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sábado, 4 de junho de 2011
Experimentos de arte contemporânea
Experimentos discutem questões da arte contemporânea
Grupo Poéticas Digitais utiliza recursos e interfaces tecnológicas na produção de obras de arte
Agência USP
A utilização de recursos e interfaces tecnológicas para a divulgação de produções artísticas não é novidade nos dias de hoje. Porém, no que se refere à produção das obras, ainda se verifica um baixo uso destas ferramentas. No Departamento de Artes Plásticas (CAP) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, um grupo de pesquisadores se dedica ao estudo e à experimentação com esse novo tipo de trabalho.
O Grupo Poéticas Digitais, como o núcleo é conhecido, é formado por professores, artistas e alunos da graduação e da pós-graduação, que realizam, através de suas mais diversas competências, diferentes trabalhos experimentais. Constituído por pessoas de diversos campos da arte, o grupo foi criado a partir de um antigo projeto, o wAwRwT, iniciado em 1995, quando a internet e os primeiros navegadores começaram a ficar mais acessíveis ao grande público.
Segundo Gilbertto Prado, professor do CAP e coordenador do grupo, a ideia de formar a equipe surgiu da possibilidade de trabalhar esse novo espaço que nasceu com a internet, sob o ponto de vista da arte. Uma vez que vivemos rodeados por variados equipamentos e que adotamos a cultura da tecnologia, o interesse do grupo é descobrir como todo esse maquinário e novas interfaces podem ser pensados do ponto de vista artístico. "A nossa grande questão é como podemos trabalhar essa relação da arte e tecnologia na contemporaneidade", afirma o professor.
Outra preocupação que permeia os estudos do grupo é a necessidade de experimentação. A busca por novas linguagens e diferentes diálogos se renova a cada projeto. "O que nos interessa é como nós vamos buscar e articular esse nosso olhar de leitura do mundo", diz Prado. Além disso, explica que o objetivo do Poéticas Digitais é trabalhar com experimentações artísticas, acompanhadas de reflexão, e da contextualização dos projetos no campo da arte contemporânea.
Desde 2002, quando o Poéticas Digitais foi oficialmente constituído, o grupo já realizou projetos com os temas mais diversos. Para Gilbertto Prado, entre os trabalhos produzidos um que se destacou foi o "Acaso 30", uma instalação interativa em memória aos mortos de uma chacina que aconteceu em 2005 em Queimados, município da Baixada Fluminense.
Projetos
A obra foi a primeira grande experiência do grupo, que até então só havia realizado trabalhos de menor escala. Consistia em diversos sensores sob um tapete em espaço aberto, onde imagens de corpos nus eram projetadas e reagiam à presença dos visitantes. De acordo com o professor, o projeto faz uma crítica ao sentimento de indiferença em relação ao outro, ao qual estamos nos habituando. "As chacinas se repetem, a gente vai assistindo corpos jogados e nem percebe, nem dá mais atenção", afirma Glbertto Prado.
Outros projetos são um videogame baseado em texto de Oswald de Andrade (Cozinheiro das Almas, 2006), videopoemas (Incógnito, 2007), web-instalações com tubos de led azul (Pedralumen, 2008) e leds infravermelho (Desluz, 2009). Para cada um desses projetos interdisciplinares, o grupo propunha uma discussão: a relação espaço-tempo, a questão do conhecimento e percepção de interfaces, a noção de interatividade, a discussão do visível e invisível, paisagens e mobilidades contemporâneas, entre outros.
O trabalho mais recente foi o "Amoreiras", de 2010. Nessa obra, cinco amoreiras foram colocadas na Avenida Paulista, em frente ao Instituto Itaú Cultural, como parte da quinta edição Bienal de arte e tecnologia da exposição "Emoção Art.ficial". As árvores eram ligadas a pequenos dispositivos mecânicos conectados a placas arduíno (próteses poéticas), que eram acionadas de acordo com as variações dos níveis sonoros do ambiente. Dessa forma, cada amoreira "respondia", a partir dos estímulos sonoros captados e dos movimento das outras amoreiras. "Era um trabalho que discutia a questão de autonomia e aprendizado artificial, natureza e meio ambiente".
Assim como os textos que refletem sobre os trabalhos artísticos, o grupo Poéticas Digitais mantém, ao mesmo tempo, um intenso contato com outros grupos de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre as principais instituições, as que mais dialogam com o grupo são a Universidade Paris VIII, na França, a Universidade de Valência, na Espanha, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/0/experimentos-discutem-questoes-da-arte-contemporanea-207236-1.asp
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