quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Amor astral

Amor astral

Se eu ousasse a descrever-te
seria assim:
meu amor é astral.

Dessa premissa desdobram-se características
que são como as órbitas que o satélite percorre
ao redor
do astro-mor:
o amor.

Amor à música,
que de tanto querer
não se entrega
a não ser que seja
entrega total,
sem hesitação.

A música é uma oração,
que eleva ao nível dos astros etéreos, nobres.
Ao nível do astro-mor:
o amor.

O amor, por isso, é sempre fim, destino.
Destino que, sempre provisório,
é início
para uma nova viagem.
Das janelas do transporte
o objetivo é sempre
um novo ângulo do astro-mor-destino-fim:
o amor.

Meu amor é mutação.
Vira, revira.
De cabeça pra baixo, barriga pra cima, pra baixo.
As meias nunca tem lugar.
Os livros? Sempre com as meias.
A cabeça não para de girar,
sempre a trabalhar para descobrir
as criações sobre as transmutações mais nobres;
sempre recriar para:
o amor.

Este amor é da terra,
das plantas, dos bichos, oprimidos.
É da caridade natural,
aquele altruísmo devoto à salvação
da ordem natural do que
por essência é natural.
Mesmo que seja talvez supra-natural e metafísico,
o que guia e ordena a sua sensibilidade,
as atitudes para com as quatro patas e o verde é:
o amor.

Este amor é ar,
sempre a viajar de nação em nação.
Viaja na terra, viaja no sonho.
Alcança templos de luz astrais.
Vê passado-presente-futuro em espaços nunca visitados.
Viaja, viaja, viaja.
Quando sai da rota e sente medo pelo visto que
não-deveria-ser-visto-naquele-momento,
se assusta exatamente diante da antítese do:
amor.

Se eu ousasse a descrever-te seria assim:
meu amor é astral.
Dos astros que tem a substância
da terra, do fogo, da água, do ar.

Tu és o amor a buscar a própria consciência.
O amor a se reconhecer.
A aprender e reaprender a amar.
A amar mais.
A amar melhor.

Infinito círculo cíclico:
tu és o amor,
amor por princípio,

amor por fim.

Um comentário: