Tradição Ocidental Materialista. Somos amontoados de partículas, mas abaixo das partículas... não sei... mas deve ser material também (?). Deve ser material, ainda que eu saiba que atualmente só 4% do universo seja explicável com minha ciência. O Big Bang. Antes? Não sei... Ah não sei... Deve ser material também. Mas ó. Tem outros universos, com outras leis científicas diferentes das do nosso universo, mas elas só funcionam lá, aqui é material, os outros não. Mas é comprovado? Não, é uma reflexão que faço com minha cabeça fruto de um amontoado de partículas materiais que pensa que outros universos são também materiais com outras leis que o governam (lei não é uma metáfora advinda da sociedade humana? a natureza poderia ter suas recorrências ordenadas em umas "lei" como categoria de pensamento humano-social? Qual nome a natureza poderia se autoreferir para falar sobre seu funcionamento? Manoel de Barros? Oi? Opa, ser humano é natureza, mas pq projetar mais eu na natureza do que a natureza em mim?). Se há outros universos hipoteticamente, qual garantia que eles sejam materiais? E se eles se unificam com nosso universo, qual é a lei científica materialista que seria capaz de assegurar tal conectividade com universos regulados por outras leis. Se há unificação, qual lei não-materialista aplicada a outros universos que tem conectividade com nosso universo? Propor uma unificação não é algo meio monoteísta? Como um princípio uno que governo tudo? Mas não é pretensão demais dizer com base em 4% de 01 universo observável, sem falar dos outros trilhões existentes? Se a natureza é um amontoado de partículas e eu sou capaz de perceber isso eu tenho direito de manipulá-la de acordo com as necessidades humanas? Quais são as necessidades humanas? São materialistas, tipo, dinheiro? Então natureza materializada pode ser usada para fins materiais? E quando um amontoado de partículas pensa em possibilidades não materiais? O pensar é material? E pensar no não-material é material? E se o pensar não-material, no cérebro material, não querer o uso da natureza com fins materiais, pq não vê ela somente material? E se esse sugerir que não use a natureza de modo material e for ridicularizado por aquele que vê a natureza como material, e que conhece suas leis, e conhece até as leis desconhecidas? Conhece o desconhecido? E se a atitude diante do desconhecido for uma atitude sem a expectativa de que ele seja capaz de ser abarcado pelo meu pensamento? E se diante do desconhecido eu pensar que ele cabe na minha ciência, na minha religião? E se eu materializar o desconhecido antes de saber se ele é material, justamente por ser mistério? E se o desconhecido é índio, e se sua ciência não for material? Materializo o desconhecido para me relacionar com ele? Materializando-o alcanço seu ser? Materializando o desconhecido, o universo desconhecido, alcanço sua essência? Essência não é uma ideia humana? A natureza deve e tem que ter essência? Essência material não é ambíguo? Ciência, material, natureza e índio não são linguagem? A linguagem abarca o todo? A poesia? E se eu me relacionar com o mistério sem conceitos pré estabelecidos, esperando que ele me mostre o que é, mesmo que não seja material? E se pensar no desconhecido é me relacionar com ele, posso concebê-lo como habitando em mim? E se eu for feito dos meus mistérios profundos? E se o amor for mistério para mim? E se eu não for feito de partículas, mas de amor?
...é perturbar a cultura e desconstruir a lei, é matéria da arte e ciência do espírito...
Mostrando postagens com marcador arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arte. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 2 de junho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2011
Barroco e Rococó em Minas Gerais
Fonte: http://barrocoerococoemminasgerais.blogspot.com/p/altares-retabulos-pinturas-esculturas.html
É necessário instalar um programinha de 6MB para visualizar esses slides em 3D.
É necessário instalar um programinha de 6MB para visualizar esses slides em 3D.
Imagens em 360º
Lavabo da Sacristia, Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto, MG
Nártex da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Igreja da Peanha de França, Bichinho, MG
Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Forro do Nártex da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Caeté, MG.
Altar-mor da Matriz de Bom sucesso de Caeté, MG
Forro da Nave da Matriz de Bom Sucesso - Caeté, MG
Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Ouro Preto, MG.
A morte da pecadora, óleo sobre tela.
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG.
Altar-mor da Igreja de Nossa Senhora do Ó, Sabará, MG.
Atlante da Nave da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forró do Nartex da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forro da Capela do Santíssimo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Sabará, MG.
Nártex da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Igreja da Peanha de França, Bichinho, MG
Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto, MG
Forro do Nártex da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Caeté, MG.
Altar-mor da Matriz de Bom sucesso de Caeté, MG
Forro da Nave da Matriz de Bom Sucesso - Caeté, MG
Fachada da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Ouro Preto, MG.
A morte da pecadora, óleo sobre tela.
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG.
A morte do justo, óleo sobre tela.
Museu da Inconfidência, Ouro Preto, MG.
Altar-mor da Igreja de Nossa Senhora do Ó, Sabará, MG.
Atlante da Nave da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Fachada da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forró do Nartex da Matriz de Nossa Senhora do Carmo de Sabará, MG
Forró do Altar-mor da
Matriz de Santo Antônio.Santa Bárbara, MG
Novíssimos da Nave da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Sabará, MG
Forro da Capela do Santíssimo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Sabará, MG.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Brilho da alma - Gov´t Mule
When you can't find the light,
That got you through the cloudy days,
When the stars ain't shinin' bright,
You feel like you've lost you're way,
When those candle lights of home,
Burn so very far away,
Well you got to let your soulshine,
Just like my daddy used to say.
He used to say soulshine,
It's better than sunshine,
It's better than moonshine,
Damn sure better than rain.
Hey now people don't mind,
We all get this way sometimes,
Got to let your soul shine,
Shine till the break of day.
I grew up thinkin' that I had it made,
Gonna make it on my own.
Life can take the strongest man,
Make him feel so alone.
Now and then I feel a cold wind,
Blowin' through my achin' bones,
I think back to what my daddy said,
He said "Boy, in the darkness before the dawn"
Let your soulshine,
It's better than sunshine,
It's better than moonshine,
Damn sure better than rain.
Yeah now people don't mind,
We all get this way sometimes,
Gotta' let your soul shine,
Shine till the break of day.
Sometimes a man can feel this emptiness,
Like a woman has robbed him of his very soul.
A woman too, God knows, she can feel like this.
And when your world seems cold,
You got to let your spirit take control.
Let your soulshine,
It's better than sunshine,
It's better than moonshine,
Damn sure better than rain.
Lord now people don't mind,
We all get this way sometimes,
Gotta' let your soul shine,
Shine till the break of day.
Brilho da Alma
Quando você não consegue achar a luz
Que você obteve nos dias nublados
Quando as estrelas não estão brilhando
Você se sente perdido, você se sente assim
Quando as velas das luzes da casa
Queimam muito distante
Bem, você tem que deixar o brilho da sua alma
Assim como meu pai costumava dizer
Ele costumava dizer: Brilho da alma
É melhor do que o brilho do sol
É melhor do que o brilho da lua
Maldição, com certeza é melhor do que a chuva
Hey, agora as pessoas não se importam
Todos nos começamos assim, as vezes
Deixe sua alma brilhar
Brilhar até o dia se romper
Eu cresci pensando que tinha feito isso
Eu vou Fazer isso sozinho
A vida pode lever o homem mais forte
Pode fazer ele se sentir muito sozinho
Agora e então eu sinto um vento frio
Soprando através dos meus ossos doloridos
E eu volto a pensar no que meu pai disse
E ele disse: Garoto, na escuridão antes de amanhecer
Deixe o brilho da sua alma
É melhor do que o brilho do sol
É melhor do que o brilho da lua
Maldição, com certeza é melhor do que a chuva
Hey, agora as pessoas não se importam
As vezes todos nos começamos assim
Deixe sua alma brilhar
Brilhar até o dia se romper
As vezes um homem pode sentir esse vazio
Como se uma mulher tivesse lhe roubado a sua própria alma
Uma mulher também, Deus sabe, ela pode se sentir assim
E quando o seu mundo parecer frio
Você tem que deixar seu espírito assumir o controle
Deixe surgir o brilho da sua alma
É melhor do que o brilho do sol
É melhor do que o brilho da lua
Maldição, com certeza é melhor do que a chuva
Hey, agora as pessoas não se importam
As vezes todos nos começamos assim
Deixa a sua alma brilhar
Brilhar até o dia se romper
domingo, 19 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Experimentos de arte contemporânea
Experimentos discutem questões da arte contemporânea
Grupo Poéticas Digitais utiliza recursos e interfaces tecnológicas na produção de obras de arte
Agência USP
A utilização de recursos e interfaces tecnológicas para a divulgação de produções artísticas não é novidade nos dias de hoje. Porém, no que se refere à produção das obras, ainda se verifica um baixo uso destas ferramentas. No Departamento de Artes Plásticas (CAP) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, um grupo de pesquisadores se dedica ao estudo e à experimentação com esse novo tipo de trabalho.
O Grupo Poéticas Digitais, como o núcleo é conhecido, é formado por professores, artistas e alunos da graduação e da pós-graduação, que realizam, através de suas mais diversas competências, diferentes trabalhos experimentais. Constituído por pessoas de diversos campos da arte, o grupo foi criado a partir de um antigo projeto, o wAwRwT, iniciado em 1995, quando a internet e os primeiros navegadores começaram a ficar mais acessíveis ao grande público.
Segundo Gilbertto Prado, professor do CAP e coordenador do grupo, a ideia de formar a equipe surgiu da possibilidade de trabalhar esse novo espaço que nasceu com a internet, sob o ponto de vista da arte. Uma vez que vivemos rodeados por variados equipamentos e que adotamos a cultura da tecnologia, o interesse do grupo é descobrir como todo esse maquinário e novas interfaces podem ser pensados do ponto de vista artístico. "A nossa grande questão é como podemos trabalhar essa relação da arte e tecnologia na contemporaneidade", afirma o professor.
Outra preocupação que permeia os estudos do grupo é a necessidade de experimentação. A busca por novas linguagens e diferentes diálogos se renova a cada projeto. "O que nos interessa é como nós vamos buscar e articular esse nosso olhar de leitura do mundo", diz Prado. Além disso, explica que o objetivo do Poéticas Digitais é trabalhar com experimentações artísticas, acompanhadas de reflexão, e da contextualização dos projetos no campo da arte contemporânea.
Desde 2002, quando o Poéticas Digitais foi oficialmente constituído, o grupo já realizou projetos com os temas mais diversos. Para Gilbertto Prado, entre os trabalhos produzidos um que se destacou foi o "Acaso 30", uma instalação interativa em memória aos mortos de uma chacina que aconteceu em 2005 em Queimados, município da Baixada Fluminense.
Projetos
A obra foi a primeira grande experiência do grupo, que até então só havia realizado trabalhos de menor escala. Consistia em diversos sensores sob um tapete em espaço aberto, onde imagens de corpos nus eram projetadas e reagiam à presença dos visitantes. De acordo com o professor, o projeto faz uma crítica ao sentimento de indiferença em relação ao outro, ao qual estamos nos habituando. "As chacinas se repetem, a gente vai assistindo corpos jogados e nem percebe, nem dá mais atenção", afirma Glbertto Prado.
Outros projetos são um videogame baseado em texto de Oswald de Andrade (Cozinheiro das Almas, 2006), videopoemas (Incógnito, 2007), web-instalações com tubos de led azul (Pedralumen, 2008) e leds infravermelho (Desluz, 2009). Para cada um desses projetos interdisciplinares, o grupo propunha uma discussão: a relação espaço-tempo, a questão do conhecimento e percepção de interfaces, a noção de interatividade, a discussão do visível e invisível, paisagens e mobilidades contemporâneas, entre outros.
O trabalho mais recente foi o "Amoreiras", de 2010. Nessa obra, cinco amoreiras foram colocadas na Avenida Paulista, em frente ao Instituto Itaú Cultural, como parte da quinta edição Bienal de arte e tecnologia da exposição "Emoção Art.ficial". As árvores eram ligadas a pequenos dispositivos mecânicos conectados a placas arduíno (próteses poéticas), que eram acionadas de acordo com as variações dos níveis sonoros do ambiente. Dessa forma, cada amoreira "respondia", a partir dos estímulos sonoros captados e dos movimento das outras amoreiras. "Era um trabalho que discutia a questão de autonomia e aprendizado artificial, natureza e meio ambiente".
Assim como os textos que refletem sobre os trabalhos artísticos, o grupo Poéticas Digitais mantém, ao mesmo tempo, um intenso contato com outros grupos de pesquisa do Brasil e do exterior. Entre as principais instituições, as que mais dialogam com o grupo são a Universidade Paris VIII, na França, a Universidade de Valência, na Espanha, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/0/experimentos-discutem-questoes-da-arte-contemporanea-207236-1.asp
domingo, 29 de maio de 2011
Ouvir estrelas - Olavo Bilac
* Ofereço esse post para Verônica-linda (www.flickr.com/photos/olhardave/)
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac
quarta-feira, 25 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
Poesia, teatro e ciência - Fernando Arrabal
"A ciência não mudou. Não houve nenhuma evolução ou progresso na arte ou na ciência."
"A imaginação é a arte de combinar lembranças."
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Peixada - Brecht e Bruegel
Fiz esses dias um treinamento de teatralidade na mediação museal com a artista plástica e arte-educadora Mirele Brant, lemos esse texto e analisamos essa imagem, achei muito bacana a intertextualidade.
Se os Tubarões Fossem Homens
Bertold Brecht
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos.
Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar,
para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais,
quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada
e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho
ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não
moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles
dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os
tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos
aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo
a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente
por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam
ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um
peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando
esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos
que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo
os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista,
egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles
manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de
conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas
pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos
e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os
peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas,
sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra
matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado
com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte,
haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas
cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio,
nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam
como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra
na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos
pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos
tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem
homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles
obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho
maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões,
pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar.
E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos
para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de
caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar,
se os tubarões fossem homens.
Os peixes grandes comem os peixes pequenos - Bruegel
Se os Tubarões Fossem Homens
Bertold Brecht
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos.
Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar,
para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais,
quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada
e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho
ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não
moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles
dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os
tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos
aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo
a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente
por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam
ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um
peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando
esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos
que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo
os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista,
egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles
manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de
conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas
pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos
e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os
peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas,
sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra
matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado
com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte,
haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas
cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio,
nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam
como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra
na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos
pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos
tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem
homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles
obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho
maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões,
pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar.
E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos
para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de
caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar,
se os tubarões fossem homens.
domingo, 1 de maio de 2011
Je vous salue, Sarajevo - Godard
Vi esse vídeo na "29ª Bienal de Arte de SP - Obras selecionadas" no Palácio das Artes. Tem uma passagem que não saiu da minha cabeça: "Há a cultura, que é a regra. Há a exceção, que é a arte."
"De certa forma, o medo é a filha de Deus. Redimida na noite de Sexta-feira Santa. Ela não é bela... e é enganada, maldita e desapropriada de todo. Mas não nos enganemos. O medo vela pela agonia de toda a humanidade, o medo intercede pelo Homem.Para isso há uma regra e uma excepção.A cultura é a regra e a arte é a excepção. Todos falam da regra: os cigarros, o computador, as camisas, a TV, Turismo, guerra. Ninguém fala da excepção. Não é falado. Está escrito: Flaubert, Dostoyevski. Está composto: Gershwin, Mozart. Está pintado: Cézanne, Vermeer. Está filmado: Antonioni, Vigo. Ou é vivido, e ali está a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo.A regra deseja a morte da excepção. Assim é a regra da cultura europeia..., está a organizar a morte da arte de viver que se mantém florescente.Quando chegar a hora de fechar o livro, não sentirei nenhum pesar. Vi tanta gente morrer tão mal e tantos viver tão bem."
"De certa forma, o medo é a filha de Deus. Redimida na noite de Sexta-feira Santa. Ela não é bela... e é enganada, maldita e desapropriada de todo. Mas não nos enganemos. O medo vela pela agonia de toda a humanidade, o medo intercede pelo Homem.Para isso há uma regra e uma excepção.A cultura é a regra e a arte é a excepção. Todos falam da regra: os cigarros, o computador, as camisas, a TV, Turismo, guerra. Ninguém fala da excepção. Não é falado. Está escrito: Flaubert, Dostoyevski. Está composto: Gershwin, Mozart. Está pintado: Cézanne, Vermeer. Está filmado: Antonioni, Vigo. Ou é vivido, e ali está a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo.A regra deseja a morte da excepção. Assim é a regra da cultura europeia..., está a organizar a morte da arte de viver que se mantém florescente.Quando chegar a hora de fechar o livro, não sentirei nenhum pesar. Vi tanta gente morrer tão mal e tantos viver tão bem."
Arte e Ciência - Suas ligações simbólicas.
Dá (quase) na mesma
Publicado em 01/09/2010
Em vídeo on-line, físico dá aula vibrante sobre a história das artes plásticas no início do século 20.

'A noite estrelada', famoso quadro de Van Gogh. Holandês como o pintor, o físico brincou com a plateia dizendo que apenas uma pessoa ali sabia pronunciar 'Van Gogh' corretamente.
Os aspectos que aproximam e opõem ciência e arte já renderam muita discussão, no Brasil e no mundo. A tendência maior para os teóricos, cientistas e artistas tem sido apontar a ligação simbiótica de ambas. E, pensando bem, já era nessa direção que apontava o cientista/artista multiuso Leonardo Da Vinci (1452-1519) na Itália do século 15.
Por isso, o maior mérito de Walter Lewin, físico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é pular essa polarização dos dois campos. Em palestra publicada em vídeo há algumas semanas na página da instituição (boa dica da Cristina Campos), ele conta sobre sua paixão por arte (em especial, as plásticas) e começa a falar do período que mais lhe agrada – o primeiro quarto do século 20.
Sem explicar muito por que exatamente está dissertando sobre aquele período e qual é a relação desse intervalo com a história da ciência, Lewin desanda a mostrar quadroscubistas, impressionistas,expressionistas etc.
Os pintores com quem gasta mais tempo são o espanhol Pablo Picasso (1881-1973), o francês Henri Matisse (1869-1954) e o russo Wassily Kandinsky (1866-1944). "Pelo pioneirismo dos três", reflete.
Na verdade, a repetição por dezenas de vezes da palavra "pioneirismo" durante sua hora e meia de apresentação é a única pista que o físico dá de como irá associar arte à ciência.
No mais, ele mostra o seu vasto conhecimento sobre aquele período da arte. Situa-o no tempo, explica por que, à época, determinados quadros não foram valorizados (e hoje são), discorre sobre o ineditismo de várias obras. E faz tudo isso com carisma e humor notáveis. Uma aula sobre a vanguarda das artes plásticas do início do século 20.
No fim da palestra ele dá a chave para entender seu raciocínio. "O pioneirismo une a busca artística do início do século 20 à ciência, que sempre tenta a novidade. Nesse período, na arte, não era mais a questão do belo. A beleza não era importante, o importante era fazer o que nunca ninguém tinha feito".
Mas haveria uma diferença: "Na ciência, pode-se estar certo ou errado. Na arte, não existe certo ou errado", conclui Lewin, de modo simples e, não por isso, menos verdadeiro.
Publicado em 01/09/2010
Em vídeo on-line, físico dá aula vibrante sobre a história das artes plásticas no início do século 20.
'A noite estrelada', famoso quadro de Van Gogh. Holandês como o pintor, o físico brincou com a plateia dizendo que apenas uma pessoa ali sabia pronunciar 'Van Gogh' corretamente.
Os aspectos que aproximam e opõem ciência e arte já renderam muita discussão, no Brasil e no mundo. A tendência maior para os teóricos, cientistas e artistas tem sido apontar a ligação simbiótica de ambas. E, pensando bem, já era nessa direção que apontava o cientista/artista multiuso Leonardo Da Vinci (1452-1519) na Itália do século 15.
Por isso, o maior mérito de Walter Lewin, físico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é pular essa polarização dos dois campos. Em palestra publicada em vídeo há algumas semanas na página da instituição (boa dica da Cristina Campos), ele conta sobre sua paixão por arte (em especial, as plásticas) e começa a falar do período que mais lhe agrada – o primeiro quarto do século 20.
Sem explicar muito por que exatamente está dissertando sobre aquele período e qual é a relação desse intervalo com a história da ciência, Lewin desanda a mostrar quadroscubistas, impressionistas,expressionistas etc.
'Moscow I', tela do pintor russo Wassily Kandinsky – um dos pioneiros (palavra importante) do abstracionismo.
Os pintores com quem gasta mais tempo são o espanhol Pablo Picasso (1881-1973), o francês Henri Matisse (1869-1954) e o russo Wassily Kandinsky (1866-1944). "Pelo pioneirismo dos três", reflete.
Na verdade, a repetição por dezenas de vezes da palavra "pioneirismo" durante sua hora e meia de apresentação é a única pista que o físico dá de como irá associar arte à ciência.
No mais, ele mostra o seu vasto conhecimento sobre aquele período da arte. Situa-o no tempo, explica por que, à época, determinados quadros não foram valorizados (e hoje são), discorre sobre o ineditismo de várias obras. E faz tudo isso com carisma e humor notáveis. Uma aula sobre a vanguarda das artes plásticas do início do século 20.
No fim da palestra ele dá a chave para entender seu raciocínio. "O pioneirismo une a busca artística do início do século 20 à ciência, que sempre tenta a novidade. Nesse período, na arte, não era mais a questão do belo. A beleza não era importante, o importante era fazer o que nunca ninguém tinha feito".
Mas haveria uma diferença: "Na ciência, pode-se estar certo ou errado. Na arte, não existe certo ou errado", conclui Lewin, de modo simples e, não por isso, menos verdadeiro.
Assista (em inglês) à palestra do físico Walter Lewin
Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/da-quase-na-mesma/view
Assista (em inglês) à palestra do físico Walter Lewin
Ciência Hoje On-line
Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/da-quase-na-mesma/view
Vácuo - Rogério Skylab
Excelente interpretação desse músico que literalmente desconstrói! Acho que não deve existir melhor música sobre o "vácuo". Fica a dica!
Vácuo
Parece Vasco, mas é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
Sem a força da gravidade, a gente flutua no vácuo
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
Embalado a vácuo eu continuo
Palavra estranha
Duas vogais se encontrando no vácuo
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
As vezes eu me confundo
Eu não entendo
Esvazia tudo...
E eu fico tonto
Qual o seu signo?
Vácuo
O que você vai ser quando crescer?
Vácuo
Do nosso amor o que sobrou?
Vácuo
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
Um cu no meio do vácuo
Você não entende?
É o vácuo!
Um buraco no meio e um vazio dentro
Parece Vasco, mas é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
(Rogério Skylab)
(Rogério Skylab)
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Relatividade - Escher
Relativity, 1953 lithograph
image: 28 x 29.1 cm (11 x 11 7/16 in.) sheet: 39.1 x 40.6 cm (15 3/8 x 16 in.)
Other World (Another World), 1947
wood engraving and woodcut in black, medium brown, and green, printed from three blocks
image: 31.9 x 26 cm (12 9/16 x 10 1/4 in.) sheet: 34.8 x 30.4 cm (13 11/16 x 11 15/16 in.)
HOUSE OF STAIRS, lithograph, 1951, 47 x 24 cm
HIGH AND LOW lithograph, 1947, 50.5 x 20.5 cm
Waterfall, 1961 lithograph
image: 38.1 x 29.9 cm (15 x 11 3/4 in.) sheet: 49.7 x 40.9 cm (19 9/16 x 16 1/8 in.)
A dialética, a evolução e o infinito - Escher
Encounter 1944 Lithograph
Development 1 1937 woodcut
Predestination 1951 Lithograph
Swans 1956 wood engraving
Development II, 1939 first version, woodcut
Fish and Frogs 1949 wood engraving
Metamorphosis III 1967-1968
printed from 33 blocks on 6 combined sheets
woodcut, second state, in red, green and reddish-brown,
Metamorphosis II 1940 woodcut in black, green and brown, printed from 20 blocks on 3 combined sheets
Smaller and Smaller 1956 wood engraving and woodcut in black and brown, printed from 4 blocks
Spirals 1953 wood engraving in black and grey, printed from 2 blocks
Spher Spirals 1958 woodcut in grey, black, yellow and pink, printed from 4 blocks
Moebius Strip II 1963 woodcut in red, black and grey-green, printed from 3 blocks
Fonte: http://www.mcescher.com/
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Urobório - Escaravelho (Minha banda!)
Primeira postagem sobre minha banda, a Escaravelho!
O nome dessa música é Urobório, que é o nome do símbolo representado por uma cobra que come a própria cauda:
A letra dessa música foi escrita pelo batera da Escaravelho Rafael Saraiva (Piu) e o nome foi dado pelo guitarrista e compositor-mestre da banda (rs!) Tiago Silva:
O nome dessa música é Urobório, que é o nome do símbolo representado por uma cobra que come a própria cauda:
A letra dessa música foi escrita pelo batera da Escaravelho Rafael Saraiva (Piu) e o nome foi dado pelo guitarrista e compositor-mestre da banda (rs!) Tiago Silva:
Urobório
O ideal seria se do topo do mundo
Avistássemos algo ainda mais alto
Não quero estar no topo nem também acima dele
Quem não sabe que além do topo vem o vale, quem não sabe?
Faça valer que eu topo
Além do vale tudo topo e tudo vale
Quem não sabe que além do topo vem o vale, quem não sabe?
Faça valer que eu topo
Além do vale tudo topo e tudo vale
(Rafael Saraiva)
Movimento universal da vida: o "passo peregrino".
‘O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.’ (Guimarães Rosa)
O "passo peregrino" é aquele do eterno retorno, um passo pra trás e dois passos pra frente. É o movimento do vai-e-vem das ondas do mar e o das batidas do coração, diástole e sístole. É a lógica do Ying-yang!
Essa passagem foi citada pela nossa presidenta na cerimônia de sua posse. Achei incrível, mas não sabia que era do Guimarães Rosa, pois a unica referência do autor que ela fez foi algo do tipo: "como disse o poeta da minha terra"... Daí hoje, por acaso, recebi um e-mail que tinha a mesma citação, e veio a confirmar que só podia ser desse grande artista. Estou a preparar o espírito para ler 'O Grande Sertão Veredas', vou esperar pelo momento certo, pois acho que o caminho se faz ao caminhar, no passo peregrino...
O "passo peregrino" é aquele do eterno retorno, um passo pra trás e dois passos pra frente. É o movimento do vai-e-vem das ondas do mar e o das batidas do coração, diástole e sístole. É a lógica do Ying-yang!
Essa passagem foi citada pela nossa presidenta na cerimônia de sua posse. Achei incrível, mas não sabia que era do Guimarães Rosa, pois a unica referência do autor que ela fez foi algo do tipo: "como disse o poeta da minha terra"... Daí hoje, por acaso, recebi um e-mail que tinha a mesma citação, e veio a confirmar que só podia ser desse grande artista. Estou a preparar o espírito para ler 'O Grande Sertão Veredas', vou esperar pelo momento certo, pois acho que o caminho se faz ao caminhar, no passo peregrino...
Assinar:
Postagens (Atom)









































