Riso, sorriso, quizo de gata
brinca, recreia, recria de nada
esparrama, deitada, acorda
da realidade pra viver num sonho
de cores, sabores; cinthyla!
Respiração; inspiração.
Inspira, inspira, inspira!
Aaaahhhh... ar, ar! Respirar!
Cheiro, gosto, mulher!
Mordida, contato, presença.
Inspira mesmo em ausência.
Som, corda, baixo.
Acorda ao sabor do acaso.
Caso, case, cello.
Som da cor ao sabor-entusiasmo.
Ruídos ofegantes, gemido indiscreto.
São notas de um concerto tesão.
Desenho é o seio impossível
de vetorização, não-racionalização.
O ventre, dimensão intangível
senão pelo tato-transcendente.
Corpo que é copo, transborda,
transborda...
Cores, sabor. Cheiro, cheiro, cheiro.
Aaahhhh... cheiro!!!
Sabor!!! Cor!!!
Delícia que cintila,
sim tira, tira...
brilha; cinthyla.
Alma, alma, alma!
Transborda de alma!
Brilha de não-ter
o que irrelevante pra viver
Releva. Revela, revela vida.
Luz, ilumina.
...é perturbar a cultura e desconstruir a lei, é matéria da arte e ciência do espírito...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Amor astral
Amor astral
Se eu ousasse a
descrever-te
seria assim:
meu amor é astral.
Dessa premissa
desdobram-se características
que são como as
órbitas que o satélite percorre
ao redor
do astro-mor:
o amor.
Amor à música,
que de tanto querer
não se entrega
a não ser que seja
entrega total,
sem hesitação.
A música é uma
oração,
que eleva ao nível
dos astros etéreos, nobres.
Ao nível do
astro-mor:
o amor.
O amor, por isso, é
sempre fim, destino.
Destino que, sempre
provisório,
é início
para uma nova
viagem.
Das janelas do
transporte
o objetivo é sempre
um novo ângulo do
astro-mor-destino-fim:
o amor.
Meu amor é mutação.
Vira, revira.
De cabeça pra
baixo, barriga pra cima, pra baixo.
As meias nunca tem
lugar.
Os livros? Sempre
com as meias.
A cabeça não para
de girar,
sempre a trabalhar
para descobrir
as criações sobre
as transmutações mais nobres;
sempre recriar para:
o amor.
Este amor é da
terra,
das plantas, dos
bichos, oprimidos.
É da caridade
natural,
aquele altruísmo
devoto à salvação
da ordem natural do
que
por essência é
natural.
Mesmo que seja
talvez supra-natural e metafísico,
o que guia e ordena
a sua sensibilidade,
as atitudes para com
as quatro patas e o verde é:
o amor.
Este amor é ar,
sempre a viajar de
nação em nação.
Viaja na terra,
viaja no sonho.
Alcança templos de
luz astrais.
Vê
passado-presente-futuro em espaços nunca visitados.
Viaja, viaja, viaja.
Quando sai da rota e
sente medo pelo visto que
não-deveria-ser-visto-naquele-momento,
se assusta
exatamente diante da antítese do:
amor.
Se eu ousasse a
descrever-te seria assim:
meu amor é astral.
Dos astros que tem a
substância
da terra, do fogo,
da água, do ar.
Tu és o amor a
buscar a própria consciência.
O amor a se
reconhecer.
A aprender e
reaprender a amar.
A amar mais.
A amar melhor.
Infinito círculo
cíclico:
tu és o amor,
amor por princípio,
amor por fim.
Reto
Praticamente reto ou sobre a cidade e a loucura.
Retas.
Retas agudas.
Destino reto.
Sempre com destino.
Todos com destinos.
Retas paralelas.
Retas que se cruzam.
Retas transversais.
Retas com origens diferentes.
Com destinos diferentes.
Retas com origens e destinos contrários.
Repouso reto.
Espera reta.
Movimento parabólico com destino: reto.
A curva com origem e destino: reta.
Reto agir.
Reto pensar.
Um reta cruza o plano cartesiano.
Racionalidade.
Na cidade geométrica
sujeitos sem origem
e sem destino
Caminham Param
Circulam
Círculos ou
trajetos
abstratos
Dormem
no
chão
sem retidão
Distoam
do reto
agir
Falamqualquercoisaquesentir
"Sem sentido" é o julgamento
daqueles que tem sentido:
com origem, com destino:
que caminham retos.
Na racionalidade
do plano cartesiano:
o sentido.
Sem sentido e sem retidão:
os loucos.
E´ louco o poeta que caminha pela cidade sem origem e destino e transforma em versos suas impressões sobre a cidade e seus sujeitos com origem e destino?
Com origem e destino, o poeta perceberia os sujeitos que não estão em sua
reta?
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