Dezembro 10, 2009 por Manoela Vianna
Matéria produzida em conjunto com Thaíne Belissa e Alice Maciel para publicação no jornal Hoje em Dia.
A matéria conta como algumas pessoas, mesmo tendo profissões estáveis, se dedicaram à invenções.
Produtos químicos, baldes, áreas de testes. O que parece ser um laboratório é, na verdade, o quintal do motorista Célio Marciano Duarte, de 37 anos. O que era pra ser solução para um problema de vedação resultou, sem querer, em um novo produto: a “borracha anti-chama”. “Eu misturei tudo e virou uma borracha. Tentei derreter e não consegui de jeito nenhum. Não falei ‘eureka’, mas sabia que tinha feito algo com consistência” , conta.
Célio percebeu que aquela mistura poderia se tornar um novo produto comercial. Para confirmar sua teoria, levou a borracha a amigos que, como Célio, não conseguiram derretê-la. A partir daí, com ajuda de um deles, começou comprar produtos químicos variados para testar a resistência da borracha. Alguns meses depois, em 2006, patenteou a borracha anti-chama como seu produto original.
Mais a vontade com substâncias químicas, Célio resolveu testar novas misturas. Inventar era um hobby de finais de semana – hoje se tornou uma rotina. Sete meses atrás tentou confeccionar um objeto decorativo para casa derretendo sacolinhas plásticas com produtos químicos. O resultado foi uma areia muito fina que, misturada com cimento, se tornou uma argamassa. “Para testar, colei uma cerâmica na parede com a argamassa e ficou”, diz.
Depois de mais testes caseiros, Célio conseguiu confeccionar blocos de concreto que, de acordo com ele, são 40% mais baratos que o convencional e possuem a mesma funcionalidade. Ele pesquisou na internet sobre reciclagem e os benefícios para o meio ambiente e concluiu que seria muito útil para construção de casas populares, uma vez que é mais acessível. “A vantagem é que a sacolinha evita o uso da areia, que é tirada dos rios. Você também gasta a sacolinha que iria para o aterro”, explica.
Célio patenteou a descoberta e agora espera conseguir apoio para levar a idéia do “concreto ecológico” para frente. Mesmo tendo a aprovação de amigos que trabalham com construção e realizando testes diários no concreto, ele precisa de um laudo de especialistas comprovando a real resistência do produto. Célio já levou a idéia do concreto a cerca de 20 prefeituras do interior do estado e todas se comprometeram a analisar a proposta. Até hoje não teve resposta.
Mesmo com as dificuldades, Célio ainda está a procura de patrocinadores. Ele montou uma parceria com o amigo Cláudio Luiz de Carvalho, que o ajuda na compra de produtos químicos para mais testes. Juntos eles pretendem alugar um galpão no bairro Independência, região XX da capital, para produzir o concreto ecológico e a borracha anti chama em escala maior e, assim, tirar rentabilidade da criação de Célio. “Foi tudo por acaso, mas hoje eu já busco criar outras coisas. A sensação de inventar é um prazer enorme”, finaliza.
Célio e Cláudio não desistem da invenção mesmo sem patrocinadores
Segundo o Gerente de propriedade intelectual e inovação da Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Ediney Neto Chagas, os inventores que não estão ligados à nenhuma instituição, como Célio, são minoria na procura por patentes em Minas. Mas, de acordo com ele, também levam criações relevantes. “Nós tratamos os inventores independentes da mesma maneira dos que estão ligados à alguma instituição”, afirma.
Ediney ainda acrescenta que uma das características dos inventores é que eles, na maioria das vezes, pensam em produtos de utilidade social. Ele ressalta que o principal critério para patentear essas invenções é a novidade. “O produto e a invenção têm que ser inédita. Através dos bancos de patentes nacionais e internacionais, nós conseguimos saber se o produto é uma novidade”, finaliza.
Révelson de Souza Lima também descobriu que tinha talento para seguir a profissão de inventor. Ele é formado em física, mas não foi só através dos livros, teorias ou experiências em laboratórios que desenvolveu a habilidade de criar. A necessidade do dia-a-dia foi o pontapé para o início de uma nova carreira. Hoje, o físico tem cerca de dez patentes com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
A primeira invenção, em 2004, foi uma tela de aço movida por controle remoto. Ela sobe ou desce até debaixo do piso de acordo com o interesse do proprietário. A idéia surgiu porque Révelson precisou tirar o muro que cercava sua casa para usar o quintal como estacionamento da clínica de terapias alternativas que possuía. Ele precisava de um espaço aberto durante o dia e um cercamento para a residência à noite. Foi assim que surgiu a Tela Flex. “Procurei telas que atendessem minha demanda, mas não achei. Então sentei e desenvolvi”, conta. O produto será comercializado em breve e, segundo Révelson, já despertou interesse em representantes como o diretor do Mineirão que pretende testar a idéia no estádio.
A tela de aço movida por controle remoto é uma das 10 patentes do físico Révelson
No ano seguinte, o físico já patenteava sua segunda invenção: a casinha de cachorro portátil. Mais uma vez, a criação surgiu para solucionar um problema particular. Révelson tinha uma namorada que levava a cadela de estimação para todos os lugares. “Quando a gente ia viajar eu já ficava pensando como iríamos levar a cadela”, lembra. Inspirado nessa experiência o inventor criou o canil portátil desmontável a partir de material reciclável. A casinha é carregada dentro de uma bolsa que facilita o transporte.
A idéia da casinha para cachorro surgiu de uma necessidade
O físico já desenvolveu outras invenções, mas não pode divulgar todas devido a um processo sigiloso de experiência feito por algumas empresas interessadas em seus produtos. Apesar de nenhuma de suas criações serem comercializadas atualmente, Révelson acredita em resultados positivos. “Boas idéias podem gerar bons lucros se houver investimento e apoio como o governo tem feito”, diz. Ele acredita que o Brasil começou a enxergar as patentes como uma iniciativa importante e vê o futuro com otimismo. “A criatividade do brasileiro é muito grande. Com pouquíssimos recursos desenvolvemos coisas que o pessoal do exterior cai o queixo. O Brasil vai ter um grande reconhecimento dos seus produtos lá fora”, afirma.
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Pratinhos de plantas com gaveta para armazenar a água. Parece uma invenção simples, mas foram dez anos para conseguir concluir o projeto que começou quando o restaurador de patrimônio Roberto Luiz de Lima fazia um trabalho no Minas Shopping. Diariamente ele observava a dificuldade das faxineiras para limpar os grandes vasos de cerâmica que enfeitam os corredores do shopping center. Sua ideia inicial era criar uma maneira que facilitasse essa higienização, mas, o que Roberto não imaginava era que sua invenção poderia ser uma saída para ajudar a combater o mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue.
Os pratinhos anti-dengue para vasos de planta, em plástico reciclados, não permitem o acúmulo de água no prato, evitando a desova do mosquito. A vasilha tem um buraco no meio e uma gaveta para onde a água escoa. Essa água acumula as vitaminas das plantas e pode ser reaproveitada para deixar as flores ainda mais vistosas. O recurso desobriga os proprietários de plantas a ficar tomando conta da areia no pratinho, que pode encharcar, gerar pequenas poças de água ou mesmo criar algum cheiro desagradável. Para colocar em ponto de produção e concretizar sua invenção, que virou um sonho, Roberto vendeu sua casa a e a partir dai conseguiu um empréstimo no Banco do Brasil.
A luta atrás de patrocínios começou em 1997, no mesmo ano que Roberto registrou a patente. “Em 97 fui em várias industrias de vasos de plástico para fazer uma parceria, mas sempre falavam que não tinha como investir e que era um problema de saúde pública dos governos”, conta. Para não deixar o projeto parado, o inventor começou a fabricar as vasilhas em concreto, material que estava acostumado a trabalhar. Já as gavetas, fazia em fibra de vidro. Em 2000, passou a produzir o vaso e a gaveta com vidro. Já o prato tinha a idéia de fazer em fibra mas, segundo Roberto, é trabalhoso e caro. Mesmo assim, não parou de estudar uma maneira de fazer um prato em plástico que ficasse fácil para a industria fabricar em tempo mínimo.
Em maio de 2003 saiu a carta patente e com ela, o restaurador voltou a tentar o patrocínio com empresas, mais uma vez em vão. Com o projeto na mão, fez alguns protótipos para saber se realmente ia funcionar. “Levei para um projetista, professor de automação do Senai de Contagem para desenvolver um molde a partir do protótipo que eu tinha fabricado e ele colocou minha idéia em pratica”, afirma.
Roberto mostrou seus pratinhos para vários Secretários de saúde do Brasil. Segundo ele, o Prefeito Márcio Lacerda gostou muito da ideia. Em outubro de 2008 os pratinhos do restaurador foram distribuídos para os participantes do Seminário Internacional sobre a dengue em BH. Os pratinhos anti-dengue ainda não estão no comércio de Belo Horizonte, Roberto os vende em sua loja, na rua Jacuí, região leste de Belo Horizonte.
O restaurador Roberto investiu tudo que podia para bancar sua invencão: os pratinhos anti-dengue
Computador com cheiro
Receber um e-mail com imagens, fotografias ou com algum tipo de som já não é novidade para a maioria das pessoas que utilizam a internet. Mas sentir o cheiro de uma mensagem eletrônica ou de uma foto na rede é um recurso inédito para os brasileiros e um dos temas de pesquisa de Hércules Lima. Há 12 anos, ele estuda formas de explorar o olfato como uma maneira de interação com os meios de comunicação.
Hércules é técnico em edificações pelo Cefet e trabalhou na Companhia Vale do Rio Doce até 2006. Ele conta que a idéia da pesquisa surgiu da vontade que tinha em inventar um produto inovador. “Criar algo que não existe no mercado é um grande desafio e eu gosto de desafios”, diz. Ao observar os meios de comunicação, ele percebeu que eram utilizados muitos recursos que demandavam os sentidos da visão e da audição, mas o olfato não era explorado.
Foi a partir disso que ele criou seu primeiro produto, um aparelho com 256 cartuchos de diferentes fragrâncias. Hércules desenvolveu um programa de computador para reconhecer, através de códigos, os variados tipos de cheiros contidos no aparelho. Ao selecionar o código de determinada fragrância, o programa aciona o aparelho que elimina o cheiro escolhido. E é através desses códigos e desse aparelho que é possível enviar um e-mail perfumado ou vincular um odor a uma imagem. “Você pode transmitir emoções através cheiro”, afirma.
O inventor explica que criou o aparelho de forma independente através de pesquisas na internet, leitura de manuais de eletrônica e revistas especializadas. Segundo ele, o produto, que hoje é grande e sem forma comercial, é apenas um protótipo, mas a intenção é que a peça seja colocada dentro dos computadores. Apesar do otimismo, Hércules ainda esbarra no obstáculo do patrocínio de empresas que queiram investir no novo projeto.
Ainda se utilizando dos recursos ligados ao olfato, Hércules desenvolveu outros dois projetos. Um deles é um odorizador de automóveis. Trata-se de um pequeno aparelho que é ligado ao isqueiro automático do carro e que possui várias opções de fragrâncias que são eliminadas por uma espécie de mini-ventilador alocada dentro do aparelho. “Você pode escolher o cheiro e não precisa ficar comprando aqueles potinhos que só têm uma opção de perfume”, defende.
A outra invenção é um recipiente prático para perfumes. O pequeno dispositivo tem até sete mini-compartimentos onde podem ser colocados diferentes tipos de fragrâncias. Mas a criação não serve para guardar perfume, mas para exalar o cheiro escolhido sem que a pessoa precise passar no corpo. Por isso o recipiente é afixado em um chaveiro para que possa ser colocado no cinto ou na bolsa. Hércules explica que esse é um método mais higiênico de se usar perfume, pois evita o contato do produto com a pele. Ele lembra que é também uma descoberta interessante para os alérgicos.
O inventor já patenteou todas as invenções e firmou um contrato de divulgação com a Agência Nacional dos Inventores, mas ainda não conseguiu investimento de nenhuma empresa. Hércules conta que a única criação que lhe deu algum retorno financeiro foi o recipiente de perfumes vendido para alguns amigos. Apesar das dificuldades, ele está satisfeito com a profissão de inventor e pretende continuar pesquisando novos produtos. “A sensação de criar é maravilhosa. É a mesma sensação de um pintor que faz uma obra prima”, diz.
Escorredor de arroz
Lavar e escorrer arroz faz parte da rotina de muitas casas brasileiras na hora do almoço. Mas muita gente não sabe que quem inventou o escorredor de arroz é brasileira, mora em São Paulo e é dentista. “A empregada tinha um trabalhão para lavar o arroz na bacia e depois escorrer na peneira. Foi ai que eu tive a idéia”, conta Therezinha Beatriz Zorowich, que no ano de 1959 patenteou a idéia que até hoje não caiu em desuso.
Beatriz contou com ajuda do marido, que é engenheiro, para criar o primeiro escorredor de arroz. Com papel alumínio e duas tigelas, eles conseguiram montar o utensílio que ainda estava em fase de testes. Depois de alguns contatos, a idéia ganhou patrocinadores. “Eu tinha um primo que era secretário da indústria na época e foi ele quem me apresentou para o dono da indústria Troll”, explica. Depois de apresentar a idéia à três lojas de conveniência e ganhar a aprovação de todas, a indústria começou a produzir e vender o produto que não demorou para ganhar espaço no mercado.
Depois de 20 anos, a patente caiu em domínio público. “Na época foi como se eu tivesse três salários: o meu, do meu marido e do escorredor de arroz”, brinca. Depois da primeira invenção, Beatriz ganhou confiança e já montou cerca de doze produtos para casa. Entre panos de chão mais práticos e abridores garrafas pet, a dentista pensa sempre em soluções práticas para facilitar a vida de quem tem que limpar, lavar e cozinhar. Ela garante que sua nova invenção, uma jarra para sucos que não derrama ao servir, vai trazer uma economia de R$200 para uma família de três pessoas. “Se fazer suco se torna mais prático e rápido, as pessoas vão evitar comprá-los prontos”, afirma.
Mesmo com o sucesso de sua primeira invenção, Beatriz afirma que ainda há empecilhos. “A dificuldade que eu tenho para meus produtos é achar quem quer fabricá-los e distribuí-los. E eu ainda tenho pouco tempo para correr atrás”, diz. Para ela, o que falta no Brasil é empresários que valorizem o inventor do dia-a-dia. “É difícil depender da boa vontade das indústrias”, reclama. Mesmo assim, Beatriz confirma que tem muita satisfação em inventar. “Outro dia um colégio aqui de São Paulo colocou minha foto em um livro didático, junto com o escorredor de arroz. Isso me dá muita satisfação, é muito gostoso”, finaliza.
Fotos: Manoela dos Santos
Fonte: http://manoelasantos.wordpress.com/2009/12/10/inventores-da-vida-comum/
Computador com cheiro
Receber um e-mail com imagens, fotografias ou com algum tipo de som já não é novidade para a maioria das pessoas que utilizam a internet. Mas sentir o cheiro de uma mensagem eletrônica ou de uma foto na rede é um recurso inédito para os brasileiros e um dos temas de pesquisa de Hércules Lima. Há 12 anos, ele estuda formas de explorar o olfato como uma maneira de interação com os meios de comunicação.
Hércules é técnico em edificações pelo Cefet e trabalhou na Companhia Vale do Rio Doce até 2006. Ele conta que a idéia da pesquisa surgiu da vontade que tinha em inventar um produto inovador. “Criar algo que não existe no mercado é um grande desafio e eu gosto de desafios”, diz. Ao observar os meios de comunicação, ele percebeu que eram utilizados muitos recursos que demandavam os sentidos da visão e da audição, mas o olfato não era explorado.
Foi a partir disso que ele criou seu primeiro produto, um aparelho com 256 cartuchos de diferentes fragrâncias. Hércules desenvolveu um programa de computador para reconhecer, através de códigos, os variados tipos de cheiros contidos no aparelho. Ao selecionar o código de determinada fragrância, o programa aciona o aparelho que elimina o cheiro escolhido. E é através desses códigos e desse aparelho que é possível enviar um e-mail perfumado ou vincular um odor a uma imagem. “Você pode transmitir emoções através cheiro”, afirma.
O inventor explica que criou o aparelho de forma independente através de pesquisas na internet, leitura de manuais de eletrônica e revistas especializadas. Segundo ele, o produto, que hoje é grande e sem forma comercial, é apenas um protótipo, mas a intenção é que a peça seja colocada dentro dos computadores. Apesar do otimismo, Hércules ainda esbarra no obstáculo do patrocínio de empresas que queiram investir no novo projeto.
Ainda se utilizando dos recursos ligados ao olfato, Hércules desenvolveu outros dois projetos. Um deles é um odorizador de automóveis. Trata-se de um pequeno aparelho que é ligado ao isqueiro automático do carro e que possui várias opções de fragrâncias que são eliminadas por uma espécie de mini-ventilador alocada dentro do aparelho. “Você pode escolher o cheiro e não precisa ficar comprando aqueles potinhos que só têm uma opção de perfume”, defende.
A outra invenção é um recipiente prático para perfumes. O pequeno dispositivo tem até sete mini-compartimentos onde podem ser colocados diferentes tipos de fragrâncias. Mas a criação não serve para guardar perfume, mas para exalar o cheiro escolhido sem que a pessoa precise passar no corpo. Por isso o recipiente é afixado em um chaveiro para que possa ser colocado no cinto ou na bolsa. Hércules explica que esse é um método mais higiênico de se usar perfume, pois evita o contato do produto com a pele. Ele lembra que é também uma descoberta interessante para os alérgicos.
O inventor já patenteou todas as invenções e firmou um contrato de divulgação com a Agência Nacional dos Inventores, mas ainda não conseguiu investimento de nenhuma empresa. Hércules conta que a única criação que lhe deu algum retorno financeiro foi o recipiente de perfumes vendido para alguns amigos. Apesar das dificuldades, ele está satisfeito com a profissão de inventor e pretende continuar pesquisando novos produtos. “A sensação de criar é maravilhosa. É a mesma sensação de um pintor que faz uma obra prima”, diz.
Escorredor de arroz
Lavar e escorrer arroz faz parte da rotina de muitas casas brasileiras na hora do almoço. Mas muita gente não sabe que quem inventou o escorredor de arroz é brasileira, mora em São Paulo e é dentista. “A empregada tinha um trabalhão para lavar o arroz na bacia e depois escorrer na peneira. Foi ai que eu tive a idéia”, conta Therezinha Beatriz Zorowich, que no ano de 1959 patenteou a idéia que até hoje não caiu em desuso.
Beatriz contou com ajuda do marido, que é engenheiro, para criar o primeiro escorredor de arroz. Com papel alumínio e duas tigelas, eles conseguiram montar o utensílio que ainda estava em fase de testes. Depois de alguns contatos, a idéia ganhou patrocinadores. “Eu tinha um primo que era secretário da indústria na época e foi ele quem me apresentou para o dono da indústria Troll”, explica. Depois de apresentar a idéia à três lojas de conveniência e ganhar a aprovação de todas, a indústria começou a produzir e vender o produto que não demorou para ganhar espaço no mercado.
Depois de 20 anos, a patente caiu em domínio público. “Na época foi como se eu tivesse três salários: o meu, do meu marido e do escorredor de arroz”, brinca. Depois da primeira invenção, Beatriz ganhou confiança e já montou cerca de doze produtos para casa. Entre panos de chão mais práticos e abridores garrafas pet, a dentista pensa sempre em soluções práticas para facilitar a vida de quem tem que limpar, lavar e cozinhar. Ela garante que sua nova invenção, uma jarra para sucos que não derrama ao servir, vai trazer uma economia de R$200 para uma família de três pessoas. “Se fazer suco se torna mais prático e rápido, as pessoas vão evitar comprá-los prontos”, afirma.
Mesmo com o sucesso de sua primeira invenção, Beatriz afirma que ainda há empecilhos. “A dificuldade que eu tenho para meus produtos é achar quem quer fabricá-los e distribuí-los. E eu ainda tenho pouco tempo para correr atrás”, diz. Para ela, o que falta no Brasil é empresários que valorizem o inventor do dia-a-dia. “É difícil depender da boa vontade das indústrias”, reclama. Mesmo assim, Beatriz confirma que tem muita satisfação em inventar. “Outro dia um colégio aqui de São Paulo colocou minha foto em um livro didático, junto com o escorredor de arroz. Isso me dá muita satisfação, é muito gostoso”, finaliza.
Fotos: Manoela dos Santos
Fonte: http://manoelasantos.wordpress.com/2009/12/10/inventores-da-vida-comum/
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