos - vertical e espiraladamente - uma década antes de Darwin abordar o mesmo assunto.
"Quando entendermos que o sistema vertical é definitivamente masculino e o espiralado feminino, seremos capazes de conceber o caráter andrógino de toda a vegetação. No decurso da transformação de crescimento, os dois sistemas se separam e tomam rumos opostos para depois reunirem-se a um nível mais alto." Goethe.
A Hipótese GAIA
Na sua velhice Goethe concebeu a terra como sendo viva, um organismo animado como possui um animal e uma planta, dotada de um mesmo ritmo de inspiração e evaporação, constantemente inalando e exalando.
Apesar de considerado na sua época como sendo o maior dentre todos os poetas alemães, esqueceram-no como sendo também dotado de um espírito universal capaz de abarcar todos os domínios da atividade e conhecimento humanos.
A bióloga Lynn Margullis, hoje, defende a "Hipótese Gaia" ou seja, pensa como Goethe pensava.
Suas descobertas na botânica
"Cunhou a palavra MORFOLOGIA formulando o conceito de Morfologia Botânica em vigor até hoje."
Foi precursor de Darwin, faleceu 27 anos antes de Darwin proclamar seu princípio holístico da evolução orgânica. Goethe possuía espírito holístico e era capaz de, com inteiro sucesso, abranger todas as gamas das atividades e do conhecimento. Foi descobridor da origem vulcânica das montanhas, estabeleceu o primeiro sistema de estações metereológicas e expôs uma teoria das cores.
"Não ligo muito para a minha obra de poeta, mas arrogo-me o direito de ter sido o único em meu tempo a compreender a verdadeira natureza da cor."
Goethe foi comparado como sendo "companheiro" de Darwin, pelo biólogo Ernst Haeckel ao lado de Jean Lamarck - "Na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwim." Deram o nome "Goethea" a um gênero da planta, homenageando Goethe e a sua contribuição para um conhecimento maior dos "Seus Verdes da Natureza."
Posteriormente, a aparição de Darwin no cenário científico, propiciou o reconhecimento das formulações de Goethe a respeito da "Metamorfose das Plantas."
"Foi de observações similares às de Goethe que Darwin partiu para afirmar sua dúvida sobre a constância das formas externas dos gêneros e espécies... Enquanto Darwin considerou que toda a natureza do organismo se encontrava de fato compreendida nessas características, concluindo, por conseguinte, que nada há de constante na vida da planta, Goethe foi mais longe e inferiu que, sendo inconstante as características, o que há de constante deve ser perseguido em algo que repousa por trás das exterioridades mutáveis." - Rudolf Steiner.
* Ilustração: Claudio Salvio.
Fonte: http://www.jornalinfinito.com.br/series.asp?cod=13
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Ao leitor - Charles Baudelaire
In: As Flores do Mal
A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso espírito e o corpo viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.
Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;
Impomos alto preço à infâmia confessada,
E alegres retornamos à lodosa estrada,
Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.
Na almofada do mal é Satã Trimegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade então se evola
Por obra deste sábio que age sem ser visto.
É o Diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo o que repugna uma jóia encontramos;
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.
Assim como um voraz devasso beija e suga
O seio murcho que lhe oferta uma vadia,
Furtamos ao acaso uma carícia esguia
Para espremê-la qual laranja que se enruga.
Espesso, a fervilhar, qual um milhão de helmintos,
Em nosso crânio um povo de demônios cresce,
E, ao respirarmos, aos pulmões a morte desce,
Rio invisível, com lamentos indistintos.
Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada
Não bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.
Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais,
Aos símios, escorpiões, abutres e panteras,
Aos monstros ululantes e às viscosas feras,
No lodaçal de nossos vícios imortais,
Um há mais feios, mais iníquo, mais imundo!
Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito,
Da Terra, por prazer, faria um só detrito
E num bocejo imenso engoliria o mundo;
É o Tédio! - O olhar esquivo à mínima emoção,
Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado.
Tu conheces, leitor, o monstro delicado
- Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!
A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez
Habitam nosso espírito e o corpo viciam,
E adoráveis remorsos sempre nos saciam,
Como o mendigo exibe a sua sordidez.
Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça;
Impomos alto preço à infâmia confessada,
E alegres retornamos à lodosa estrada,
Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça.
Na almofada do mal é Satã Trimegisto
Quem docemente nosso espírito consola,
E o metal puro da vontade então se evola
Por obra deste sábio que age sem ser visto.
É o Diabo que nos move e até nos manuseia!
Em tudo o que repugna uma jóia encontramos;
Dia após dia, para o Inferno caminhamos,
Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.
Assim como um voraz devasso beija e suga
O seio murcho que lhe oferta uma vadia,
Furtamos ao acaso uma carícia esguia
Para espremê-la qual laranja que se enruga.
Espesso, a fervilhar, qual um milhão de helmintos,
Em nosso crânio um povo de demônios cresce,
E, ao respirarmos, aos pulmões a morte desce,
Rio invisível, com lamentos indistintos.
Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada
Não bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.
Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais,
Aos símios, escorpiões, abutres e panteras,
Aos monstros ululantes e às viscosas feras,
No lodaçal de nossos vícios imortais,
Um há mais feios, mais iníquo, mais imundo!
Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito,
Da Terra, por prazer, faria um só detrito
E num bocejo imenso engoliria o mundo;
É o Tédio! - O olhar esquivo à mínima emoção,
Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado.
Tu conheces, leitor, o monstro delicado
- Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!
domingo, 12 de junho de 2011
...constelo-me (...) e tenho o meu infinito - Fernando Pessoa
"Cada qual tem o seu álcool. Tenho álcool bastante em existir. Bêbado de me sentir, vagueio e ando certo. Se são horas, recolho-me ao escritório como qualquer outro. Se não são horas, vou até o rio fitar o rio, como qualquer outro. Sou igual. E por detrás de isso, céu meu, constelo-me as escondidas e tenho o meu infinito..." (Bernado Soares)
O livro do Desassossego - Fernando Pessoa
domingo, 29 de maio de 2011
Ouvir estrelas - Olavo Bilac
* Ofereço esse post para Verônica-linda (www.flickr.com/photos/olhardave/)
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
sábado, 7 de maio de 2011
Por uma arte engajada - Jesús Díaz
Maio de 1966.
Manifesto “Nos pronunciamos” - Jesús Díaz
Manifesto “Nos pronunciamos” - Jesús Díaz
"No pretendemos hacer poesía a la Revolución. Queremos hacer poesía de, desde, por la Revolución. Una literatura revolucionaria no puede ser apologética. Existen, existirán siempre, conflictos sociales: una literatura revolucionaria tiene que enfrentar esos conflictos. No renunciamos a los llamados temas no sociales. El amor, el conflicto del hombre con la muerte, son circunstancias que afectan a todos, como es íntimo, personal, el auténtico fervor revolucionario. …Nos pronunciamos por la integración del habla cubana a la poesía… Rechazamos la mala poesía, que trata de justificarse con denotaciones revolucionarias, repetidora de fórmulas pobres y gastadas: el poeta es un creador o no es nada. Rechazamos la mala poesía que trata de ampararse en palabras ‘poéticas’, que se impregna de una metafísica de segunda mano para situar el hombre fuera de sus circunstancias: la poesía es un testimonio terrible y alegre y triste y esperanzado de nuestra permanencia en el mundo, con los hombres, entre los hombres, por los hombres, o no es nada."
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