segunda-feira, 18 de julho de 2011

Goethe, poesia e ciência - Ordem Implicada

"As plantas movem seus corpos com uma liberdade, um desembaraço e uma graça tão grandes quanto os do homem ou do bicho mais capacitado - só não apreciamos isto pelo fato de as plantas se moverem a um passo bem mais lento que o nosso."
Raoul Francé - biólogo vienense, nos inícios do século XX

Darwin comparou as radículas vermiformes das plantas, a um cérebro. Poetas e filósofos como Johann Wolfgang Von Goethe e Rudolf Steiner deixaram explicações e conceitos extraordinários a respeito da "Vida Secreta das Plantas". E Carl Von Linné, pioneiro da botânica moderna, declarou que "as plantas só diferem dos bichos e do homem por sua falta de movimento." Nesta sua assertiva Linné foi contestado por Darwin: "As plantas só adquirem e exibem esse poder quando ele apresenta alguma vantagem para elas."

Existe motivação maior para a ecologia exercer os seus conceitos e regras exigindo o respeito da humanidade em relação aos "Seres Verdes da Natureza?" Ao ensino da ecologia nas escolas e universidades sobre aquilo que significa, verdadeiramente, o chamado "Reino Vegetal?"

Goethe, o Poeta e o Reino Vegetal

Goethe, um homem alto e bonito, muito bem quisto no meio feminino também pelo seu gênio poético, passava uma temporada de descanso em Karlsbad quando resolveu-se a trocar seu sucesso já sedimentado na literatura, pelas incursões nas expedições botânicas empreendidas, solitariamente, nos bosques.
Pouco depois, incógnito, dirigiu-se para o sul, na direção dos Alpes, "para deliciar-se com a beleza e a variedade da vegetação sulina, além do Brenner." A Itália iria revelar ao gênio da poesia e o maior poeta da Alemanha, o clímax da sua vida: o verde mistério dos roseirais, das madressilvas e da mais humilde das plantas que habitam o reino dos vegetais.

No jardim botânico da universidade de Pádua, Goethe imantado por uma visão poética, pode compreender a verdadeira natureza das plantas e ganhar o seu importante lugar na "História da Ciência" como precursor da Teoria do desenvolvimento Orgânico de Darwin. Seus pares não o compreenderam na ocasião, o que soe acontecer, mas a geração seguinte o exaltou pelas suas grandes descobertas. Ernst Haeckel, grande biólogo, o comparou a Jean Lamarck "na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwin."

O "jeu de rouages et de ressorts sans vie"

Este "jeu" (jogo) se referia ao instinto classificatório do século 18 e com a teoria da física "que submetia o mundo às cegas leis da mecânica, então triunfante."
Goethe não se submetia a regras e coisas estabelecidas, a sua veia poética não lhe permitia esta aridez, e ele se rebelava contra a divisão arbitrária da ciência em disciplinas rivais. Outro motivo de se desagrado: as contradições existentes entre os sábios acadêmicos.
Goethe sofrera de um mal que o acometera antes de completar 20anos, uma grave infecção na garganta e fora curado por um "rosa-cruz", Johann Friederich Metz e esta cura o incitou a aprender todo o segredo da criação das forças ocultas da natureza. Recorreu a Paracelso, Jakob Boheme, Giordano Bruno, Spinoza e G. Arnold e aos livros de alquimia e misticismo. Descobriu na sua Busca que a mágica e a alquimia eram "bem diversas das obscuras práticas supersticiosas que têm por objeto criar ilusões e malefícios." Segundo o autor do livro "Goethe et L'occultism", Christian Lepinte, Goethe "começou a desejar com toda a sua força destruir os limites de um universo mecanizado, encontrar ciência viva, capaz de lhe revelar o segredo supremo da natureza."
Isto lhe havia sido ensinado lendo Paracelso - "o oculto, por lidar com realidades vivas e não catálogos de mortos, pode chegar mais perto da verdade que a ciência, e que o sábio que desvenda os segredos da natureza não profana necessariamente um santuário proibido, mas pode seguir passo a passo a divindade, como pessoa privilegiada a olhar profundamente no mistério das almas e das forças cósmicas."

Goethe pontificou que não se busque a natureza da planta na sua aparência, o seu mistério encontra-se além listo. Imbuído desta idéia, um pensamento ousado começou a assaltar a sua mente: era possível desenvolver todas as plantas a partir de uma só.
Goethe não se entregava à sua inspiração poética e esta idéia transformou a ciência botânica e toda a concepção do mundo: este foi um dos primórdios da idéia da EVOLUÇÃO!
Sua chave? A metamorfose, que abriria o código da natureza.

A diferença entre os futuros princípios de Darwin e os de Goethe é a seguinte: Darwin presumiria que influências externas (causas mecânicas) agindo sobre a natureza de um organismo o modificariam. Goethe intuía que "as alternativas ímpares eram várias expressões de um organismo arquetípico (uroorganismos) que possuiria em si a capacidade de assumir formas multifárias e que em determinado momento a assumiria aquela que melhor se adequasse às condições de seu meio ambiente."
Goethe expôs as suas idéias em um primeiro ensaio: -"Sobre a metamorfose das plantas", a origem do estudo ma morfologia vegetal, entretanto, por ser muito revolucionário recebeu a negativa do seu editor em publicá-lo. O editor alegou que o cliente era um literato e não um cientista. O mesmo pensaram o seu público e os cientistas, o que muito desgostou o autor. Goethe só conseguiu triunfar sobre a ortodoxia reinante 18anos após o Congresso de Viena e a sua aceitação como genial colaborador da Ciência da Botânica só se deu três décadas adiante. Goethe forneceu outro conhecimento básico a esta ciência: o crescimento da vegetação de dois modos distintos - vertical e espiraladamente - uma década antes de Darwin abordar o mesmo assunto.
"Quando entendermos que o sistema vertical é definitivamente masculino e o espiralado feminino, seremos capazes de conceber o caráter andrógino de toda a vegetação. No decurso da transformação de crescimento, os dois sistemas se separam e tomam rumos opostos para depois reunirem-se a um nível mais alto." Goethe.

A Hipótese GAIA

Na sua velhice Goethe concebeu a terra como sendo viva, um organismo animado como possui um animal e uma planta, dotada de um mesmo ritmo de inspiração e evaporação, constantemente inalando e exalando.
Apesar de considerado na sua época como sendo o maior dentre todos os poetas alemães, esqueceram-no como sendo também dotado de um espírito universal capaz de abarcar todos os domínios da atividade e conhecimento humanos.
A bióloga Lynn Margullis, hoje, defende a "Hipótese Gaia" ou seja, pensa como Goethe pensava.

Suas descobertas na botânica

"Cunhou a palavra MORFOLOGIA formulando o conceito de Morfologia Botânica em vigor até hoje."
Foi precursor de Darwin, faleceu 27 anos antes de Darwin proclamar seu princípio holístico da evolução orgânica. Goethe possuía espírito holístico e era capaz de, com inteiro sucesso, abranger todas as gamas das atividades e do conhecimento. Foi descobridor da origem vulcânica das montanhas, estabeleceu o primeiro sistema de estações metereológicas e expôs uma teoria das cores.
"Não ligo muito para a minha obra de poeta, mas arrogo-me o direito de ter sido o único em meu tempo a compreender a verdadeira natureza da cor."
Goethe foi comparado como sendo "companheiro" de Darwin, pelo biólogo Ernst Haeckel ao lado de Jean Lamarck - "Na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwim." Deram o nome "Goethea" a um gênero da planta, homenageando Goethe e a sua contribuição para um conhecimento maior dos "Seus Verdes da Natureza."
Posteriormente, a aparição de Darwin no cenário científico, propiciou o reconhecimento das formulações de Goethe a respeito da "Metamorfose das Plantas."

"Foi de observações similares às de Goethe que Darwin partiu para afirmar sua dúvida sobre a constância das formas externas dos gêneros e espécies... Enquanto Darwin considerou que toda a natureza do organismo se encontrava de fato compreendida nessas características, concluindo, por conseguinte, que nada há de constante na vida da planta, Goethe foi mais longe e inferiu que, sendo inconstante as características, o que há de constante deve ser perseguido em algo que repousa por trás das exterioridades mutáveis." - Rudolf Steiner.

* Ilustração: Claudio Salvio.

Fonte: http://www.jornalinfinito.com.br/series.asp?cod=13

Nenhum comentário:

Postar um comentário