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quinta-feira, 2 de junho de 2016

No ônibus 1

No ônibus 1

Buraco. Vazio. No vazio.
Desanimo. Sem força.
Perdido. Buscando sentido.
Não há respostas fora.
Não no cigarro.
Bukowski.
Bucólico.
Eis o caminho: consciência do vazio.
O que fazer?
Vazio finito, pois completa-se no fazer. 
Não fazer: vazio.
Escrita, mãos; trabalho sobre si.
Lapidar-se: esculpir si mesmo.
Tempo livre. Tempo livre com educação de si.
Paidéia.
Não perder-se: consciência.
O que fazer?
Preencher o vazio.
Caminha na busca solitária.
Qual palavra? Qual verbo?
Qual sentimento.
Mergulhar-se, sem medo de conhecer-se.
O conceito não foi esgotado.
O caminho não foi trilhado.
Erros, conjunto dos erros: experiência.
Tentar, caminho, sem busca do quê?
De não pensar, em não parar.
Buscar-se, nessa temporada no inferno.
Rimbaud.
Partilha, compartilhar.
Dor no peito, o que queres de mim?
O que queres de mim?
No transporte coletivo,
exercício de eternidade.
Cansaço, recuperar-se.
Re-cura. Curar-se de que enfermidade?
Existência. Existo. Penso. Sinto.
Todo conhecer que habita em mim.
Partilha.
Sem querer doutrinar.
Sem impor verdades.
Há verdade, a verdade reside no agora. Agora.
Ver-se aos olhos alheios.
Ver-se nos olhos alheios.
Prazeres efêmeros, desencadeiam.
Desencadeiam; encadeamentos.
De ideias, sentimentos.
Consciência de existir.
Dor de sentir, sentir.
Arte que não é posta à parte.
Mas é pintura. Autorretrato.
Criar. Criar-se para reduzir o caos,
e do caos, criar novos hábitos,
novas regularidades.
Mutação, rumo à transformação,
evolução, nova pele, novo ser,
novas escolhas, novas atitudes.
Respirar: viver.
Viver o ser humano que sou.
Criar o universo. De dentro da alma posta agora.
Escrita como forma de terapia.
Materializar-me em versos.
Versos. Verbo.
Do caos: o verbo.
Registrar-me.
Deleite. Deleite.
De me ver. De me sentir.
De me viver.
Diminui a intensidade.
Calma.
Papel e caneta: expressões do vazio habitado
pela potência criadora, caótica.
Vazio prenhe de caos. De criação.
Verbo: coerência, regularidade.
Consciência de si mesmo.
Universo.
Unir-versos.
Universos de sentido.
Futuro, sonho, desejo e o medo.
Medo das escolhas.
Os erros são, pois, formas.
Formar. Plasmar.
Plástico.
Escultura.
Métrica: impor regularidade ou a forma
mais elevada da forma da consciência?
Mostrar-me: compartilhar
da felicidade de descobrir-me
parte do universo.
Memórias que habitam em mim.
Do passado, novas expectativas:
Agora. Hoje. Agora.
Sem medo de mergulhar-se no caos:
não há vazio.
Falso vazio:
território múltiplo de potencialidades.
Goodbye Babylon.
Febre de sentir.
Caos em ebulição: inquietude.
Desassossego. Fernando Pessoa.
Criativo caos.
Criativo desassossego.
Potencialidade criadora.
Do caos: o verbo.
Desaceleração:
Ordem. Regularidade.
Órbita.
Sol.
Luz.
Vida.
Deus. Senti-lo.
Recriar-me me realiza.

Torna real existir.

domingo, 10 de abril de 2016

Os 10 ladrões de sua energia, segundo Dalai Lama

Tibetan spiritual leader the Dalai Lama greets his followers at the Buddhist cultural school in Salugara on the outskirts of Siliguri on March 28, 2013. The Dalai Lama expressed his sorrow for the self immolation protests going on in Tibet while speaking to journalists on his second day of a three day visit in Salugara, in the eastern Indian state of West Bengal after an inauguration ceremony of a 130 foot Lord Buddha statue at Buddha Park. AFP PHOTO/Diptendu DUTTA (Photo credit should read DIPTENDU DUTTA/AFP/Getty Images)


Todos nós temos designado uma carga de energia, a qual devemos aprender a utilizar corretamente e não desperdiça-la. As energias nos permitem trabalhar com motivação, nos dão pensamentos positivos para enfrentar as situações do dia a dia e permitem aproveitar ao máximo todas as oportunidades que nos são apresentadas. Somente nós temos o poder de dominar nossas energias e ter acesso a elas para usá-las em nossos dias. No entanto, existem alguns agentes externos e internos que podem chegar a interferir em nossos níveis de energia, provocando uma redução em nossa motivação, nosso humor e nossa produtividade.

As energias são chaves para alcançar o êxito e superar cada um dos obstáculos que nos são apresentados no caminho. Todos podem renovar todos os dias essas energias e aproveita-las ao máximo para vir a tona nossas qualidades, nossos talentos e tudo o que nos permite descartar como pessoas. Levando em consideração que cada individuo está dotado de energia, e que isto é a chave para seu desenvolvimento pessoal e profissional, o grande líder espiritual Dalai Lama definiu os “10 ladrões da energia” que todos devem conhecer para conseguir o domínio das energias e evitar que hajam interferências que nos impeçam de aproveita-las.

Pessoas negativas podem consumir sua energia

•“Deixe ir as pessoas que somente chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamentos dos demais. Se alguém busca uma lixeira para deixar seu lixo, não deixe que seja a sua mente”.

Todos nós temos a capacidade de distinguir quais são as pessoas que trazem coisas positivas para nossa vida e quais são aquelas que querem nos deter e impedir nossa vida.

Pague suas contas a tempo

Não há nada melhor para nossa tranquilidade do que saber que não devemos nada a ninguém e que ninguém nos deve.

•“Pague suas contas a tempo. Ao mesmo tempo cobre a quem te deve ou escolha deixa-lo ir, se já for impossível cobrar”.

Ser responsável com as dívidas nos ajuda a ficar tranquilos ante as demais pessoas e com nós mesmos. É melhor fazer tudo o que for possível para se libertar das dívidas e não ter que se esconder ou ficar com vergonha por não tê-las pagado.

Cumpra suas promessas

•“Se não cumpriu suas promessas, se pergunte por que tem resistência. Sempre tem direito a mudar de opinião, a se desculpar, a compensar, a renegociar e a oferecer alternativa ante uma promessa não cumprida. Ainda não como de costume. A forma mais fácil de evitar o não cumprir com algo que não quer fazer, é dizer NÃO desde o princípio”.

As promessas por menores que sejam podem ter um valor muito significativo para as pessoas as quais fizemos a promessa. Cumprir com as promessas nos faz pessoas melhores tanto a nível pessoal como a nível profissional.

Delegue aquilo que não quer fazer

•“Elimine onde é possível e delegue aquelas tarefas que não prefere fazer e dedique seu tempo a fazer as coisas que gosta”.

Não se trata de escapar de nossas responsabilidades, mas sim de ter consciência de que em certos casos o melhor é passar o trabalho para alguém que pode fazê-lo melhor ou que pode tomar seu lugar quando não se sente nas melhores condições de realizá-lo. Isto nos lembra de que é importante realizar as coisas que são verdadeiramente significativas em nossas vidas.

Descansa e aja

•“Se dê permissão para descansar se estiver em um momento no qual necessita e se dê permissão para agir se estiver em um momento de oportunidade”.

Tanto a natureza como nossa vida possui diferentes ritmos no dia a dia e cada um de nós deve saber como agir ante isso. Muitas vezes não parar quando necessitamos pode ser um grande erro, e mesmo assim, não agir quando podemos, pode gerar futuros arrependimentos.

Coloque, recolha e organize

•“Tire, arrume e organize, nada te toma mais energia que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado que já não precisa”.

Desde as coisas físicas até as espirituais, é muito importante botar aquilo que não precisamos para trás, deixar pra trás tudo o que seja passado e pegar somente aquelas coisas que nos permitem nos organizar para viver bem o presente e cumprir nossos Sonhos futuros.

Cuide de sua saúde

•“Dê prioridade a sua Saúde, sem a maquinaria de seu corpo trabalhando ao máximo, não pode fazer muito. Tire alguns momentos para descansar”.

De nada nos serve ter o melhor trabalho, muito dinheiro e os melhores bens, se não gozamos de boa saúde e não cuidamos de nosso corpo. Para desfrutar da vida com as melhores energias, devemos dedicar um merecido tempo a nosso corpo para desintoxica-lo, meditar, nos alimentar bem, fazer exercícios, consultar um médico e fazer todo o necessário para estar bem de saúde.

Enfrente as situações difíceis

•“Enfrente as situações tóxicas que está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária”.

Enfrentar as situações é a maneira mais saudável de assumir as coisas e não deixar que se convertam em algo pior. É importante analisar e decidir a tempo, já que postergar ou ignorar as coisas pode gerar Estresse, dificuldade para se focar e problemas mais difíceis de solucionar.

Aceita

•“Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia que resistir e brigar contra uma situação que não pode mudar”.

Ainda que muitos acreditem que nada é impossível e que a esperança é a última que morre, em certos casos, a vida nos põe ante situações nas quais devemos aceitar que não podemos mudar as coisas e que a única forma será aceitar. Aceitar não quer dizer que devamos parar de lutar, quando aceitamos que não podemos mudar algo, também temos a possibilidade de mudar o plano e buscar novas oportunidades.

Perdoa

•“Perdoe, deixe ir uma situação que esteja causando dor, sempre pode escolher deixar a dor ir embora”.

Uma das maiores fontes de energia é o Amor e estar conectado a Deus para aprender a perdoar. É verdade que muitas vezes a vida nos põe ante situações que nos enchem de ira, de Dor, de rancor e de medos, que dificilmente podemos superar. No entanto, quando decidimos não alimentar estes sentimentos e começar a perdoar, tudo em nossa vida melhora, e com o tempo nos damos conta que tomamos uma boa decisão. O ódio, o rancor e a ira são sentimentos que não nos trazem nada de bom e nos podem levar a tomar más decisões.


Fonte: http://www.revistapazes.com/ladroes-energia-dalai/

domingo, 2 de outubro de 2011

Não há Felicidade sem Verdadeira Vida Interior - Schopenhauer

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio. 

A nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor; mas quando a movi­mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os únicos feli­zes são aqueles aos quais coube um excesso de intelec­to que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininter­ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa­ra tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao ser­viço da vontade. Pelo contrário, o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida (Séneca).

Ora, conforme esse excedente seja pe­queno ou grande, haverá inúmeras gradações daquela vida intelectual levada ao lado da real, desde o mero tra­balho de colecionar e descrever insectos, pássaros, mine­rais, moedas, até as mais elevadas realizações da poesia e da filosofia. Tal vida intelectual protege não só contra o tédio, mas também contra as suas consequências pernicio­sas. Ela é um escudo contra a má companhia e contra os muitos perigos, infortúnios, perdas e dissipações em que se tropeça quando se procura a própria felicidade apenas no mundo real. Para mim, por exemplo, a minha filoso­fia nunca rendeu nada, mas poupou-me de muita coisa. 

O homem normal, pelo contrário, em relação aos de­leites de sua vida, restringe-se às coisas exteriores, à pos­se, à posição, à esposa e aos filhos, aos amigos, à socie­dade, etc. Sobre estes se baseia a sua felicidade de vida, que desmorona quando os perde ou por eles se vê iludi­do. Podemos expressar essa relação dizendo que o seu centro gravitacional é exterior a ele. Justamente por isso, tem sempre desejos e caprichos cambiantes. Se os seus meios lhe permitirem, ora comprará casas de campo ou cava­los, ora dará festas ou fará viagens, mas, sobretudo, os­tentará grande luxo, justamente porque procura nas coi­sas de todo o tipo uma satisfação provenientedo exterior. Como o homem debilitado que, por meio deconsom­més, canjas e drogas farmacêuticas, espera obter saúde e robustez, cuja verdadeira fonte é a própria força de vida. Para não passarmos desde já ao outro extremo, coloque­mos ao seu lado uma pessoa dotada de capacidades es­pirituais não exactamente eminentes, mas que ultrapas­sem a escassa medida comum. Veremos tal pessoa prati­car como diletante uma bela arte, ou uma ciência como a botânica, a mineralogia, a física, a astronomia, a história e semelhantes, e nelas encontrar de imediato uma grande parte do seu deleite, nelas se reabastecendo quando es­tancam aquelas fontes exteriores ou quando não mais a satisfazem­.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Felicidade? - Thomas Mann

Aquilo a que chamamos felicidade consiste na harmonia e na serenidade, na consciência de uma finalidade, numa orientação positiva, convencida e decidida do espírito, ou seja na paz da alma - Thomas Mann

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Brilho da alma - Gov´t Mule



Soulshine

When you can't find the light,
That got you through the cloudy days,
When the stars ain't shinin' bright,
You feel like you've lost you're way,
When those candle lights of home,
Burn so very far away,
Well you got to let your soulshine,
Just like my daddy used to say.

He used to say soulshine,
It's better than sunshine,
It's better than moonshine,
Damn sure better than rain.
Hey now people don't mind,
We all get this way sometimes,
Got to let your soul shine,
Shine till the break of day.

I grew up thinkin' that I had it made,
Gonna make it on my own.
Life can take the strongest man,
Make him feel so alone.
Now and then I feel a cold wind,
Blowin' through my achin' bones,
I think back to what my daddy said,
He said "Boy, in the darkness before the dawn"

Let your soulshine,
It's better than sunshine,
It's better than moonshine,
Damn sure better than rain.
Yeah now people don't mind,
We all get this way sometimes,
Gotta' let your soul shine,
Shine till the break of day.

Sometimes a man can feel this emptiness,
Like a woman has robbed him of his very soul.
A woman too, God knows, she can feel like this.
And when your world seems cold,
You got to let your spirit take control.

Let your soulshine,
It's better than sunshine,
It's better than moonshine,
Damn sure better than rain.
Lord now people don't mind,
We all get this way sometimes,
Gotta' let your soul shine,
Shine till the break of day.


Brilho da Alma

Quando você não consegue achar a luz
Que você obteve nos dias nublados
Quando as estrelas não estão brilhando
Você se sente perdido, você se sente assim
Quando as velas das luzes da casa
Queimam muito distante
Bem, você tem que deixar o brilho da sua alma
Assim como meu pai costumava dizer

Ele costumava dizer: Brilho da alma
É melhor do que o brilho do sol
É melhor do que o brilho da lua
Maldição, com certeza é melhor do que a chuva
Hey, agora as pessoas não se importam
Todos nos começamos assim, as vezes
Deixe sua alma brilhar
Brilhar até o dia se romper

Eu cresci pensando que tinha feito isso
Eu vou Fazer isso sozinho
A vida pode lever o homem mais forte
Pode fazer ele se sentir muito sozinho
Agora e então eu sinto um vento frio
Soprando através dos meus ossos doloridos
E eu volto a pensar no que meu pai disse
E ele disse: Garoto, na escuridão antes de amanhecer

Deixe o brilho da sua alma
É melhor do que o brilho do sol
É melhor do que o brilho da lua
Maldição, com certeza é melhor do que a chuva
Hey, agora as pessoas não se importam
As vezes todos nos começamos assim
Deixe sua alma brilhar
Brilhar até o dia se romper

As vezes um homem pode sentir esse vazio
Como se uma mulher tivesse lhe roubado a sua própria alma
Uma mulher também, Deus sabe, ela pode se sentir assim
E quando o seu mundo parecer frio
Você tem que deixar seu espírito assumir o controle

Deixe surgir o brilho da sua alma
É melhor do que o brilho do sol
É melhor do que o brilho da lua
Maldição, com certeza é melhor do que a chuva
Hey, agora as pessoas não se importam
As vezes todos nos começamos assim
Deixa a sua alma brilhar
Brilhar até o dia se romper

Fé cega e faca amolada - Doces bárbaros


Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil, interpretam a música "Fé cega, faca amolada", composta por Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Este vídeo foi retirado do filme "Doces Bárbaros" de Jom Tob Azulay que é um registro da turnê original do grupo, em 1976.

Agora não pergunto mais aonde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar
e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer
e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer.
brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão
de fé, faca amolada
Plantar o trigo e refazer
o pão de cada dia
Beber o vinho e renascer
na luz de todo dia
A fé, a fé, paixão e fé
a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra
o chão, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar no pão de cada dia
Deixar o seu amor crescer na luz de todo dia
Vai ser, vai ser, vai ter que ser, vai ser muito tranquilo
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Lógico.

Trabalho = dinheiro. Vida social = amigos. Trabalho é diferente de amigos. Logo, amigos não é dinheiro. Trabalho é morte social. Amigos é vida. Sou um morto-vivo.

domingo, 3 de julho de 2011

Medo, rejeição e o sentido da vida - António Carlos Alves de Araujo

'Psicólogo António Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal- 26921958/ 93883296 TATUAPÉ-Z.LESTE'

MEDO, REJEIÇÃO E O SENTIDO DA VIDA DE UMA PESSOA NA ANÁLISE DE SEU SOFRIMENTO PESSOAL

Embora não tenhamos o hábito de procurar o autoconhecimento, avaliar determinadas etapas ou experiências de uma pessoa é a forma mais segura para se descobrir qual caminho a mesma tem traçado no decorrer de sua vida. Analisar o inconsciente é muito mais do que buscar traços neuróticos ou psicóticos na mente humana, sendo que a psicologia deve observar que tipo de pessoas e acontecimentos determinado indivíduo atrai para si mesmo. Não que deseje produzir um estudo místico, mas apenas realçar que todos desenvolvem uma linha de pensamento e energia que dará a tônica de todas as suas vivências emocionais e sociais. Que tipo de pessoa ou acontecimento atraímos é a única certeza para medirmos nossa felicidade ou insatisfação. O ser humano desde seu nascimento está submetido ao fator "tempo" perante todas as etapas de sua vida. Aprende rapidamente que as experiências de prazer são extremamente rápidas ou fugazes, e a expectativa por determinado sonho ou realização pode consumir uma vida toda. O tempo é a compreensão de quanto de sofrimento ou prazer temos desfrutado ou recebido em nossas relações. Quem nos fornece a máxima satisfação e prazer poderá ser também àquela pessoa que nos lançará no mais profundo inferno pessoal. Lidar com a dimensão dos opostos deveria ser uma matéria ensinada no âmbito escolar. O equilíbrio mental ou a chamada "paz de espírito" advém da conscientização de que nunca devemos exagerar ou exorbitar nossas qualidades e também nossos defeitos; negando créditos seja para o narcisismo e também não amplificando as coisas que não deram certo em nossas vidas. Nosso sofrimento é na maioria das vezes causado pela ansiedade da realização de determinada expectativa. Novamente a questão do tempo entra em cena. O lado danoso de qualquer dependência é não perceber que determinado desejo deveria ser consumido ao longo do tempo, e não o transformar numa necessidade compulsiva. O lidar com o tempo é o espelho máximo de nossa saúde mental.

O que sonhamos ou achamos que merecemos, ou ainda não conquistamos se insere no quadro citado. Qual a razão ou sentido de nossa vida? É interessante que quando fazemos esta pergunta há uma associação direta com a questão da sorte, sendo que a mesma pode ser definida psicologicamente como a compreensão de que sozinhos jamais obteríamos algo; e neste ponto nascem todas as superstições ou religiosidades criadas pelo homem. Como realmente conhecemos alguém profundamente? Obviamente não é uma pergunta nada fácil de ser respondida, mas arriscaria dizer que os esquemas de prazer de uma determinada pessoa conduzem na maioria das vezes à essência da mesma. Seja uma pessoa hedonista, narcisista ou ainda alguém que só enxerga o dever pela frente. O lidar com o prazer é o parâmetro central de como vivemos. O hedonismo geralmente leva às drogas e comportamentos compulsivos; o narcisismo estará presente num conjunto de vaidades exacerbadas que servem para o exercício do poder sobre as demais pessoas, sendo a beleza um dos expoentes máximos deste modelo; a pessoa encerrada no âmbito do dever acaba desenvolvendo uma gama de esquemas mentais e até corporais de rejeição pessoal, pois como o senso do dever é uma espada eternamente ameaçadora sobre seu ego, seu valor pessoal se encontra seriamente comprometido. O "dever" amplificado na mente do sujeito retira-lhe o direito da auto avaliação, o transferindo para o meio circundante. Note-se que a palavra dever encerra não apenas uma obrigação, mas também o sentimento de dívida. Desenvolve-se então o Pânico em relação às críticas, e a vida da pessoa se transforma numa interminável tarefa não apenas de agradar o tempo todo, mas evitar a qualquer custo ser submetida a uma situação de prova. É interessante notar como este tipo psicológico é totalmente oposto do narcisista, que teve reforço do meio social para todas as suas idiossincrasias.

A posse, privacidade e propriedade sempre foram valores que produziram as maiores tragédias na humanidade. Nosso desenvolvimento mental está extremamente aquém dos avanços científicos; do contrário, já teríamos nos conscientizado de que tudo que achamos que temos, nunca será nosso; a própria vida é um tipo de "aluguel"; apenas a administração e o impacto do que possuímos perante outras pessoas pode ser considerado o real patrimônio nosso. Como entraríamos numa outra era se tal conceito fosse observado diariamente. Aprofundando um pouco mais a questão poderíamos também refletir sobre se o que possuímos ou nossas "coisas valiosas", não são justamente os fatores determinantes de nosso isolamento e insatisfação? A infelicidade sempre será um julgamento pessoal errôneo ou correto da balança móvel sobre o quanto damos ou recebemos. Parece que lamentavelmente a infelicidade se tornou algo totalmente generalizado, sendo que novamente como cada um a administra é a única coisa singular que restou. Se nosso sofrimento é oriundo da falta de sorte ou oportunidade, de determinada injustiça social ou ingratidão de nosso companheiro, percebam que jamais ocuparemos o centro do poder de mudar tais fatos, estando sempre na expectativa de algo externo. Isto é o eixo da mais genuína impotência humana, e todos sabem da extrema dificuldade de alterarmos tal quadro. Estaríamos de certa forma compensados mesmo renunciando a nossos maiores desejos, desde que o poder retornasse ao nosso ser. A única tranqüilidade possível é a descoberta de que nossas capacidades e habilidades são uma espécie de cofre; sendo que devemos dividir seu conteúdo, mas também perceber que a chave sempre deve ficar em nosso poder; pois do contrário, perdemos totalmente o controle de nosso valor.

Lidar com a questão da rotina é tarefa colocada para todo ser humano. Determinadas coisas ligadas à sobrevivência e cuidados diários se imporão para o resto de nossas vidas, como todos sabem. O ponto que quero realçar é: quando deveríamos tentar algo novo? Os relacionamentos são um excelente teste para a tarefa citada. Quase a totalidade das pessoas os encara como mais uma rotina do dia a dia, seja na questão sexual ou qualquer outra necessidade que se coloca no convívio a dois. O amor jamais pode ser a oferta do comum ou corriqueiro, pois do contrário se torna mais uma profissão em nosso rol de obrigações. O mesmo deve ser cultivado como algo inesperado, vencendo a barreira do medo que impede qualquer experiência criativa. A solidão é a permissão da rotina na relação. Jamais podemos nos contentar com determinados prazeres que são frutos da obrigação de uma tarefa mental. O importante é a participação do outro nas mais variadas ações; troca de seu íntimo, sua visão do mundo, o sentido que fornece a relação, e principalmente sua disponibilidade para encarar a dificuldade de uma convivência que sempre gera frustração. O que todos deveriam saber é que o prazer ou amor inclui sempre regras, e parece que a maioria se esquece de tais fatos. É curioso observar a transformação de uma pessoa após o estabelecimento de determinada relação. Corriqueiramente a mesma começa a agir como um "filho", desejando que o parceiro seja totalmente receptivo e permissivo perante não somente aos seus desejos, mas, principalmente com relação aos seus defeitos que não deseja mudar, quando na verdade todos deveriam agir como "pais", mantendo constantemente uma vigilância sobre suas responsabilidades afetivas e sociais, aceitando o viver como adulto perante o outro. Um dos males dos relacionamentos é exatamente esta compulsão de tentar vivenciar a qualquer custo o lado afetivo infantilizado.

O núcleo de qualquer sentimento sempre transparece nas situações de crise, e conseqüentemente como gostaríamos que o outro se portasse perante nossos mais profundos conflitos. Tudo o que não pode acontecer é quando alguém tenta uma espécie de "pechincha" emocional ou energética, tentando sugar do outro o máximo possível com o mínimo de doação pessoal. Tanto a psicologia, psiquiatria e ciências sociais deveriam se esforçar na tentativa de unificar a problemática máxima da humanidade, ao invés de se aterem a conceitos diagnósticos; pois desta forma tratariam a perversão de "desejar receber muito e doar pouco". A inversão dessa verdadeira "tara" contemporânea é a única esperança para melhores dias afetivos e emocionais para toda a humanidade. Mas o leitor irá indagar como evitar a exploração seguindo tal premissa? Obviamente como medida sócio educativa devemos lançar no ostracismo aquele que não deseja dividir. Escolher um grupo de pessoas saudáveis seja na amizade ou afetividade é uma das mais altas tarefas de nossa alma na atualidade. O drama de nosso desenvolvimento é que não fomos treinados ou ensinados para os impactos emotivos nas diferentes etapas de nossa vida. Cito alguns como exemplos: como lidar ou dizer um "não"; como evitar que uma relação fracassada aumente sua potência pela omissão e comodismo; como se desvencilhar de apegos que nos causam insatisfação; como conviver com alguém que constantemente nos gera um profundo incômodo. O papel da psicologia é fundamental na elucidação e conscientização de todos os aspectos apontados, principalmente na psicoterapia. Deve-se tratar não uma mente estanque, mas uma pessoa que a cada dia sofre na verdadeira arte de se relacionar.

Retomando novamente a questão do tempo, o mesmo pode nos fornecer vários aspectos de vivências intelectuais ou emocionais, como por exemplo: medo, mágoa, rancor, sabedoria dentre outras. O importante a ser colocado é que o tempo apenas estabelece uma espécie de prazo, e o quanto de experiências positivas ou negativas temos vivenciado. O relacionamento sempre será uma "disciplina", exatamente por sua dificuldade e teste da real capacidade de se obter prazer; pois do contrário as formas neuróticas absorvem por completo a personalidade do sujeito. O prazer também deve ser encarado como meta básica, pois seu sustento deve ser diário. O oposto disto é a exacerbação da saudade, que tem como máxima definição psicológica uma condenação íntima e pessoal pelo fato de alguém não ter sido capaz de ter mudado com determinada experiência, buscando então uma espécie de perdão ou inconformismo perante a perda, travando tudo o que é novo. Alguém que cultua o apego sempre será destrutivo, pois por um lado foi incompetente em ser pragmático com seu prazer e o do outro, e por outro aspecto também não consegue criar uma nova ordem mental de busca da satisfação. O verdadeiro herói é o que preenche os dois requisitos apontados: (competência e criatividade).

Até o presente ponto temos observado como o fator tempo é determinante na estrutura comportamental e de personalidade do indivíduo. O que mais gera a impaciência é o tormento da espera para a consecução de determinado objetivo. O problema é que enquanto o mesmo não ocorre nossas capacidades ficam em estado de suspensão. Muitas culturas orientais sempre enfatizaram com bastante sabedoria que a concentração incessante em determinado desejo apenas afasta a efetivação do mesmo. Isto se choca perante o nosso conceito ocidental de esforço. Não que devamos simplesmente deixar de lutar por nossas necessidades, mas a mente tensa e faminta por determinada coisa acaba criando uma barreira para a própria fluidez de sua necessidade. Aquela pessoa que cultiva uma fantasia não consumada, não apenas estará fadada ao sofrimento, mas também caso a realize descobrirá que passou uma boa parte da vida lutando por algo que lhe forneceu apenas um ou poucos dias de glória após a conquista, sendo que o tédio não tarda a aparecer. Isto nada tem a ver com a eterna busca humana, mas, que há muito já deveríamos ter aprendido que diariamente deveríamos procurar estar em plenitude. Mas como podemos encontrar um equilíbrio entre a simplicidade de uma vida diária e rotineira com o desejo de algo novo e arrebatador? Esta gravíssima contradição do espírito coletivo de nossa atualidade não tem merecido nenhuma atenção por parte das ciências humanas. Viver esperando algo que nos retire do tédio sufocante é como esperar o dia da morte para saber o que acontece. A necessidade da transcendência seja numa religião ou na droga revela a todo o instante nossa terrível incapacidade do que fazer com o nosso tempo de vida, independentemente de quanto o mesmo irá durar.

A verdade é que o drama de toda nossa criação e processo educativo, independentemente da classe econômica à qual pertençamos sempre nos impõe o medo como o maior legado, apesar de todos os esforços pessoais de posse ou poder que usamos para encobrir tal fato. A psicoterapia profunda e verdadeira será aquela que ensinar ao paciente como crescer e evoluir com o conflito ou dilema que carrega; navegando pela mais profunda carência da pessoa com o intuito de a transformar em potência. Caso isto não ocorra, a única coisa que acontece é uma simples visita ao problema. É um direito fundamental do paciente que o terapeuta o treine paulatinamente para que consiga a anulação do seu sofrimento. Lembro-me de um sonho muito interessante de um paciente cuja tônica era esta: "sonhei que estava em uma montanha russa com dezenas de metros de altura, sendo que não estava no carrinho, mas tinha que a descer com as mãos e pés; o esforço era imenso; e quando notei que não conseguiria a descida, pensei veementemente em me suicidar, embora não me conformasse com a situação; no momento da queda tive a sensação e o poder interno de que aquilo era um sonho e poderia acordar evitando meu fim". O sonho fala por si mesmo, e o modo como esta pessoa passou não apenas a tentar um controle sobre seus temores e que realmente estava comprometida em evitar sua tragédia pessoal. O amadurecimento advém da tentativa da ação sobre o medo, por mais que o mesmo tente dominar a personalidade.

A aptidão para o amor acontece quando aprendemos a lidar com o medo e sofrimento, então precisamos de alguém, não para o proteger de vivências dolorosas, mas para dizer ao mesmo que estamos constantemente presentes e temos experiência. Qualquer tipo de palavra ou discurso sempre leva à imperfeição ou resultado desastroso, pois o desejo de manipulação de outro ser humano sempre irá esbarrar na resistência da pessoa que almejamos dominar. A espontaneidade é a dádiva máxima, sendo que é criada pela paciência e desejo de que o outro tenha satisfação prioritariamente a nossa, sendo esta outra essência do amor. Averiguar a capacidade de gratidão e troca de uma pessoa é o caminho mais promissor para que possamos realmente investir na mesma. O amor pleno é o encontro da certeza do solo fértil onde podemos plantar as sementes que escolhemos. A consecução de determinado desejo leva tempo, pois a prática da efetivação do mesmo nunca será igual ao sonho acumulado no transcorrer dos anos. A satisfação é algo novo e único, não algo cultivado pela memória; embora isto seja o desafio máximo da compreensão de um ser humano, nunca deixará de ser uma regra inexorável. Avaliar nosso impacto perante o outro é fundamental para a preservação de relações sociais saudáveis. Pensemos na questão da sedução, esta deveria ter o sentido da prova máxima de desejar estar com alguém; infelizmente é usada para o poder, exploração e roubo do íntimo do outro. Como salientei neste estudo, o problema máximo da humanidade em nossa era é a extrema dificuldade de doação, pois todos estão buscando segurança e poder, utilizando todos os mecanismos para obter tais coisas.

Todos gostam muito de repetir o jargão "que as pessoas não mudam". Isto é uma grande falácia, pois a mudança depende necessariamente do interesse ou estímulo para sua consecução. O apego pode ser o fator impeditivo de uma mudança, assim como o tédio ou desgaste pode contribuir para novas atitudes. Determinadas coisas negativas sob determinado ângulo são a chave para nova mentalidade e maneira de viver. Então é absolutamente desprovido o hábito de repetir que não há mudança; o fato central é o modo como determinada pessoa processa um evento doloroso. Penso que a grande tragédia das relações é que não estamos preparados para amparar e até salvar o outro de seu inferno pessoal. Temos de lidar diariamente com a realidade, que nada mais é do que uma somatória de todas as nossas obrigações e angústias, não cabendo nenhum espaço para o prazer. Em seguida fugimos da verdade, que nada mais é do que a admissão de nossa frustração e infelicidade por estarmos inseridos em determinadas situações.

A compreensão de qualquer processo sempre é um fator libertador, pois antes de nos livrarmos de algo que nos amargura, temos de provar para nós mesmos que tal evento ou pessoa realmente nos incomodam, pois do contrário fica apenas uma projeção em algo ou alguém de nossas dificuldades internas. Garantir um espaço para nossos sonhos jamais será uma atitude doentia, muito pelo contrário, é a prova máxima de que nunca iremos nos abater. Apenas devemos ter em mente o conceito exposto acima de que a prática difere de determinado desejo acumulado no transcorrer do tempo. O que realmente faz mal é não entender que qualquer aquisição ou desejo carrega consigo esferas negativas. Pensemos na questão da paixão. Todos necessitam uma experiência de êxtase ou entorpecimento afetivo a fim de se esquecerem pelo menos momentaneamente da vida sofrível que levam. O problema é não perceber que a paixão trará o ciúme, conflito e talvez o máximo de tormento pessoal que alguém pode suportar. Sendo assim, a essência de viver bem é o equilíbrio entre a esfera da realidade, verdade e sonho armazenado.

O auto conhecimento é um dos fatores que nos diferem do restante das outras espécies do planeta. Caso não o busquemos, apenas encontraremos satisfações passageiras que nos acarretarão sofrimentos futuros. Temos de perceber que o ser humano carrega um fardo único, que é o tormento pessoal. Há muito tempo todos não enxergam que a cultura materialista gera a cada dia mais solidão e sofrimento, sendo que a única saída é o encontro verdadeiro com alguém que realmente nos preencha. Estamos numa situação humana de total debilidade afetiva e emocional, e acabamos por fazer o contrário de nossas reais necessidades. É fundamental estar atento para o fato de que caso não haja prioridade para elementos do tipo: amizade, troca afetiva e solidariedade profunda, estaremos em última instância buscando a morte numa vida repleta de tédio. A inteligência pessoal é a conscientização plena da inutilidade da lamentação e abdicação do remoer mentalmente sobre se merecemos ou não determinada coisa, que nada mais é do que a essência do processo da culpa. O fundamental é o senso diário sobre se realmente estamos preparados para os nossos desejos, sendo que este deveria ser o projeto de uma psicologia profunda. A convicção e auto confiança são apenas uma fração de nosso poder pessoal que devemos cultivar; o restante advém da diminuição do medo nas mais diferentes esferas da vida. O ser criativo não é sinônimo de uma habilidade, mas, alguém que não admitiu que o pavor se transformasse numa espécie de santuário ou romaria diária.

O leitor novamente irá questionar acerca de como viver sem medo, num mundo onde mal sabemos se amanhã conseguiremos suprir nossas necessidades básicas? A resposta para este verdadeiro enigma contemporâneo não é nada fácil, mas diria que o merecedor de um autêntico troféu da existência humana é aquele que está sempre competindo ou lutando não para seu ego pessoal, mas para uma existência melhor para todos, apesar das terríveis resistências lançadas inclusive por aqueles que realmente necessitam de ajuda. O desafio máximo é lutar contra a incessante necessidade de conformismo e desistência das pessoas perante o prazer e satisfação. Aprofundando o tema se faz necessária a pergunta sobre o que é realmente o medo? Por um lado temos todo o histórico de repressão de determinado sujeito formando uma personalidade apática e com receio de toda e qualquer nova experiência. Não será surpresa se também descobrirmos que o medo é um irmão do egoísmo, sendo que a função de ambos é não efetivar uma expectativa ou desejo do outro. Em outro estudo enfatizei que a timidez tinha a mesma função; recolher o máximo possível do ambiente ao redor sem doar quase nada. O medo segue a mesma trilha, sendo que sua meta é a constante tentativa de desenergizar todos ao seu redor. Mas seguindo o conceito citado, ainda resta uma grave dúvida: como alguém aceita por uma vida inteira o conformismo e acaba sendo extremamente dócil e obediente perante seus algozes? Responder que a educação repressiva e punitiva forma alguém com essas características é totalmente parcial e denota uma imensa miopia mental.

Quando determinada pessoa aceita todo o modelo de vida repressivo, na verdade está dando continuidade ao processo de escravidão do próprio repressor, pois a ausência de uma rebeldia construtiva retira qualquer possibilidade de mudança, que em última instância é o pedido inconsciente de qualquer pessoa autoritária, pois a mesma vive sempre na expectativa de encontrar alguém para perseguir ou projetar seu lado destrutivo que não consegue controlar. Assim sendo, o medo une ambas, uma por não ter coragem de se desvencilhar de seu enredo de ódio, e a outra por usar da pior vingança possível, que é o reforço de um comportamento totalmente neurotizado.

A própria terapia acaba encarnando tal problemática, pois todos que já se submeteram a mesma sabem que a única chance de uma mudança é ter um "treinador" pragmático e atento contra todas as neuroses, sabotagens e resistências lançadas pela pessoa; passar pelo teste da aceitação da crítica é a máxima certeza de que o sujeito busca realmente um outro modelo de vida, do contrário apenas almeja uma escuta ou desabafo que nunca será a cura. Como observei também em outro estudo, a tendência de qualquer bloqueio é se transformar numa espécie de "entidade" que tem como único objetivo sua própria sobrevivência, minando qualquer tentativa de mudança. Infelizmente tenho observado que as "entidades" quase sempre levam a melhor, já que a sedução de viver no medo e egoísmo é muito forte em nossa sociedade. O importante aqui é a denúncia de tal fato, pois do contrário jamais realmente conheceremos alguém. Quando um paciente chega ao consultório é necessário que o terapeuta o acolha e esteja aberto à sua problemática, porém, tudo o que não pode ocorrer é o reforço da necessidade de vitimização da pessoa, pois o profissional experiente sabe que o fato de se buscar um psicólogo é apenas uma etapa primária de todo um processo, sendo que não há prova nenhuma de que a pessoa almeja uma mudança. O embate entre o sofrimento e a "entidade" que luta por sua sobrevivência deve ser o foco permanente da atenção do terapeuta e paciente. Muitas vezes a terapia verdadeira é o próprio encerramento, para que num futuro a pessoa se dê conta dos bloqueios que não ousou lidar.

Estas observações terapêuticas técnicas são importantes, pois no cotidiano das relações a coisa funciona da mesma maneira. A ingenuidade máxima é se abster de testar ou conhecer alguém conforme os dados acima apresentados. Procuramos a todo instante o apego e manutenção de algo pelo simples pânico de ficarmos sós, quando na verdade deveríamos avaliar se quem está ao nosso lado possui condições de realmente nos acompanhar. O amor pleno é o cumprimento da promessa da companhia perante nossas dificuldades, sendo que algo pronto e fácil é apenas a maximização da loucura. A gratidão e o dever da troca são o gozo sublime para a pessoa que reluta em não desistir. A solução será sempre o aprofundamento e consciência das coisas que estão próximas, e que ainda não conseguimos compreendê-las.

BIBLIOGRAFIA: ADLER, ALFRED. O SENTIDO DA VIDA. EDITORA PAIDÓS, 1937.

COLABORADORES:
IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR(SOCIÓLOGO)
SIMONE JORGE (SOCIÓLOGA)


Motivo - Dostoievski

"O segredo da existência humana consiste não somente em viver, mas ainda encontrar o motivo para viver” (Dostoievski)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Na natureza selvagem - Jon Krakauer




"Dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, 
sem cigarros. Liberdade total. Um extremista. Um inusitado viajante cujo lar é a estrada. 
Fugiu de Atlanta. Não deseja voltar porque o Oeste é o melhor. E agora depois de dois anos 
de caminhada aproxima-se a grande e final aventura. A culminante batalha para matar o 
falso ser interior e vitoriosamente concluir a revolução espiritual. Dez dias e noites de comboios de mercadorias e de boléias trazem-no para o grande norte branco. Sem 
continuar a ser envenenado pela civilização ele foge e caminha solitário pela terra 
para se perder em meio à natureza selvagem."


"Eu vou parafrasear Thoreau aqui... mais que amor, que dinheiro, que fé, que fama, que equidade... dê-me a verdade." 

"Se admitirmos que a vida humana possa ser regida pela razão, então está destruída 
toda a possibilidade da vida."

"Quando você perdoa, você ama. E quando você ama, a luz de Deus brilha em você."

"Você sabe, falo de livrar-se desta sociedade doente... Sabe o que eu não entendo? Porque 
as pessoas, todas as pessoas, são sempre tão más umas com as outras. Não faz sentido. Julgamento. Controle. Todas estas coisas... De que pessoas estamos falando? Você sabe, 
pais, hipócritas, políticos, canalhas."

"Você não precisa de relacionamento humano para ser feliz, Deus colocou tudo ao redor
 de nós."

"A felicidade só é real quando partilhada."




“There is a pleasure in the pathless woods; / There is a rapture on the lonely shore; /
There is society, where none intrudes, / By the deep sea, and music in its roar; /
I love not man the less, but Nature more… / (Lord Byron)
“I read somewhere… how important it is in life not necessarily to be strong… 
but to feel strong.” (Christopher McCandless)
“Some people feel like they don’t deserve love. They walk away quietly into 
empty spaces, trying to close the gaps of the past.” (Christopher McCandless)
“I’m going to paraphrase Thoreau here… rather than love, than money, than faith, 
than fame, than fairness… give me truth.” (Christopher McCandless)
“If we admit that human life can be ruled by reason, then all possibility of life is 
destroyed.” (Christopher McCandless)
“When you want something in life, you just gotta reach out and grab it.”
 (Christopher McCandless)

“Happiness only real when shared.” (Christopher McCandless)
“Society, man! You know, society! Cause, you know what I don’t understand? 
I don’t understand why people, why every fucking person is so bad to each other 
so fucking often. It doesn’t make sense to me. Judgment. Control. All that, the whole 
spectrum. Well, it just…” (Christopher McCandless)
“You don’t need human relationships to be happy, God has placed it all 
around us.” (Christopher McCandless)
“Two years he walks the earth. No phone, no pool, no pets, no cigarettes. Ultimate 
freedom. An extremist. An aesthetic voyager whose home is the road. Escaped 
from Atlanta. Thou shalt not return, ’cause “the West is the best.” And now after 
two rambling years comes the final and greatest adventure. The climactic battle 
to kill the false being within and victoriously conclude the spiritual pilgrimage. 
Ten days and nights of freight trains and hitchhiking bring him to the Great White 
North. No longer to be poisoned by civilization he flees, and walks alone upon 
the land to become lost in the wild.” – Alexander Supertramp May 1992
“The sea’s only gifts are harsh blows, and occasionally the chance to feel strong. 
Now I don’t know much about the sea, but I do know that that’s the way it is here. 
And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel 
strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most
 ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to
 help you but your hands and your own head.” (Christopher McCandless)
“The freedom and simple beauty is too good to pass up…” (Christopher McCandless)

Fontes: