John Flory não esconde sua impaciência para com a vida de madeireiro na Birmânia (atual Mianmar) dos anos 1920, quando o remoto país asiático era uma colônia britânica. No clube de brancos racistas e bêbados que freqüenta, Flory é considerado um bolchevique por ser amigo dos "negros", isto é, os nativos do lugar.
"Expressar-se livremente é impensável", diz Flory, sobre a miserável existência na colônia. "Você é livre para virar um bêbado, ocioso, covarde, maledicente, fornicador; mas não é livre para pensar por si mesmo." Apesar de não esconder sua estreita amizade com o médico local, um indiano honesto e dedicado, Flory demonstra relutância em defendê-lo abertamente, junto aos membros do clube europeu, contra as calúnias de U Po Kyin, magistrado nativo corrupto e ambicioso.
A chegada de Elizabeth, uma jovem inglesa casadoira, faz o calejado administrador enxergar sua única chance de construir uma vida digna e feliz. Mas o angustiado Flory, um dos mais complexos e apaixonantes personagens modelados pelo gênio de George Orwell, parece não ter o poder de mudar o rumo dos acontecimentos.
Trecho do livro:
U Po Kyin, magistrado subdivisional de Kyauktada, na Alta Birmânia, estava sentado em sua varanda. Eram só oito e meia da manhã, mas o mês era abril e havia uma opressão no ar, a ameaça das longas horas sufocantes do meio do dia. Fracos e ocasionais arquejos de vento, dando uma impressão de frescor por contraste, agitavam as orquídeas recém-regadas que pendiam do beiral. Para além das orquídeas podia-se ver o tronco empoeirado e curvo de uma palmeira, e em seguida o fulgor do céu de um azul ultramarino. No zênite, tão altos que ofuscava olhar para eles, alguns abutres descreviam círculos com as asas totalmente imóveis.
Sem mudar de expressão, lembrando um grande ídolo de porcelana, U Po Kyin contemplava o mundo imerso na feroz luz do sol. Era um homem de cinqüenta anos, tão gordo que fazia anos não conseguia se levantar da cadeira sem ajuda, porém ao mesmo tempo gracioso e até belo em sua corpulência; porque os birmaneses obesos não ficam flácidos e encalombados como os brancos, mas engordam simetricamente, por igual, como frutos inchados. Seu rosto era largo, amarelo e quase sem rugas, e seus olhos de um castanho muito claro. Seus pés - pés gordos e arqueados, com todos os dedos do mesmo comprimento - estavam descalços, assim como a cabeça raspada também estava descoberta, e ele usava um dos alegres longyis produzidos em Arakan, quadriculados de verde e magenta, que os birmaneses gostam de vestir em ocasiões informais. Mascava bétel, que guardava numa caixa laqueada em cima da mesa, e pensava em sua vida passada.
Tinha sido uma vida de sucesso notável. A memória mais remota de U Po Kyin, na década de 1880, era a de ter assistido de pé, ainda um menino nu e barrigudo, ao desfile dos soldados britânicos que entravam triunfalmente em Mandalay. Lembrou-se do terror que sentira diante daquelas colunas de homens imensos alimentados de carne bovina, com seus rostos corados e casacos vermelhos; e dos fuzis de cano longo que traziam presos ao ombro, e do trovejar pesado e rítmico de suas botas. Saíra correndo, depois de vê-los marchar por alguns minutos. A seu modo infantil, percebera que seu povo não tinha a menor condição de enfrentar aquela raça de gigantes. Alinhar-se do lado dos britânicos, transformar-se num parasita deles, constituiu sua maior ambição desde a infância.
Aos dezessete anos, tentou obter seu primeiro cargo no governo, mas fracassou, por ser pobre e não ter amigos, e nos três anos seguintes trabalhou no malcheiroso labirinto dos bazares de Mandalay, fazendo vendas para os mercadores de arroz e às vezes roubando-os. Aos vinte anos, um bem-sucedido golpe de chantagem lhe valeu quatrocentas rupias, com as quais foi imediatamente até Rangoon e comprou um cargo de pequeno funcionário no governo. O emprego era lucrativo, embora o salário fosse pequeno. Àquela altura, uma quadrilha de funcionários vinha auferindo uma renda regular mediante a desapropriação sistemática de bens públicos, e Po Kyin (na época apenas Po Kyin: o U honorífico só viria anos depois) aderiu naturalmente a esse tipo de operação. Entretanto, tinha talento demais para passar o resto da vida num cargo como aquele, contando miseravelmente seus roubos em moedas de pouco valor como annas e pice. Um dia, descobriu que o governo, diante da falta de quadros para cargos de importância intermediária, pretendia promover alguns pequenos funcionários como ele.A notícia iria se tornar pública dali a uma semana, mas uma das qualidade de Po Kyin era sempre conseguir as informações uma semana antes de todo mundo. Ele viu ali sua oportunidade, e denunciou todos os seus cúmplices antes que eles pudessem se precaver. A maioria foi mandada para a prisão, e Po Kyin acabou nomeado supervisor assistente municipal como recompensa por sua honestidade. Desde então, nunca mais deixou de subir. Agora, aos cinqüenta e seis anos, era magistrado subdivisional, e tudo indicava que seria promovido ainda mais e nomeado comissário assistente, tendo ingleses como seus iguais e até mesmo sob suas ordens.
Como magistrado, seus métodos eram simples. Mesmo pelo maior dos subornos, ele jamais vendia a decisão de um caso, pois sabia que um magistrado que emite julgamentos errados acaba sendo descoberto mais cedo ou mais tarde. Seu modo de agir, muito mais seguro, era aceitar suborno dos dois lados e, depois, resolver o caso estritamente de acordo com a lei. O que ainda lhe valia uma muito proveitosa reputação de imparcialidade. Além da renda que auferia junto aos litigantes, U Po Kyin extorquia um tributo permanente, uma espécie de taxação particular, de todas as aldeias submetidas à sua jurisdição. Se alguma aldeia deixava de pagar seus tributos, U Po Kyin adotava medidas punitivas - bandos de dacoits atacavam a aldeia, os moradores mais importantes eram presos com
base em falsas acusações, e assim por diante -, e não demorava muito a soma devida acabava sendo paga. Ele também recebia uma parte de todos os roubos de maior porte que ocorriam no distrito. Quase todo mundo, claro, sabia disso, menos os superiores de U Po
Kyin (nenhuma autoridade britânica jamais acreditaria numa acusação feita contra seus próprios homens), só que todas as tentativas de denunciá-lo sempre fracassavam; os homens que o apoiavam e cuja lealdade era alimentada por uma parte do butim eram numerosos demais.Toda vez que alguma acusação era feita contra ele, U Po Kyin se limitava a desacreditá-la lançando mão de uma série de testemunhas subornadas, disparando em seguida contra acusações que o deixavam numa posição mais forte do que nunca. Era praticamente invulnerável, tal sua eficiência em julgar o caráter alheio e assim jamais escolher um intermediário errado, e também porque se entregava à intriga com tanta concentração que jamais cometia um erro por descuido ou ignorância. Podia-se dizer,
quase com certeza, que ele nunca seria apanhado, que seguiria em frente, de sucesso em sucesso, e que por fim haveria de morrer coberto de honrarias, com uma fortuna de vários lakhs de rupias.
E mesmo no além-túmulo seu triunfo haveria de continuar. De acordo com a crença budista, os que praticam o mal na vida passam à encarnação seguinte na forma de um rato, um sapo ou algum outro animal inferior. U Po Kyin era um bom budista e estava decidido a se prevenir contra esse risco. Havia de dedicar seus últimos anos a boas causas, graças às quais acumularia mérito suficiente para sobrepujar o que ocorrera no restante de sua vida. É provável que suas boas obras tomassem a forma da construção de pagodes. Quatro pagodes, cinco, seis, sete - os monges lhe diriam quantos - com adornos de pedra esculpida, toldos de orla dourada e sinetas que tocavam ao vento, cada toque uma prece. E ele voltaria à terra em forma humana e masculina - pois a mulher tinha mais ou menos a mesma importância hierárquica de um rato ou um sapo - ou, na pior das hipóteses, na forma de algum animal
digno, como um elefante.
Todos esses pensamentos corriam rapidamente pelo espírito de U Po Kyin, e quase sempre em imagens. Seu cérebro, embora astucioso, era bastante bárbaro, e só funcionava para determinadas finalidades; a mera meditação estava além de seus hábitos. E agora ele chegava ao ponto para o qual vinham tendendo seus pensamentos. Apoiando as mãos pequenas e triangulares nos braços da cadeira, virou-se um pouco para trás e chamou, com uma voz roufenha:
"Ba Taik! Ei, Ba Taik!"
Ba Taik, criado de U Po Kyin, surgiu através da cortina de contas da varanda. Era um homem miúdo e coberto de marcas de varíola, com uma expressão tímida e faminta. U Po Kyin não lhe pagava salário, porque era um ladrão condenado que uma palavra bastaria
para devolver à prisão. À medida que avançava, Ba Taik fazia uma reverência tão profunda que dava a impressão de estar dando um passo para trás.
"Sagrado deus?", disse ele.
"Há alguém esperando para me ver, Ba Taik?"
Ba Taik enumerou os visitantes nos dedos: "O chefe da aldeia de Thitpingyi, Excelência, que lhe trouxe presentes, e mais dois aldeões envolvidos num caso de agressão que será julgado por Sua Excelência, e eles também lhe trouxeram presentes. Ko Ba Sein, o funcionário chefe do gabinete do vice-comissário, quer vê-lo, e também Ali Shah, o policial, e um dacoit cujo nome eu não sei. Acho que se desentenderam por causa de uns brincos de ouro roubados. E também uma jovem aldeã com um bebê."
"O que ela quer?", perguntou U Po Kyin.
"Está dizendo que o filho é seu, Santidade."
"Ah. E quanto trouxe o chefe da aldeia?"
Ba Taik achava que eram apenas dez rupias e uma cesta de mangas.
"Diga ao chefe", disse U Po Kyin, "que precisa me trazer vinte rupias, e que ele e a aldeia terão muitos problemas se o dinheiro não estiver aqui amanhã. E agora vou receber os outros. Peça a Ko Ba Sein que venha me ver aqui."
Ba Sein apareceu dali a instantes. Era um homem ereto, de ombros estreitos, muito alto para um birmanês, com o rosto curiosamente liso de uma cor e textura que lembravam um pudim de café. U Po Kyin o considerava um instrumento útil. Desprovido de imaginação,mas muito esforçado, era um funcionário excelente, e o sr. Macgregor, o vice-comissário, confiava-lhe a maioria de seus segredos oficiais. U Po Kyin, que seus pensamentos anteriores haviam deixado de bom humor, cumprimentou Ba Sein rindo e indicou a caixa de bétel com um aceno.
"E então, Ko Ba Sein, como está caminhando o nosso negócio? Espero que, como diria o senhor Macgregor"- e U Po Kyin passou a falar em inglês -, "esteja fazendo progressos perceptíveis."
Ba Sein não riu do gracejo. Sentando-se muito ereto e com as costas bem alongadas na cadeira vazia, respondeu:
"Está excelente, senhor. O nosso exemplar do jornal chegou hoje de manhã. Tenha a bondade de ler."
Exibiu um exemplar do jornal bilíngüe chamado O Patriota Birmanês. Era um pobre jornaleco de oito páginas, horrivelmente impresso num papel que era quase um mata-borrão, consistindo em parte em notícias roubadas da Gazeta de Rangoon, em parte em textos fracos sobre o culto ao heroísmo nacionalista. Na última página, os tipos tinham escorregado e deixado o papel todo coberto de preto, como que de luto pela exigüidade da tiragem do jornal. O artigo ao qual U Po Kyin dedicou atenção tinha um cunho bem diferente do resto. E dizia:
Nestes tempos felizes em que nós, os pobres negros, vimos sendo beneficiados pela poderosa civilização ocidental, com suas inúmeras bênçãos, tais como o cinematógrafo, as metralhadoras, a sífilis etc., que tema poderia ser mais inspirador do que a vida particular dos nossos benfeitores europeus? Pensamos, assim, que pode interessar aos nossos leitores saber um pouco acerca do que vem acontecendo no distrito de Kyauktada, no norte do país. E especialmente acerca do sr. Macgregor, honrado vice-comissário do citado distrito.
O sr. Macgregor é o protótipo do Perfeito Cavalheiro Inglês, de que, nestes tempos felizes, temos tantos bons exemplos diante dos olhos. É um "homem de família", como dizem nossos queridos primos ingleses. De fato, um homem de muito zelo para com a família, o sr. Macgregor. Tanto que já acumula três filhos no distrito de Kyauktada, onde vive há apenas um ano, e no seu distrito anterior, de Shwemyo, deixou para trás seis jovens
descendentes. Talvez seja uma certa ligeireza da parte do sr. Macgregor ter deixado essas jovens criaturas sem nenhum amparo, e algumas das mães correndo o risco de passar fome etc. etc. etc.
Havia mais uma coluna de matérias semelhantes, e por mais terríveis que fossem, ainda assim ficavam num nível bem superior ao do restante do jornal. U Po Kyin leu com atenção o artigo de ponta a ponta, segurando-o com o braço esticado - tinha a vista cansada
- e franzindo pensativamente os lábios, o que revelava uma incrível quantidade de dentes pequenos e perfeitos, tintos de vermelho-sangue devido ao suco do bétel.
"O editor será condenado a seis meses de prisão por causa disto", disse por fim.
"Ele não se importa. Diz que só na prisão consegue ser deixado em paz pelos credores."
"E você me contou que foi o seu aprendiz Hla Pe quem escreveu este artigo sozinho? O rapaz é muito esperto - muito promissor! Nunca mais torne a me dizer que essas Escolas Secundárias do Governo são uma perda de tempo. Hla Pe certamente deve ser promovido a funcionário titular."
"O senhor então acha que o artigo vai bastar?"
U Po Kyin não respondeu de imediato. Começara a emitir um som de sopro laborioso; tentava levantar-se da cadeira. Era um som que Ba Taik conhecia bem. Ele apareceu por trás da cortina de contas, e ele e Ba Sein puseram uma das mãos debaixo de cada axila de U Po Kyin e o ajudaram a se erguer.U Po Kyin ficou algum tempo equilibrando o peso da barriga nas pernas, fazendo os movimentos de um carregador de peixes que endireita sua carga. Em seguida, dispensou Ba Taik com um gesto.
"Não, não basta", disse ele, respondendo à pergunta de Ba Sein, "de maneira nenhuma. Ainda precisamos fazer muito mais. Mas foi o começo certo. Escute."
Foi até a balaustrada cuspir restos escarlates de bétel, depois começou a percorrer a varanda com passos curtos, as mãos atrás das costas. A fricção de suas vastas coxas o fazia oscilar ligeiramente. À medida que caminhava, ia falando, no jargão básico dos funcionários públicos - uma colcha de retalhos que reunia verbos birmaneses com expressões abstratas inglesas:
"Bom, agora vamos cuidar desse caso desde o início. Vamos fazer um ataque combinado ao doutor Veraswami, que é o médico civil e superintendente da prisão. Vamos caluniá-lo, destruir sua reputação e, no final, deixá-lo desgraçado para sempre. Vai ser uma operação delicada."
"Sim, senhor."
"Não vamos correr nenhum risco, precisamos fazer as coisas devagar. Quem vai estar na nossa mira não é um funcionário comum, ou um mero policial. É um alto funcionário, e com um alto funcionário, mesmo que seja indiano, não agimos da mesma forma que com um escrevente qualquer. Para arruinar um escrevente, como se faz? É fácil; uma acusação, duas dúzias de testemunhas, demissão e cadeia. Mas nesse caso não adianta. De mansinho, de mansinho, de mansinho é o jeito certo. Nada de escândalo e, acima de tudo, nada de inquérito oficial. Não pode haver nenhuma acusação passível de resposta, mas ainda assim, dentro de três meses, quero fixar na cabeça de todos os europeus de Kyauktada que o nosso médico não presta. Do que será que eu posso acusá-lo? De suborno
não pode ser, nenhum médico tem a oportunidade de receber suborno. Do quê, então?"
"Podíamos talvez organizar uma rebelião na cadeia", disse Ba Sein. "Na qualidade de superintendente, o doutor podia levar a culpa."
"Não, é perigoso demais. Não quero os guardas da cadeia dando tiros de fuzil para todo lado. Além disso, iria custar muito caro. Então, é óbvio que a acusação só pode ser uma: deslealdade - nacionalismo, propaganda sediciosa. Precisamos convencer os europeus de que o doutor tem opiniões desleais e antibritânicas. É muito pior do que suborno; para eles, é até natural que um funcionário nativo aceite suborno. Mas, se eles suspeitarem da lealdade dele por um momento que seja, o homem está perdido."
"É coisa difícil de provar", objetou Ba Sein. "O médico é muito leal aos europeus. Fica irritado quando dizem alguma coisa contra eles. E eles devem saber disso, o senhor não acha?"
"Bobagem, bobagem", disse U Po Kyin,muito seguro."Os europeus dão pouca importância às provas. Quando um homem tem a cara preta, a menor suspeita já basta. Algumas cartas anônimas produzem milagres. É só uma questão de persistência. Acusar, acusar, e continuar acusando - é assim que a coisa funciona com os europeus. Uma carta anônima atrás da outra, endereçada a um europeu depois do outro. E então, quando as suspeitas estiverem despertadas..."
U Po Kyin tirou um dos braços de trás das costas e estalou os dedos. Depois acrescentou: "Começamos com este artigo no Patriota Birmanês. Os europeus vão ficar furiosos quando lerem. E então o próximo movimento será convencê-los de que foi escrito pelo médico". "Vai ser difícil enquanto ele tiver amigos europeus. É ele que todos procuram quando ficam doentes. Ele curou o senhor Macgregor da flatulência quando o tempo ficou mais frio. É considerado um médico muito habilidoso, acho."
"Como você entende pouco da mentalidade européia, Ko Ba Sein! Se os europeus procuram o doutor Veraswami, é só porque não existe outro médico em Kyauktada. Nenhum europeu confia num homem de cara preta. Não, com as cartas anônimas é só uma questão de mandar o número certo delas. Vou cuidar para que daqui a pouco ele não tenha mais nenhum amigo."
"Mas tem o senhor Flory, o comerciante de madeira", disse Ba Sein (da maneira como pronunciava, o nome parecia "Porley".) "Ele é amigo íntimo do doutor. Todo dia de manhã, quando está em Kyauktada, vai à casa dele. E duas vezes até convidou o médico para jantar na casa dele."
"Ah, nisso você está certo. Se Flory continuar amigo do doutor, isso poderá nos prejudicar. Não é possível atacar um indiano que tenha um amigo europeu. A amizade com um branco lhe dá - como é mesmo a palavra de que eles gostam tanto? - prestígio. Mas eu sei que Flory há de abandonar o amigo na mesma hora, assim que os problemas começarem. Essas pessoas não têm o menor sentimento de lealdade para com os nativos. Além disso, por acaso eu sei que Flory é um covarde. Com ele eu posso lidar. A sua parte, Ko Ba Sein, é vigiar os movimentos de Macgregor. Ele tem escrito para o comissário ultimamente - serão cartas confidenciais?"
"Escreveu há dois dias, mas quando abrimos a carta com vapor vimos que não continha nada de importante."
"Pois bem, então vamos lhe dar assunto. E assim que ele começar a suspeitar do médico, vai ser a hora de começarmos a tratar daquele outro caso de que eu lhe falei. E assim nós vamos - como é mesmo que diz o senhor Macgregor? Ah, sim, 'matar dois coelhos com uma só cajadada'. Várias dúzias de coelhos - ha, ha!"
[...]
Fonte: http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12218
...é perturbar a cultura e desconstruir a lei, é matéria da arte e ciência do espírito...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
Pq o sapo não lava o pé?
Olavo de Carvalho - O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o mundo, um tipo de atitude oriunda de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!
Marx - A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.
Engels - Isso mesmo.
Foucault - Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé - bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas - domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível - é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.
Weber - A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lavasse o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo - a vida na lagoa.
Nietzsche - Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida - e difícil - fronteira entre o sapo e aquele que está por vir, o "além-do-sapo": a lavagem do pé.
Filmer - Podemos ver que, desde a época de Adão, os sapos têm lavado os pés. Aliás, os seres, em geral, têm lavado os pés à beira da lagoa. Sendo o sapo um descendente do sapo ancestral, é legítimo, obrigatório e salutar que ele lave seus pés todos os dias à beira do lago ou lagoa. Caso contrário, estará incorrendo duplamente em pecado e infração.
Locke - Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.
Kant - O sapo age moralmente, pois ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.
Freud - Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.
NOTA - Kant jamais lavou seus pés.
Jung - O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.
Kierkegaard - O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.
Hegel - Podemos observar na lavagem do pé a manifestação da dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo - em relação à higiene - para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.
Comte - O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.
Schopenhauer - O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou "véu de Maya". A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de "coisa-em-si", e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: O mundo como vontade e representação.
Aristóteles - [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte. Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.
Platão -
Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!
Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?
Górgias: Sou forçado a admitir que sim.
Sócrates: Pois bem; e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?
Górgias: Sim, tu estás novamente correto.
Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza, ó Górgias?
Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.
Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem a uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.
Górgias: É verdade.
Sócrates: Precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?
Górgias: Não, não, não, mil vezes não, ó Sócrates!
Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água.
Górgias: De acordo.
Diógenes, o cínico - Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.
Parmênides de Eléia - Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?
Heráclito de Éfeso - Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.
Epicuro - O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.
Estóicos - O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.
Descartes - Nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a auto-conservação, como um relógio precisa de corda.
Maquiavel - A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.
Rousseau - Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.
Horkheimer e Adorno - A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.
Gramsci - O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições - representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis - serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.
Bobbio - Existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.
Marx - A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.
Engels - Isso mesmo.
Foucault - Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé - bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas - domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível - é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.
Weber - A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lavasse o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo - a vida na lagoa.
Nietzsche - Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida - e difícil - fronteira entre o sapo e aquele que está por vir, o "além-do-sapo": a lavagem do pé.
Filmer - Podemos ver que, desde a época de Adão, os sapos têm lavado os pés. Aliás, os seres, em geral, têm lavado os pés à beira da lagoa. Sendo o sapo um descendente do sapo ancestral, é legítimo, obrigatório e salutar que ele lave seus pés todos os dias à beira do lago ou lagoa. Caso contrário, estará incorrendo duplamente em pecado e infração.
Locke - Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.
Kant - O sapo age moralmente, pois ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.
Freud - Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.
NOTA - Kant jamais lavou seus pés.
Jung - O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.
Kierkegaard - O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.
Hegel - Podemos observar na lavagem do pé a manifestação da dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo - em relação à higiene - para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.
Comte - O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.
Schopenhauer - O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou "véu de Maya". A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de "coisa-em-si", e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: O mundo como vontade e representação.
Aristóteles - [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte. Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.
Platão -
Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!
Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?
Górgias: Sou forçado a admitir que sim.
Sócrates: Pois bem; e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?
Górgias: Sim, tu estás novamente correto.
Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza, ó Górgias?
Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.
Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem a uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.
Górgias: É verdade.
Sócrates: Precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?
Górgias: Não, não, não, mil vezes não, ó Sócrates!
Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água.
Górgias: De acordo.
Diógenes, o cínico - Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.
Parmênides de Eléia - Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?
Heráclito de Éfeso - Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.
Epicuro - O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.
Estóicos - O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.
Descartes - Nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a auto-conservação, como um relógio precisa de corda.
Maquiavel - A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.
Rousseau - Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.
Horkheimer e Adorno - A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.
Gramsci - O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições - representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis - serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.
Bobbio - Existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.
O sapo e a verdade - Tecnociência
Segundo palavras do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, toda a verdade passa por três fases: primeiro é ridicularizada; depois violentamente atacada; por fim, é aceite como evidente [1]. Diz o provérbio que quem ri por último ri melhor, mas nem sempre os detentores da verdade têm sequer tempo de rir, quanto mais de rir melhor! Pense-se no famoso cientista Galileu, por exemplo. A história veio a dar-lhe razão. A sua teoria de movimento dos planetas não era nada intuitiva para o conhecimento da época, que sustentava que a Terra era o centro do Universo e todos os restantes astros giravam à volta dela. Além disso, a interpretação das escrituras sagradas indicava precisamente isso. Galileu descobriu que modelar o Sol como o centro e a Terra a girar à volta dele seria muito mais fácil e coerente com o que realmente acontece. Esta é a verdade actualmente aceite, uma verdade “mais do que evidente”. No entanto, a contas com a Inquisição Galileu teve a vida em risco. Negou a sua própria verdade e escapou à morte, mas acabou por viver os seus últimos dias em prisão domiciliária – ciência, a quanto obrigas!
Mas nem sequer é preciso fixar os olhos nos tempos de Galileu Galilei para encontrar exemplos das três fases da verdade. Quanto a isso, a Humanidade será incorrigível, se de um defeito se trata.
Durante muitos séculos pensou-se que os barcos não poderiam ser de metal. O metal é mais pesado do que a água, não flutua. Logo, não seria possível construir um barco de metal. Por isso, durante muito tempo, mesmo os grandes navios eram construídos de madeira. Mesmo os navios de guerra que tinham partes metálicas como forma de protecção ou ataque tinham a estrutura em madeira, que era o material mais abundante, resistente e barato com as características que se pretendiam para um barco na altura. Instrumentos metálicos existem há muitos séculos, basta pensar em espadas, escudos e lanças. Mas pensar em construir um barco em metal era ridículo, não era evidente que se afundava? No entanto, alguém um dia demonstrou o contrário. O importante não é o peso do corpo, mas o volume de água que desloca. Portanto, não importa apenas o material usado, mas também o volume do objecto. Assim, a construção de barcos metálicos passou a ser uma verdade mais do que aceitável, evidente.
Muito próximo do exemplo do barco de metal é o do avião. Durante muitos anos acreditava-se não ser possível que um objecto mais pesado do que o ar voasse. Bem, os pássaros voavam e são mais pesados do que o ar, mas isso permanecia um mistério não muito bem compreendido. Mais uma vez a ciência resolveu o mistério. Bastou compreender que a diferença de pressão acima e abaixo de um objecto poderem ser suficientes para a sua sustentabilidade – é uma questão de forma e velocidade. Afinal, pode haver ainda muita gente com medo de voar, mas pelo menos já ninguém se espanta que um avião voe sem cair. Muito embora de permeio não tenham sido poucos os cientistas “loucos”, desde o próprio Ícaro que, segundo a mitologia grega, perdeu a vida a voar com asas de cera e penas muito perto do sol.
Seja como for, as três fases da verdade aplicam-se ainda hoje e em vários campos, nem só na ciência. Veja-se na política, por exemplo, onde são o pão nosso de cada dia as verdades que são primeiro ridicularizadas, depois violentamente atacadas, e por fim consideradas evidentes, se não morrerem entretanto.
Mas talvez seja até melhor assim, que a verdade surja em três fases. Para além de ser uma coisa que parece característica da nossa natureza humana, talvez seja mais fácil por ser mais progressivo. Uma experiência muito pouco ética mas que ilustra claramente o fenómeno é a do sapo na panela. Se se colocar um sapo numa panela quente o bicho salta de imediato. Mas se se colocar numa panela fria e se aumentar a temperatura gradualmente, consta que o sapo muito provavelmente se vai deixar ficar quieto até eventualmente morrer. Uma variação brusca da temperatura fá-lo reagir. Mas uma variação gradual nem sequer é percebida, ou se é percebida, pelo menos não é interpretada como potencialmente perigosa. A verdade, ao surgir em três fases, é também muito mais fácil de ser digerida e aceite. Assim como qualquer inovação ou mudança: se for brusca é muito mais susceptível de sofrer oposição e resistência. Mas se for progressiva, ninguém dá por ela ou, mesmo que a perceba, lhe liga importância.
[1] http://www.quotationspage.com/quote/25832.html
Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://tecnociencia.etikweb.com/Article-39-O+Sapo+e+a+verdade.html
Mas nem sequer é preciso fixar os olhos nos tempos de Galileu Galilei para encontrar exemplos das três fases da verdade. Quanto a isso, a Humanidade será incorrigível, se de um defeito se trata.
Durante muitos séculos pensou-se que os barcos não poderiam ser de metal. O metal é mais pesado do que a água, não flutua. Logo, não seria possível construir um barco de metal. Por isso, durante muito tempo, mesmo os grandes navios eram construídos de madeira. Mesmo os navios de guerra que tinham partes metálicas como forma de protecção ou ataque tinham a estrutura em madeira, que era o material mais abundante, resistente e barato com as características que se pretendiam para um barco na altura. Instrumentos metálicos existem há muitos séculos, basta pensar em espadas, escudos e lanças. Mas pensar em construir um barco em metal era ridículo, não era evidente que se afundava? No entanto, alguém um dia demonstrou o contrário. O importante não é o peso do corpo, mas o volume de água que desloca. Portanto, não importa apenas o material usado, mas também o volume do objecto. Assim, a construção de barcos metálicos passou a ser uma verdade mais do que aceitável, evidente.
Muito próximo do exemplo do barco de metal é o do avião. Durante muitos anos acreditava-se não ser possível que um objecto mais pesado do que o ar voasse. Bem, os pássaros voavam e são mais pesados do que o ar, mas isso permanecia um mistério não muito bem compreendido. Mais uma vez a ciência resolveu o mistério. Bastou compreender que a diferença de pressão acima e abaixo de um objecto poderem ser suficientes para a sua sustentabilidade – é uma questão de forma e velocidade. Afinal, pode haver ainda muita gente com medo de voar, mas pelo menos já ninguém se espanta que um avião voe sem cair. Muito embora de permeio não tenham sido poucos os cientistas “loucos”, desde o próprio Ícaro que, segundo a mitologia grega, perdeu a vida a voar com asas de cera e penas muito perto do sol.
Seja como for, as três fases da verdade aplicam-se ainda hoje e em vários campos, nem só na ciência. Veja-se na política, por exemplo, onde são o pão nosso de cada dia as verdades que são primeiro ridicularizadas, depois violentamente atacadas, e por fim consideradas evidentes, se não morrerem entretanto.
Mas talvez seja até melhor assim, que a verdade surja em três fases. Para além de ser uma coisa que parece característica da nossa natureza humana, talvez seja mais fácil por ser mais progressivo. Uma experiência muito pouco ética mas que ilustra claramente o fenómeno é a do sapo na panela. Se se colocar um sapo numa panela quente o bicho salta de imediato. Mas se se colocar numa panela fria e se aumentar a temperatura gradualmente, consta que o sapo muito provavelmente se vai deixar ficar quieto até eventualmente morrer. Uma variação brusca da temperatura fá-lo reagir. Mas uma variação gradual nem sequer é percebida, ou se é percebida, pelo menos não é interpretada como potencialmente perigosa. A verdade, ao surgir em três fases, é também muito mais fácil de ser digerida e aceite. Assim como qualquer inovação ou mudança: se for brusca é muito mais susceptível de sofrer oposição e resistência. Mas se for progressiva, ninguém dá por ela ou, mesmo que a perceba, lhe liga importância.
[1] http://www.quotationspage.com/quote/25832.html
Este artigo pode ser reproduzido total ou parcialmente, desde que seja referido o endereço: http://tecnociencia.etikweb.com/Article-39-O+Sapo+e+a+verdade.html
domingo, 2 de outubro de 2011
Menino Jesus - Alberto Caeiro
Num meio-dia de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Alberto Caeiro
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espirito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E porque toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando agente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espirito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É a minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Alberto Caeiro
Não há Felicidade sem Verdadeira Vida Interior - Schopenhauer
A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacidades espirituais, e adquire, mediante o incremento ininterrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecendo aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos outros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacidades espirituais é apenas um meio.
A nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor; mas quando a movimentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os únicos felizes são aqueles aos quais coube um excesso de intelecto que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininterruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Para tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao serviço da vontade. Pelo contrário, o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida (Séneca).
Ora, conforme esse excedente seja pequeno ou grande, haverá inúmeras gradações daquela vida intelectual levada ao lado da real, desde o mero trabalho de colecionar e descrever insectos, pássaros, minerais, moedas, até as mais elevadas realizações da poesia e da filosofia. Tal vida intelectual protege não só contra o tédio, mas também contra as suas consequências perniciosas. Ela é um escudo contra a má companhia e contra os muitos perigos, infortúnios, perdas e dissipações em que se tropeça quando se procura a própria felicidade apenas no mundo real. Para mim, por exemplo, a minha filosofia nunca rendeu nada, mas poupou-me de muita coisa.
O homem normal, pelo contrário, em relação aos deleites de sua vida, restringe-se às coisas exteriores, à posse, à posição, à esposa e aos filhos, aos amigos, à sociedade, etc. Sobre estes se baseia a sua felicidade de vida, que desmorona quando os perde ou por eles se vê iludido. Podemos expressar essa relação dizendo que o seu centro gravitacional é exterior a ele. Justamente por isso, tem sempre desejos e caprichos cambiantes. Se os seus meios lhe permitirem, ora comprará casas de campo ou cavalos, ora dará festas ou fará viagens, mas, sobretudo, ostentará grande luxo, justamente porque procura nas coisas de todo o tipo uma satisfação provenientedo exterior. Como o homem debilitado que, por meio deconsommés, canjas e drogas farmacêuticas, espera obter saúde e robustez, cuja verdadeira fonte é a própria força de vida. Para não passarmos desde já ao outro extremo, coloquemos ao seu lado uma pessoa dotada de capacidades espirituais não exactamente eminentes, mas que ultrapassem a escassa medida comum. Veremos tal pessoa praticar como diletante uma bela arte, ou uma ciência como a botânica, a mineralogia, a física, a astronomia, a história e semelhantes, e nelas encontrar de imediato uma grande parte do seu deleite, nelas se reabastecendo quando estancam aquelas fontes exteriores ou quando não mais a satisfazem.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
A nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor; mas quando a movimentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os únicos felizes são aqueles aos quais coube um excesso de intelecto que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininterruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Para tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao serviço da vontade. Pelo contrário, o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida (Séneca).
Ora, conforme esse excedente seja pequeno ou grande, haverá inúmeras gradações daquela vida intelectual levada ao lado da real, desde o mero trabalho de colecionar e descrever insectos, pássaros, minerais, moedas, até as mais elevadas realizações da poesia e da filosofia. Tal vida intelectual protege não só contra o tédio, mas também contra as suas consequências perniciosas. Ela é um escudo contra a má companhia e contra os muitos perigos, infortúnios, perdas e dissipações em que se tropeça quando se procura a própria felicidade apenas no mundo real. Para mim, por exemplo, a minha filosofia nunca rendeu nada, mas poupou-me de muita coisa.
O homem normal, pelo contrário, em relação aos deleites de sua vida, restringe-se às coisas exteriores, à posse, à posição, à esposa e aos filhos, aos amigos, à sociedade, etc. Sobre estes se baseia a sua felicidade de vida, que desmorona quando os perde ou por eles se vê iludido. Podemos expressar essa relação dizendo que o seu centro gravitacional é exterior a ele. Justamente por isso, tem sempre desejos e caprichos cambiantes. Se os seus meios lhe permitirem, ora comprará casas de campo ou cavalos, ora dará festas ou fará viagens, mas, sobretudo, ostentará grande luxo, justamente porque procura nas coisas de todo o tipo uma satisfação provenientedo exterior. Como o homem debilitado que, por meio deconsommés, canjas e drogas farmacêuticas, espera obter saúde e robustez, cuja verdadeira fonte é a própria força de vida. Para não passarmos desde já ao outro extremo, coloquemos ao seu lado uma pessoa dotada de capacidades espirituais não exactamente eminentes, mas que ultrapassem a escassa medida comum. Veremos tal pessoa praticar como diletante uma bela arte, ou uma ciência como a botânica, a mineralogia, a física, a astronomia, a história e semelhantes, e nelas encontrar de imediato uma grande parte do seu deleite, nelas se reabastecendo quando estancam aquelas fontes exteriores ou quando não mais a satisfazem.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Esperar?
Esperança, esperar, espera, esperado. Desesperança, desesperar, desespera, desesperado. Pobre daquele que tem esperança, se espera o que não vê, é pela paciência que se espera. Pobre de mim que tenho a paciência infindável!
domingo, 4 de setembro de 2011
Demônio - Freud
"O demónio do homem é o que nele há de melhor, é o próprio homem. Não se deve empreender coisa alguma de que se não goste realmente." Sigmund Freud
sábado, 3 de setembro de 2011
Lógica da vida - Albert Schwweitzer
“Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.” Albert Schwweitzer
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
5 dicas para uma aula melhor - Brasílio Neto
1 - Incite, não informe
Uma boa aula não termina em silêncio ou com os alunos olhando para o relógio. Ela termina com ação concreta. Antes de preparar cada aula, pergunte-se:, o que você quer que seus alunos aprendam e façam e como você os convence disso?
Olhe em volta, descubra o que pessoas nas mais diferentes profissões, fazem para conseguir a atenção dos outros. Por exemplo, ao fazer um resumo de uma matéria, não coloque um "título"; imagine-se um repórter e coloque uma manchete. Como aquela matéria seria colocada em um jornal ou revista? Use o espírito das manchetes, não seja literal, nem tente ser um professor do tipo:
2 - Conheça o ambiente
Você nunca vai conseguir a atenção de uma sala sem a conhecer. Onde moram os alunos e como eles vivem - quem vem de um bairro humilde de periferia não tem nada a ver com um morador de condomínio fechado, apesar de, geograficamente, serem vizinhos. Quais informações eles tiveram em classes anteriores, quais seus interesses. Mesmo nas primeiras séries, cada pessoa têm suas preferências e o grupo assume determinada personalidade.
3 - No final das contas (e no começo também)
As partes mais importantes de uma aula são os primeiros 30 e os últimos 15 segundos. Todo o resto, infelizmente, pode ser esquecido se você cometer um erro nesses momentos.
Os primeiros 30 segundos (principalmente das primeiras aulas do ano ou semestre) são um festival de conceituação e de cálculo dos discentes. Mesmo inconscientemente, eles respondem às seguintes questões:
- Quem é esse professor? Qual seu estilo?
- O que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano?
- Quanto da minha atenção eu vou dedicar?
E isso, muitas vezes, sem que você tenha aberto a boca.
4 - Simplifique
Você certamente já presenciou esse fenômeno em algumas palestras: elas acabam meia hora antes do final. Ou seja, o apresentador fala o que tinha que falar e passa o resto do tempo enrolando. Ou então, pior, gasta metade da apresentação com piadas, truques de mágica, histórias pessoais que levam às lágrimas, "compre meu livro" e aparentados, e o assunto, em si, é só apresentado no final - se isso.
Por isso, uma das regras de ouro de uma boa aula é - simplifique, tanto na linguagem como na escrita. Caso real: reunião de condomínio na praia, uma senhora reclamava que sua TV não funcionava direito. Explicaram-lhe que era necessário sintonizar em UHF. Ela então perguntou para quê a diferença entre UHF e VHF. Um vizinho prestativo passou a discorrer sobre diferenças na recepção, como uma transmissão poderia interferir na outra, nas características geográficas... Ela continuava com aquela cara de quem não entendia nada. Até que um garoto resumiu a questão em cinco letras:
"AM e FM."
"Ahhh, entendi."
Escrever e falar da maneira mais simples possível não significa suavizar a matéria ou deixar de mencionar conceitos potencialmente "espinhosos". Use e abuse de exemplos e analogias. Divida a informação em blocos curtos, para que seja melhor assimilada.
5 - Ponha emoção!
Certo, você tem PhD naquela área, pesquisou o assunto por meses a fio, foi convidado para dar aulas em faculdades européias. Mesmo assim, seus alunos podem não prestar atenção em você. Segundo estudos, o impacto de uma aula é feito de:
- 55% estímulos visuais - como você se parece, anda e gesticula;
- 38% estímulos vocais - como você fala, sua entonação e timbre;
- e apenas 7% de conteúdo verbal - o assunto sobre o qual você fala.
Apoiar-se somente na matéria é uma forma garantida de falar para a parede, já que grande parte dos alunos estará prestando atenção em outra coisa. Treine seus gestos, conte histórias, movimente-se com naturalidade. Passe sua mensagem de forma interessante.
Para o bem e para o mal, você dá aula para a geração videoclipe. Pessoas que foram criadas em frente aos mais criativos comerciais, onde videogames mostram realidades fantásticas. Entretanto, a tecnologia deve ser encarada como aliada, e não inimiga - apresentações multimídia, aparelhos de som, videocassetes - tudo isso pode ser usado como apoio à sua aula.
Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1063
Uma boa aula não termina em silêncio ou com os alunos olhando para o relógio. Ela termina com ação concreta. Antes de preparar cada aula, pergunte-se:, o que você quer que seus alunos aprendam e façam e como você os convence disso?
Olhe em volta, descubra o que pessoas nas mais diferentes profissões, fazem para conseguir a atenção dos outros. Por exemplo, ao fazer um resumo de uma matéria, não coloque um "título"; imagine-se um repórter e coloque uma manchete. Como aquela matéria seria colocada em um jornal ou revista? Use o espírito das manchetes, não seja literal, nem tente ser um professor do tipo:
2 - Conheça o ambiente
Você nunca vai conseguir a atenção de uma sala sem a conhecer. Onde moram os alunos e como eles vivem - quem vem de um bairro humilde de periferia não tem nada a ver com um morador de condomínio fechado, apesar de, geograficamente, serem vizinhos. Quais informações eles tiveram em classes anteriores, quais seus interesses. Mesmo nas primeiras séries, cada pessoa têm suas preferências e o grupo assume determinada personalidade.
3 - No final das contas (e no começo também)
As partes mais importantes de uma aula são os primeiros 30 e os últimos 15 segundos. Todo o resto, infelizmente, pode ser esquecido se você cometer um erro nesses momentos.
Os primeiros 30 segundos (principalmente das primeiras aulas do ano ou semestre) são um festival de conceituação e de cálculo dos discentes. Mesmo inconscientemente, eles respondem às seguintes questões:
- Quem é esse professor? Qual seu estilo?
- O que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano?
- Quanto da minha atenção eu vou dedicar?
E isso, muitas vezes, sem que você tenha aberto a boca.
4 - Simplifique
Você certamente já presenciou esse fenômeno em algumas palestras: elas acabam meia hora antes do final. Ou seja, o apresentador fala o que tinha que falar e passa o resto do tempo enrolando. Ou então, pior, gasta metade da apresentação com piadas, truques de mágica, histórias pessoais que levam às lágrimas, "compre meu livro" e aparentados, e o assunto, em si, é só apresentado no final - se isso.
Por isso, uma das regras de ouro de uma boa aula é - simplifique, tanto na linguagem como na escrita. Caso real: reunião de condomínio na praia, uma senhora reclamava que sua TV não funcionava direito. Explicaram-lhe que era necessário sintonizar em UHF. Ela então perguntou para quê a diferença entre UHF e VHF. Um vizinho prestativo passou a discorrer sobre diferenças na recepção, como uma transmissão poderia interferir na outra, nas características geográficas... Ela continuava com aquela cara de quem não entendia nada. Até que um garoto resumiu a questão em cinco letras:
"AM e FM."
"Ahhh, entendi."
Escrever e falar da maneira mais simples possível não significa suavizar a matéria ou deixar de mencionar conceitos potencialmente "espinhosos". Use e abuse de exemplos e analogias. Divida a informação em blocos curtos, para que seja melhor assimilada.
5 - Ponha emoção!
Certo, você tem PhD naquela área, pesquisou o assunto por meses a fio, foi convidado para dar aulas em faculdades européias. Mesmo assim, seus alunos podem não prestar atenção em você. Segundo estudos, o impacto de uma aula é feito de:
- 55% estímulos visuais - como você se parece, anda e gesticula;
- 38% estímulos vocais - como você fala, sua entonação e timbre;
- e apenas 7% de conteúdo verbal - o assunto sobre o qual você fala.
Apoiar-se somente na matéria é uma forma garantida de falar para a parede, já que grande parte dos alunos estará prestando atenção em outra coisa. Treine seus gestos, conte histórias, movimente-se com naturalidade. Passe sua mensagem de forma interessante.
Para o bem e para o mal, você dá aula para a geração videoclipe. Pessoas que foram criadas em frente aos mais criativos comerciais, onde videogames mostram realidades fantásticas. Entretanto, a tecnologia deve ser encarada como aliada, e não inimiga - apresentações multimídia, aparelhos de som, videocassetes - tudo isso pode ser usado como apoio à sua aula.
Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1063
Saude e qualidade vocal do professor - Maria Aparecida Stier
Atualmente, a alteração vocal do professor recebe o nome de “Transtorno Vocal Ocupacional”. Recentes pesquisas mostram que fatores como demanda vocal, ruído de fundo, acústica pobre da sala, distância interfalantes, qualidade do ar, doenças respiratórias associadas à resistência vocal baixa e à técnica pobre contribuem para o aparecimento de lesões nas pregas vocais e rouquidão.
O mau uso da voz e a comunicação inadequada, além de comprometer o conteúdo didático do professor, podem afastá-lo das atividades em sala de aula. A prevenção é o remédio para aulas sem a qualidade desejada, para os gastos com remuneração de professores afastados por ordem médica e prejuízos com indenizações trabalhistas.
Desde 1997 venho realizando na rede municipal de ensino de Curitiba o Programa Saúde e Qualidade Vocal dos Professores, em que são realizadas aulas teóricas sobre o mecanismo vocal, cuidados e uso profissional da voz e treinamentos de técnicas de aquecimento e desaquecimento vocal. A prevenção tem como fundamento a conscientização da correta utilização da voz em sala de aula e melhora da comunicação por meio da utilização de elementos da prosódia como modulação da freqüência e da intensidade, entonações, ritmo e pausa. Até o momento, mais de 6.800 professores já foram treinados e cerca de 30% deles necessitam de tratamento de voz.
A prevenção e o avanço na qualidade da voz do professor capacitam o profissional nos seguintes aspectos:
Alguns cuidados que ajudam a manter uma boa voz:
Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1092
O mau uso da voz e a comunicação inadequada, além de comprometer o conteúdo didático do professor, podem afastá-lo das atividades em sala de aula. A prevenção é o remédio para aulas sem a qualidade desejada, para os gastos com remuneração de professores afastados por ordem médica e prejuízos com indenizações trabalhistas.
Desde 1997 venho realizando na rede municipal de ensino de Curitiba o Programa Saúde e Qualidade Vocal dos Professores, em que são realizadas aulas teóricas sobre o mecanismo vocal, cuidados e uso profissional da voz e treinamentos de técnicas de aquecimento e desaquecimento vocal. A prevenção tem como fundamento a conscientização da correta utilização da voz em sala de aula e melhora da comunicação por meio da utilização de elementos da prosódia como modulação da freqüência e da intensidade, entonações, ritmo e pausa. Até o momento, mais de 6.800 professores já foram treinados e cerca de 30% deles necessitam de tratamento de voz.
A prevenção e o avanço na qualidade da voz do professor capacitam o profissional nos seguintes aspectos:
- quanto ao conhecimento e cuidado da própria voz;
- reduzem o fonotrauma em sala de aula;
- melhoram a qualidade da voz pessoal e da voz profissional;
- garantem um ganho na comunicação em sala de aula.
Alguns cuidados que ajudam a manter uma boa voz:
- Não fumar.
- Beber em média dois litros de água por dia.
- Enquanto estiver falando, manter boa postura corporal.
- Evitar bebidas geladas. Quando for beber algum líquido gelado, manter os primeiros goles por alguns segundos na boca antes de ingeri-los.
- O consumo de bebidas alcoólicas, balas e pastilhas de menta funcionam como anestésicos e mascaram a dor do esforço vocal.
- Em ambientes com ruídos de alta intensidade deve-se procurar articular bem as palavras evitando assim o aumento do tom da voz.
- Em ambientes com ar condicionado, hidrate-se!
Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1092
domingo, 14 de agosto de 2011
Simplicidade simplificada - Thoreau
Vivemos mesquinhamente, quais formigas, ainda que a fábula nos relate que há muito tempo atrás fomos transformados em homens; como os pigmeus lutamos com gruas; e é erro sobre erro, remendo sobre remendo, e a nossa melhor virtude decorre de uma miséria supérflua e evitável. A nossa vida é estilhaçada pelo pormenor.
Um homem honesto dificilmente precisa de contar para além dos seus dez dedos das mãos, acrescentando, em caso extremo, os seus dez dedos dos pés, e o resto que se amontoe. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar. A meio do agitado mar da vida civilizada, tantas são as nuvens, as tempestades, as areias movediças, tantos são os mil e um imprevistos a ser levados em conta, que para não se afundar, para não ir a pique antes de chegar ao porto, um homem tem de ser um grande calculista para lograr êxito.
Simplificar, simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas. A nossa vida é como uma Confederação Germânica, composta de insignificantes Estados e com as fronteiras sempre a flutuar, de modo que nem uma alemão sabe, em dado momento, dizer quais são.
Henry David Thoreau, in 'Walden'
Um homem honesto dificilmente precisa de contar para além dos seus dez dedos das mãos, acrescentando, em caso extremo, os seus dez dedos dos pés, e o resto que se amontoe. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar. A meio do agitado mar da vida civilizada, tantas são as nuvens, as tempestades, as areias movediças, tantos são os mil e um imprevistos a ser levados em conta, que para não se afundar, para não ir a pique antes de chegar ao porto, um homem tem de ser um grande calculista para lograr êxito.
Simplificar, simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas. A nossa vida é como uma Confederação Germânica, composta de insignificantes Estados e com as fronteiras sempre a flutuar, de modo que nem uma alemão sabe, em dado momento, dizer quais são.
Henry David Thoreau, in 'Walden'
Preguiça e mediocridade - Agostinho da Silva
"O homem tem preguiça, em geral, de pensar todo o pensável e contenta-se com fragmentos de ideias, recusa-se a uma coerência absoluta. Não leva até ao fim o esforço de entender. E, exactamente porque não o faz, toma, em relação à sua capacidade de inteligência, uma absurda posição de orgulho. Compara o pouco que entendeu com o menos que outros entenderam, jamais com o muito que os mais raros puderam perceber."
A Verdadeira Natureza Humana - Confúcio
A humildade fica perto da disciplina moral; a simplicidade de carácter fica perto da verdadeira natureza humana; e a lealdade fica perto da sinceridade de coração. Se um homem cultivar cuidadosamente essas coisas na sua conduta, não estará longe do padrão da verdadeira natureza humana. Com a humildade, ou uma atitude piedosa, um homem raramente comete erros; com a sinceridade de coração, um homem é geralmente digno de confiança; e com a simplicidade de carácter é comummente generoso. Cometerá poucos erros.
Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'
Fonte: http://www.citador.pt/textos/a-verdadeira-natureza-humana-confucio
Confúcio, in 'A Sabedoria de Confúcio'
Fonte: http://www.citador.pt/textos/a-verdadeira-natureza-humana-confucio
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Goethe, poesia e ciência - Ordem Implicada
Raoul Francé - biólogo vienense, nos inícios do século XX
Darwin comparou as radículas vermiformes das plantas, a um cérebro. Poetas e filósofos como Johann Wolfgang Von Goethe e Rudolf Steiner deixaram explicações e conceitos extraordinários a respeito da "Vida Secreta das Plantas". E Carl Von Linné, pioneiro da botânica moderna, declarou que "as plantas só diferem dos bichos e do homem por sua falta de movimento." Nesta sua assertiva Linné foi contestado por Darwin: "As plantas só adquirem e exibem esse poder quando ele apresenta alguma vantagem para elas."
Existe motivação maior para a ecologia exercer os seus conceitos e regras exigindo o respeito da humanidade em relação aos "Seres Verdes da Natureza?" Ao ensino da ecologia nas escolas e universidades sobre aquilo que significa, verdadeiramente, o chamado "Reino Vegetal?"
Goethe, o Poeta e o Reino Vegetal
Goethe, um homem alto e bonito, muito bem quisto no meio feminino também pelo seu gênio poético, passava uma temporada de descanso em Karlsbad quando resolveu-se a trocar seu sucesso já sedimentado na literatura, pelas incursões nas expedições botânicas empreendidas, solitariamente, nos bosques.
Pouco depois, incógnito, dirigiu-se para o sul, na direção dos Alpes, "para deliciar-se com a beleza e a variedade da vegetação sulina, além do Brenner." A Itália iria revelar ao gênio da poesia e o maior poeta da Alemanha, o clímax da sua vida: o verde mistério dos roseirais, das madressilvas e da mais humilde das plantas que habitam o reino dos vegetais.
No jardim botânico da universidade de Pádua, Goethe imantado por uma visão poética, pode compreender a verdadeira natureza das plantas e ganhar o seu importante lugar na "História da Ciência" como precursor da Teoria do desenvolvimento Orgânico de Darwin. Seus pares não o compreenderam na ocasião, o que soe acontecer, mas a geração seguinte o exaltou pelas suas grandes descobertas. Ernst Haeckel, grande biólogo, o comparou a Jean Lamarck "na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwin."
O "jeu de rouages et de ressorts sans vie"
Este "jeu" (jogo) se referia ao instinto classificatório do século 18 e com a teoria da física "que submetia o mundo às cegas leis da mecânica, então triunfante."
Goethe não se submetia a regras e coisas estabelecidas, a sua veia poética não lhe permitia esta aridez, e ele se rebelava contra a divisão arbitrária da ciência em disciplinas rivais. Outro motivo de se desagrado: as contradições existentes entre os sábios acadêmicos.
Goethe sofrera de um mal que o acometera antes de completar 20anos, uma grave infecção na garganta e fora curado por um "rosa-cruz", Johann Friederich Metz e esta cura o incitou a aprender todo o segredo da criação das forças ocultas da natureza. Recorreu a Paracelso, Jakob Boheme, Giordano Bruno, Spinoza e G. Arnold e aos livros de alquimia e misticismo. Descobriu na sua Busca que a mágica e a alquimia eram "bem diversas das obscuras práticas supersticiosas que têm por objeto criar ilusões e malefícios." Segundo o autor do livro "Goethe et L'occultism", Christian Lepinte, Goethe "começou a desejar com toda a sua força destruir os limites de um universo mecanizado, encontrar ciência viva, capaz de lhe revelar o segredo supremo da natureza."
Isto lhe havia sido ensinado lendo Paracelso - "o oculto, por lidar com realidades vivas e não catálogos de mortos, pode chegar mais perto da verdade que a ciência, e que o sábio que desvenda os segredos da natureza não profana necessariamente um santuário proibido, mas pode seguir passo a passo a divindade, como pessoa privilegiada a olhar profundamente no mistério das almas e das forças cósmicas."
Goethe pontificou que não se busque a natureza da planta na sua aparência, o seu mistério encontra-se além listo. Imbuído desta idéia, um pensamento ousado começou a assaltar a sua mente: era possível desenvolver todas as plantas a partir de uma só.
Goethe não se entregava à sua inspiração poética e esta idéia transformou a ciência botânica e toda a concepção do mundo: este foi um dos primórdios da idéia da EVOLUÇÃO!
Sua chave? A metamorfose, que abriria o código da natureza.
A diferença entre os futuros princípios de Darwin e os de Goethe é a seguinte: Darwin presumiria que influências externas (causas mecânicas) agindo sobre a natureza de um organismo o modificariam. Goethe intuía que "as alternativas ímpares eram várias expressões de um organismo arquetípico (uroorganismos) que possuiria em si a capacidade de assumir formas multifárias e que em determinado momento a assumiria aquela que melhor se adequasse às condições de seu meio ambiente."
Goethe expôs as suas idéias em um primeiro ensaio: -"Sobre a metamorfose das plantas", a origem do estudo ma morfologia vegetal, entretanto, por ser muito revolucionário recebeu a negativa do seu editor em publicá-lo. O editor alegou que o cliente era um literato e não um cientista. O mesmo pensaram o seu público e os cientistas, o que muito desgostou o autor. Goethe só conseguiu triunfar sobre a ortodoxia reinante 18anos após o Congresso de Viena e a sua aceitação como genial colaborador da Ciência da Botânica só se deu três décadas adiante. Goethe forneceu outro conhecimento básico a esta ciência: o crescimento da vegetação de dois modos distintos - vertical e espiraladamente - uma década antes de Darwin abordar o mesmo assunto.
"Quando entendermos que o sistema vertical é definitivamente masculino e o espiralado feminino, seremos capazes de conceber o caráter andrógino de toda a vegetação. No decurso da transformação de crescimento, os dois sistemas se separam e tomam rumos opostos para depois reunirem-se a um nível mais alto." Goethe.
A Hipótese GAIA
Na sua velhice Goethe concebeu a terra como sendo viva, um organismo animado como possui um animal e uma planta, dotada de um mesmo ritmo de inspiração e evaporação, constantemente inalando e exalando.
Apesar de considerado na sua época como sendo o maior dentre todos os poetas alemães, esqueceram-no como sendo também dotado de um espírito universal capaz de abarcar todos os domínios da atividade e conhecimento humanos.
A bióloga Lynn Margullis, hoje, defende a "Hipótese Gaia" ou seja, pensa como Goethe pensava.
Suas descobertas na botânica
"Cunhou a palavra MORFOLOGIA formulando o conceito de Morfologia Botânica em vigor até hoje."
Foi precursor de Darwin, faleceu 27 anos antes de Darwin proclamar seu princípio holístico da evolução orgânica. Goethe possuía espírito holístico e era capaz de, com inteiro sucesso, abranger todas as gamas das atividades e do conhecimento. Foi descobridor da origem vulcânica das montanhas, estabeleceu o primeiro sistema de estações metereológicas e expôs uma teoria das cores.
"Não ligo muito para a minha obra de poeta, mas arrogo-me o direito de ter sido o único em meu tempo a compreender a verdadeira natureza da cor."
Goethe foi comparado como sendo "companheiro" de Darwin, pelo biólogo Ernst Haeckel ao lado de Jean Lamarck - "Na origem de todos os grandes filósofos da natureza que primeiro estabeleceram uma teoria do desenvolvimento orgânico, assim se situando como ilustres companheiros de Darwim." Deram o nome "Goethea" a um gênero da planta, homenageando Goethe e a sua contribuição para um conhecimento maior dos "Seus Verdes da Natureza."
Posteriormente, a aparição de Darwin no cenário científico, propiciou o reconhecimento das formulações de Goethe a respeito da "Metamorfose das Plantas."
"Foi de observações similares às de Goethe que Darwin partiu para afirmar sua dúvida sobre a constância das formas externas dos gêneros e espécies... Enquanto Darwin considerou que toda a natureza do organismo se encontrava de fato compreendida nessas características, concluindo, por conseguinte, que nada há de constante na vida da planta, Goethe foi mais longe e inferiu que, sendo inconstante as características, o que há de constante deve ser perseguido em algo que repousa por trás das exterioridades mutáveis." - Rudolf Steiner.
* Ilustração: Claudio Salvio.
Fonte: http://www.jornalinfinito.com.br/series.asp?cod=13
Felicidade? - Thomas Mann
Aquilo a que chamamos felicidade consiste na harmonia e na serenidade, na consciência de uma finalidade, numa orientação positiva, convencida e decidida do espírito, ou seja na paz da alma - Thomas Mann
Fonte: http://www.citador.pt/
Viagem ao espaço começa a ser vendida em SP por US$ 200 mil
A partir desta semana, brasileiros já podem fazer reserva em agência de turismo.
Turismo espacial deve ter início até o fim deste ano nos EUA.
Silvia RibeiroDo G1, em São Paulo

Ilustração mostra a SpaceShipTwo em órbita da Terra (Foto: Divulgação/Virgin Galactic)
Turismo espacial deve ter início até o fim deste ano nos EUA.
Silvia RibeiroDo G1, em São Paulo
Ilustração mostra a SpaceShipTwo em órbita da Terra (Foto: Divulgação/Virgin Galactic)
Saiba mais:
Museu expõe modelo de espaçonave turística
Virgin faz acordo com Nasa para vôo espacial
Turista espacial brasileiro diz quase ter chorado em simulação
A era da viagem espacial comercial finalmente chegou. É o que diz o site da Virgin Galactic, empresa do grupo americano Virgin, que planeja começar a levar passageiros ao espaço até o final deste ano. Pelo menos 300 pessoas já garantiram sua reserva, que pode ser feita pelo site da empresa. Agora, os brasileiros que quiserem se tornar astronautas também já podem garantir a sua vaga em São Paulo.
Veja imagens do interior da nave
Museu expõe modelo de espaçonave turística
Virgin faz acordo com Nasa para vôo espacial
Turista espacial brasileiro diz quase ter chorado em simulação
A era da viagem espacial comercial finalmente chegou. É o que diz o site da Virgin Galactic, empresa do grupo americano Virgin, que planeja começar a levar passageiros ao espaço até o final deste ano. Pelo menos 300 pessoas já garantiram sua reserva, que pode ser feita pelo site da empresa. Agora, os brasileiros que quiserem se tornar astronautas também já podem garantir a sua vaga em São Paulo.
Veja imagens do interior da nave
Uma agência de turismo de São Paulo, devidamente cadastrada pelos desbravadores do turismo espacial, começou a vender as “passagens” nesta semana. O preço é para poucos: US$ 200 mil pelo pacote que inclui viagem, treinamento e preparação para ultrapassar a velocidade do som e permanecer quatro minutos flutuando na nave espacial em gravidade zero. A reserva requer o depósito de um sinal que varia de US$ 20 mil a US$ 200 mil, conforme a proximidade da data escolhida.
Especializada em viagens de luxo, a agência Teresa Perez, de São Paulo, apresentou o projeto a um grupo de clientes nesta semana, e o retorno foi animador. “Todos ficaram muito empolgados e pediram mais informações a respeito”, conta Fernanda França, especialista em produtos especiais da operadora.
Os primeiros grupos devem sair do Deserto do Mojave, na Califórnia, mas um complexo, com aeroporto espacial e hotel de primeira classe, deve ser instalado no estado americano do Novo México. Antes de voar, o passageiro passa por exames médicos e aprende como se comportar em ambiente sem gravidade.
“Eles são ensinados, por exemplo, a manusear as roupas, os capacetes e como se soltar dos cintos. Além disso, terão contato com os pilotos que os levarão para o espaço. Haverá um jantar com a tripulação para que eles (os passageiros) possam tirar dúvidas”, afirma Fernanda França.
3, 2, 1...
Em fase final de testes, a chamada SpaceShip 2 (nave espacial, na tradução do inglês) comporta apenas seis passageiros-astronautas e dois pilotos por viagem.
Ela não é lançada verticalmente, como os foguetes, mas acoplada a uma aeronave que a leva até uma altitude de cerca 15 km, diz a Virgin Galactic. É quando a nave aciona seu motor propulsor para subir verticalmente e alcança velocidade três vezes maior que a do som, segundo explica a especialista da agência de turismo paulistana.
Em 90 segundos, a SpaceShip 2 atinge 110 km de distância do planeta. Pela janela, o passageiro vê a Terra azul e ouve o silêncio absoluto. O motor é desligado e, em ambiente orbital, os novos astronautas podem pairar no espaço por quatro minutos. Ao retornar à atmosfera terrestre, as asas da SpaceShip 2 são reconfiguradas para conduzir os passageiros ao solo, com pouso semelhante ao de uma aeronave. Da decolagem ao pouso, a viagem dura 90 minutos.
De acordo com a operadora de turismo espacial, a tecnologia desenvolvida reduz os riscos na hora da reentrada, permitindo que a nave retorne à atmosfera da Terra em qualquer ângulo e se oriente automaticamente sem qualquer intervenção dos pilotos. Durante a descida, diz a empresa, é necessária apenas uma proteção térmica mínima.
A Virgin Galactic, que planeja inicialmente realizar um vôo por semana e quer alcançar a marca de até dois por dia, afirma que trabalhará para reduzir a tarifa espacial o mais rápido e o quanto possível. Os astronautas em potencial ficam na torcida para que o preço do “tíquete”, um dia, caiba em seus bolsos.
Especializada em viagens de luxo, a agência Teresa Perez, de São Paulo, apresentou o projeto a um grupo de clientes nesta semana, e o retorno foi animador. “Todos ficaram muito empolgados e pediram mais informações a respeito”, conta Fernanda França, especialista em produtos especiais da operadora.
Os primeiros grupos devem sair do Deserto do Mojave, na Califórnia, mas um complexo, com aeroporto espacial e hotel de primeira classe, deve ser instalado no estado americano do Novo México. Antes de voar, o passageiro passa por exames médicos e aprende como se comportar em ambiente sem gravidade.
“Eles são ensinados, por exemplo, a manusear as roupas, os capacetes e como se soltar dos cintos. Além disso, terão contato com os pilotos que os levarão para o espaço. Haverá um jantar com a tripulação para que eles (os passageiros) possam tirar dúvidas”, afirma Fernanda França.
3, 2, 1...
Em fase final de testes, a chamada SpaceShip 2 (nave espacial, na tradução do inglês) comporta apenas seis passageiros-astronautas e dois pilotos por viagem.
Ela não é lançada verticalmente, como os foguetes, mas acoplada a uma aeronave que a leva até uma altitude de cerca 15 km, diz a Virgin Galactic. É quando a nave aciona seu motor propulsor para subir verticalmente e alcança velocidade três vezes maior que a do som, segundo explica a especialista da agência de turismo paulistana.
Em 90 segundos, a SpaceShip 2 atinge 110 km de distância do planeta. Pela janela, o passageiro vê a Terra azul e ouve o silêncio absoluto. O motor é desligado e, em ambiente orbital, os novos astronautas podem pairar no espaço por quatro minutos. Ao retornar à atmosfera terrestre, as asas da SpaceShip 2 são reconfiguradas para conduzir os passageiros ao solo, com pouso semelhante ao de uma aeronave. Da decolagem ao pouso, a viagem dura 90 minutos.
De acordo com a operadora de turismo espacial, a tecnologia desenvolvida reduz os riscos na hora da reentrada, permitindo que a nave retorne à atmosfera da Terra em qualquer ângulo e se oriente automaticamente sem qualquer intervenção dos pilotos. Durante a descida, diz a empresa, é necessária apenas uma proteção térmica mínima.
A Virgin Galactic, que planeja inicialmente realizar um vôo por semana e quer alcançar a marca de até dois por dia, afirma que trabalhará para reduzir a tarifa espacial o mais rápido e o quanto possível. Os astronautas em potencial ficam na torcida para que o preço do “tíquete”, um dia, caiba em seus bolsos.
Pastafarianismo
CARTA ABERTA AO CONSELHO DE EDUCAÇÃO DO KANSAS
A Carta Aberta ao Conselho de Educação do Kansas é representativa para os reivindicações e as ideias de Bobby Henderson e dos oponentes ao design inteligente:
“Estou escrevendo a vocês com muita preocupação, depois de ter lido suas audiências para decidir se a alternativa Teoria do Design Inteligente deveria ser ensinada juntamente com a Teoria da Evolução. Eu acho que todos podemos concordar que é importante para os estudantes escutarem múltiplos pontos de vista para que assim possam escolher por eles mesmos a teoria que faz mais sentido para eles. Estou preocupado, contudo, que os estudantes somente ouçam uma Teoria do Design Inteligente.“Lembremo-nos que existem múltiplas teorias do Design Inteligente. Eu e muitos outros ao redor do mundo temos a forte crença de que o universo foi criado por um Monstro de Espaguete Voador. Foi Ele quem criou tudo o que vemos e tudo o que sentimos. Nós acreditamos fortemente que toda a incontroversa evidência científica do mundo que aponta em direção a um processo evolucionário não é nada além de uma tremenda coincidência, organizada por Ele.E é por essa razão que estou lhes escrevendo hoje, para formalmente requerer que essa teoria alternativa seja ensinada nas suas escolas, juntamente com as outras duas teorias. De fato, eu irei tão longe e direi que, se vocês não concordarem em fazer isso, seremos forçados a processá-los com uma ação legal. Tenho certeza que vocês percebem de onde estamos vindo. Se a Teoria do Design Inteligente não é baseada na fé, mas ao invés disso sendo uma outra teoria científica, assim como alegam, então vocês também devem permitir que nossa teoria seja ensinada, pois também é baseada na ciência, e não na fé.Alguns acham isso difícil de acreditar, então talvez seja proveitoso contar-lhes um pouco mais sobre nossas crenças. Nós temos evidência de que o Monstro de Espaguete Voador criou o universo. Nenhum de nós, claro, estava lá para ver isso, mas temos relatos escritos sobre isso. Nós temos vários extensos volumes explicando todos os detalhes do Seu poder. Também, vocês devem estar surpresos de ouvir que existem 10 milhões de nós, e aumentando. Nós temos a tendência de sermos muito secretos, pois muitas pessoas afirmam que nossas crenças não são substancialmente baseadas por evidência observável. O que essas pessoas não entendem é que Ele construiu o mundo para que pensássemos que a Terra é mais velha do que realmente é. Por exemplo, um cientista pode executar um processo de datação por carbono em um artefato. Ele encontra que aproximadamente 75% do Carbono-14 decaiu por emissão de elétrons para Nitrogênio-14, e infere que este artefato tem aproximadamente 10 000 anos de idade, pois a meia-vida do Carbono-14 é de 5730 anos. Mas o que nossos cientistas não percebem é que toda vez que eles fazem uma medição, o Monstro de Espaguete Voador estará lá mudando os resultados com seu Apêndice Macarrônico. Nós temos vários textos que descrevem detalhadamente como isso é possível e as razões por que Ele faz isso. Obviamente, Ele é invisível e pode passar através de matéria ordinária com facilidade.Tenho certeza que agora vocês entendem o quão importante é que os seus estudantes sejam ensinados sobre essa teoria alternativa. É absolutamente imperativo que eles percebam que evidência observável está no julgamento de um Monstro de Espaguete Voador. Além do mais, é desrespeitoso ensinar nossas crenças sem vestir a Sua roupa escolhida, que claramente é uma completa vestimenta pirata. Não posso medir suficientemente a importância disso, e infelizmente não posso descrever em detalhes o motivo de isso precisar ser feito, pois temo que esta carta já esteja ficando muito longa. A explicação resumida é que Ele fica com raiva se não fizermos assim.Vocês devem estar interessados em saber que o aquecimento global, terremotos, furacões e outros desastres naturais são um efeito direto da diminuição do número de piratas desde o século XIX. Para o seu interesse, incluí um gráfico do número aproximado de piratas versus a média de temperatura global nos últimos 200 anos. Como vocês podem ver, existe uma significativa relação estatística inversa entre piratas e temperatura global.Em conclusão, obrigado por terem tomado o tempo para ouvir nossas visões e crenças. Eu espero que tenha sido capaz de expor a importância de ensinar essa teoria aos nossos estudantes. Nós iremos, com certeza, ser capazes de treinar os professores nessa teoria alternativa. Estou ansiosamente aguardando sua resposta, e espero sinceramente que nenhuma ação legal tenha que ser tomada. Acho que todos podemos olhar para a frente para o tempo em que essas teoria sejam dadas tempo igual na sala de aulas de ciências em todo o país, e eventualmente no mundo. Uma terça parte para Design Inteligente, uma terça parte para Pastafarianismo (ou Monstroísmo Espaguético Voador), e uma terça parte para conjectura lógica baseada em incontroversa evidência observável.Sinceramente, Bobby Henderson, cidadão preocupado.“
terça-feira, 12 de julho de 2011
Barroco e Rococó em Minas Gerais
Fonte: http://barrocoerococoemminasgerais.blogspot.com/p/altares-retabulos-pinturas-esculturas.html
É necessário instalar um programinha de 6MB para visualizar esses slides em 3D.
É necessário instalar um programinha de 6MB para visualizar esses slides em 3D.
Imagens em 360º
Lavabo da Sacristia, Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto, MG
Nártex da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Igreja da Peanha de França, Bichinho, MG
Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Forro do Nártex da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Caeté, MG.
Altar-mor da Matriz de Bom sucesso de Caeté, MG
Forro da Nave da Matriz de Bom Sucesso - Caeté, MG
Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Ouro Preto, MG.
A morte da pecadora, óleo sobre tela.
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG.
Altar-mor da Igreja de Nossa Senhora do Ó, Sabará, MG.
Atlante da Nave da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forró do Nartex da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forro da Capela do Santíssimo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Sabará, MG.
Nártex da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Igreja da Peanha de França, Bichinho, MG
Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Forro do Nártex da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Caeté, MG.
Altar-mor da Matriz de Bom sucesso de Caeté, MG
Forro da Nave da Matriz de Bom Sucesso - Caeté, MG
Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Ouro Preto, MG.
A morte da pecadora, óleo sobre tela.
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG.
A morte do justo, óleo sobre tela.
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG.
Altar-mor da Igreja de Nossa Senhora do Ó, Sabará, MG.
Atlante da Nave da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Fachada da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forró do Nartex da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forró do Altar-mor da
Matriz de Santo Antônio.Santa Bárbara, MG
Novíssimos da Nave da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Sabará, MG
Forro da Capela do Santíssimo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Sabará, MG.
Assinar:
Comentários (Atom)