segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sobre a paciência - Santo Agostinho

"Pois, não é certo que assim como todos os que sabem são partícipes da ciência, assim todos os que sofrem sejam partícipes da paciência; mas [os] que retamente utilizam seu sofrimento, estes são louvados pela verdadeira paciência, estes serão coroados com a dádiva da paciência."

"(...) compense as dores presentes, por maiores que elas sejam, com o lucro inestimável da incorrupção futura"

"A paciência é companheira da sapiência, não escrava da concupiscência; a paciência é amiga da boa consciência, não adversária da inocência."

"Se esperamos o que não vemos, pela paciência o esperamos"

domingo, 29 de maio de 2011

Confusão sistemática - Salvador Dali

"É preciso provocar sistematicamente confusão. Isso promove a criatividade. Tudo aquilo que é contraditório gera vida." (Salvador Dali)

* Me recomendado pela sensível, amável e encantadora Verônica (www.flickr.com/photos/olhardave/)

Ouvir estrelas - Olavo Bilac

* Ofereço esse post para Verônica-linda (www.flickr.com/photos/olhardave/)

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olavo Bilac

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A explicação de quase tudo!

Arte inutilitária - Oscar Wild

"Toda a arte é completamente inútil."

Oscar Wilde no prefácio de “O Retrato de Dorian Gray”.


* Postei isso, mas não feitas as devidas referências... Quem me indicou essa citação foi o Pedrão (http://www.facebook.com/profile.php?id=100001363583242), meu colega de sala, que teve a coragem de colocá-la num trabalho de História da Arte. Tão ousado e original quanto suas fotos nas redes sociais!


Abraço Pedro!



O sono da razão produz monstros - Francisco Goya

terça-feira, 10 de maio de 2011

17º Encontro Regional de Ensino de Astronomia / MG

Enfrentamento poético - Ernesto Guevara

“Eu penso que escrever é uma maneira de enfrentar problemas concretos e uma posição assumida por sensibilidade diante da vida.”

(1959, Ernesto Guevara de La Serna, em carta a Valentina González Bravo).

Mutações no estilo de pensamento - Ludwik Fleck

Fleck redescoberto

O pensamento epistemológico do médico Ludwik Fleck, autor que influenciou pensadores como Thomas Kuhn e Bruno Latour, ganha visibilidade no Brasil com a tradução de sua obra e a constituição de uma rede acadêmica para estudar seu legado.

Por: Desireé Antônio
Publicado em 15/11/2010 | Atualizado em 05/04/2011





O médico Ludwik Fleck no laboratório: a contribuição do pensador polonês para a história e a filosofia da ciência foi tema de colóquio em Belo Horizonte (foto: Ludwik Fleck Zentrum).
O polonês Ludwik Fleck (1896-1961) não foi sociólogo, historiador ou filósofo – era médico. A despeito disso, seu pensamento influenciou intelectuais de todas essas áreas, dentre eles, nomes de peso como o físico e historiador das ciências norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996) e o filósofo e antropólogo francês Bruno Latour (1947-).
Kuhn reconhece que o ensaio Gênese e desenvolvimento de um fato científico, escrito por Fleck em 1935, antecipa muitas de suas próprias ideias, como conta no prefácio deA estrutura das revoluções científicas, um dos livros mais influentes dos estudos de história e filosofia da ciência. A menção de Kuhn a Fleck fez com que o nome do polonês ganhasse projeção e despertasse o interesse de pesquisadores nos Estados Unidos e no resto do mundo.




Agora, leitores brasileiros poderão ter acesso às ideias do médico com o lançamento da tradução em português da obra. A edição foi lançada durante o Colóquio de História e Filosofia da Ciência: Ludwik Fleck, evento promovido em setembro pelo grupo de teoria e história da ciência e da técnica Scientia & Technica, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Na obra, lançada originalmente na Suíça, Fleck discute como se dá a produção do conhecimento e como são formados os fatos científicos. Para o pensador polonês, eventos da esfera da ciência como o surgimento de uma nova doença ou de uma bactéria não são realidades dadas e prontas para serem descobertas, mas construções de uma comunidade específica, que compartilha uma certa forma de pensar e perceber os fenômenos que investiga.

“O pensamento de Fleck é tão rico porque ele tinha uma forma muito própria de filosofar; era um cientista tentando compreender o que estava fazendo”, diz o linguista Johannes Ferh, diretor do Ludwik Fleck Zentrum, em Zurique, na Suíça, local onde se encontra o acervo do polonês. Os arquivos – em alemão – podem ser acessados pela página do centro.
Estilo de pensamento

O modo peculiar de Fleck de pensar e enxergar seu objeto de estudo é o que ele chama de “estilo de pensamento”. Já o grupo que se organiza em torno de um mesmo estilo – como uma equipe de cientistas que tenta compreender os mecanismos de evolução do vírus HIV, por exemplo – constitui um “coletivo de pensamento”.

Cada um desses profissionais participa também de muitos outros coletivos de pensamentos. Ao transitarem entre eles, eles promovem fluxos de ideias e conceitos e geram transformações mútuas desses estilos.

Fleck encarava a ciência como uma atividade coletiva, que implica debates e divergências e não é consensual

Gradativamente, esse movimento leva à alteração dos estilos de pensamento e, por conseguinte, da forma de se tratar um problema científico, como ocorreu com a passagem da física clássica newtoniana para a física moderna einsteiniana.

Os dois conceitos são centrais para entender a maneira pela qual Fleck encarava a ciência: uma atividade coletiva, que implica debates e divergências, não é consensual e apresenta respostas provisórias, sempre.

“Estilo de pensamento” e “coletivo de pensamento” são apenas algumas das expressões que Fleck cunhou para expressar suas ideias, inovadoras para a época. Para dar conta do desafio de vertê-las para o português, o tradutor Georg Otte, professor do curso de Letras da UFMG conta ter feito uma extensa pesquisa, para contrastar o texto do ensaio com os poucos artigos do médico sobre teoria da ciência.


Ludwik Fleck e colaboradores em foto tirada provavelmente durante o período em que o pesquisador passou em Lublin, no leste da Polônia, entre 1946 e 1952 (foto: / Ludwik Fleck Zentrum).
Novo fôlego

De acordo com Mauro Condé, organizador do colóquio e professor do Departamento de História da UFMG, o interesse pelo pensamento de Fleck tem ganhado novo fôlego na Europa e no Brasil nos últimos 20 anos.

“Professores que tiveram contato com a obra do médico através de outros autores foram orientando alunos, formando um grupo que utiliza seus conceitos em análises”, conta o historiador. A redescoberta de Fleck foi desencadeada pela publicação em 1979 da edição em inglês do livro que acaba de sair no Brasil.

Fleck via a sucessão de modelos teóricos hegemônicos como as mutações dos seres vivos

Condé acredita que a teoria do polonês seja mais adequada para pensar questões ligadas à atividade cientifica, com uma abordagem mais complexa.

“Uma das sofisticações que o pensamento de Fleck apresenta, em comparação ao de outros estudiosos, como Thomas Kuhn, por exemplo, é essa ideia de que não há uma ruptura radical entre dois modelos teóricos, mas sim uma continuidade com mudanças, como uma mutação em um ser vivo”, explica.

A fim de intensificar a relação entre os pesquisadores do cientista no país, durante o colóquio foi lançada a Rede Fleck Brasil, que reunirá acadêmicos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “O propósito é ampliar o nosso trabalho, trocando artigos, teses e estreitando o contato com outros interessados na obra do Fleck, inclusive na Europa”.
O historiador da ciência Mauro Condé (UFMG) fala da importância de se estudar a obra de Fleck hoje:


Uma questão vital

Fleck cresceu num ambiente multicultural: Lwów, a cidade em que nasceu, em 1896, tinha sua identidade formada pela fusão das culturas polonesa, austríaca e alemã, o que contribuiu para que ele conhecesse pensamentos de outras áreas, como a filosofia e a psicologia, especialmente a Escola da Gestalt, e os unisse ao analisar sua atividade. “Para Fleck, entender seu papel como cientista e como cidadão era uma questão de vida e não apenas profissional”, avalia o lingüista Johannes Ferh.

A microbiologia, talvez o principal interesse do pensador polonês, responde pela maior parte de sua produção bibliográfica – foram mais de 170 artigos, publicados em periódicos da área a partir de 1927. Já a produção sobre teoria da ciência, um número bem menor de escritos, está disponível na internet, em inglês.

Fleck publicou mais de 170 artigos na área de microbiologia a partir de 1927

Episódios da vida pessoal do médico também afetaram o andamento e o reconhecimento de sua obra: judeu, Fleck foi preso no gueto de sua cidade, em 1941 e, mais tarde, enviado, junto com sua mulher e seu filho para os campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, e de Buchenwald, na Alemanha. Durante a prisão, foi obrigado a trabalhar no desenvolvimento de vacinas contra o tifo, doença que causava muitas mortes entre as tropas alemãs.

Libertado em 1945, com a saúde bastante debilitada, Fleck permanece na Europa até 1956, quando parte para Israel, onde morava seu filho desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com um câncer nos linfonodos diagnosticado em 1956, morre em 1961, devido a um infarto.


Gênese e desenvolvimento de um fato científico - Ludwik Fleck (tradução: Georg Otte e Mariana Camilo de Oliveira) Belo Horizonte, 2010, Fabrefactum - 205 páginas – R$ 40,00 Tel: (31) 2515 2277

Desireé Antônio

Especial para a CH On-line

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/pchae/alo-professor/noticias/2010/11/fleck-redescoberto

domingo, 8 de maio de 2011

Poesia, teatro e ciência - Fernando Arrabal

"A ciência não mudou. Não houve nenhuma evolução ou progresso na arte ou na ciência."

"A imaginação é a arte de combinar lembranças."

sábado, 7 de maio de 2011

Por uma arte engajada - Jesús Díaz

Maio de 1966.

Manifesto “Nos pronunciamos” - Jesús Díaz

"No pretendemos hacer poesía a la Revolución. Queremos hacer poesía de, desde, por la Revolución. Una literatura revolucionaria no puede ser apologética. Existen, existirán siempre, conflictos sociales: una literatura revolucionaria tiene que enfrentar esos conflictos. No renunciamos a los llamados temas no sociales. El amor, el conflicto del hombre con la muerte, son circunstancias que afectan a todos, como es íntimo, personal, el auténtico fervor revolucionario. …Nos pronunciamos por la integración del habla cubana a la poesía… Rechazamos la mala poesía, que trata de justificarse con denotaciones revolucionarias, repetidora de fórmulas pobres y gastadas: el poeta es un creador o no es nada. Rechazamos la mala poesía que trata de ampararse en palabras ‘poéticas’, que se impregna de una metafísica de segunda mano para situar el hombre fuera de sus circunstancias: la poesía es un testimonio terrible y alegre y triste y esperanzado de nuestra permanencia en el mundo, con los hombres, entre los hombres, por los hombres, o no es nada."

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Peixada - Brecht e Bruegel

Fiz esses dias um treinamento de teatralidade na mediação museal com a artista plástica e arte-educadora Mirele Brant, lemos esse texto e analisamos essa imagem, achei muito bacana a intertextualidade.

Os peixes grandes comem os peixes pequenos - Bruegel



Se os Tubarões Fossem Homens
Bertold Brecht


Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos.

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar,

para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais,

quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada

e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho

ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não

moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles

dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os

tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos

aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo

a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente

por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam

ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um

peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando

esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos

que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo

os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista,

egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles

manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de

conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas

pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos

e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os

peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas,

sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra

matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado

com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.


Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte,

haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas

cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio,

nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam

como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra

na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos

pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.


Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos

tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem

homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles

obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho

maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões,

pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar.

E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos

para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de

caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar,

se os tubarões fossem homens.

domingo, 1 de maio de 2011

Je vous salue, Sarajevo - Godard

Vi esse vídeo na "29ª Bienal de Arte de SP - Obras selecionadas" no Palácio das Artes. Tem uma passagem que não saiu da minha cabeça: "Há a cultura, que é a regra. Há a exceção, que é a arte."





"De certa forma, o medo é a filha de Deus. Redimida na noite de Sexta-feira Santa. Ela não é bela... e é enganada, maldita e desapropriada de todo. Mas não nos enganemos. O medo vela pela agonia de toda a humanidade, o medo intercede pelo Homem.Para isso há uma regra e uma excepção.A cultura é a regra e a arte é a excepção. Todos falam da regra: os cigarros, o computador, as camisas, a TV, Turismo, guerra. Ninguém fala da excepção. Não é falado. Está escrito: Flaubert, Dostoyevski. Está composto: Gershwin, Mozart. Está pintado: Cézanne, Vermeer. Está filmado: Antonioni, Vigo. Ou é vivido, e ali está a arte de viver: Srebenica, Mostar, Sarajevo.A regra deseja a morte da excepção. Assim é a regra da cultura europeia..., está a organizar a morte da arte de viver que se mantém florescente.Quando chegar a hora de fechar o livro, não sentirei nenhum pesar. Vi tanta gente morrer tão mal e tantos viver tão bem."

Direto do livro de citações de Beth Parreiras

A arte é feita para perturbar, a ciência tranquiliza. George Braque

Existe algo mais importante do que a lógica: é a imaginação. Hitchcock

Essas citações me foram sugeridas por Beth Parreiras, nossa professora de história moderna e contemporânea lá na PUC-MG. A Beth é o paradigma de muitos estudantes e professores lá da faculdade. É incrível a sua capacidade de sintetizar em palavras tão simples grandes metáforas e abstrações que podem render um doutorado. Só quem a conhece pra saber.


Arte e Ciência - Suas ligações simbólicas.

Dá (quase) na mesma
Publicado em 01/09/2010

Em vídeo on-line, físico dá aula vibrante sobre a história das artes plásticas no início do século 20.


'A noite estrelada', famoso quadro de Van Gogh. Holandês como o pintor, o físico brincou com a plateia dizendo que apenas uma pessoa ali sabia pronunciar 'Van Gogh' corretamente.


Os aspectos que aproximam e opõem ciência e arte já renderam muita discussão, no Brasil e no mundo. A tendência maior para os teóricos, cientistas e artistas tem sido apontar a ligação simbiótica de ambas. E, pensando bem, já era nessa direção que apontava o cientista/artista multiuso Leonardo Da Vinci (1452-1519) na Itália do século 15.

Por isso, o maior mérito de Walter Lewin, físico do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), é pular essa polarização dos dois campos. Em palestra publicada em vídeo há algumas semanas na página da instituição (boa dica da Cristina Campos), ele conta sobre sua paixão por arte (em especial, as plásticas) e começa a falar do período que mais lhe agrada – o primeiro quarto do século 20.

Sem explicar muito por que exatamente está dissertando sobre aquele período e qual é a relação desse intervalo com a história da ciência, Lewin desanda a mostrar quadroscubistas, impressionistas,expressionistas etc. 

'Moscow I', tela do pintor russo Wassily Kandinsky – um dos pioneiros (palavra importante) do abstracionismo.

Os pintores com quem gasta mais tempo são o espanhol Pablo Picasso (1881-1973), o francês Henri Matisse (1869-1954) e o russo Wassily Kandinsky (1866-1944). "Pelo pioneirismo dos três", reflete.

Na verdade, a repetição por dezenas de vezes da palavra "pioneirismo" durante sua hora e meia de apresentação é a única pista que o físico dá de como irá associar arte à ciência.

No mais, ele mostra o seu vasto conhecimento sobre aquele período da arte. Situa-o no tempo, explica por que, à época, determinados quadros não foram valorizados (e hoje são), discorre sobre o ineditismo de várias obras. E faz tudo isso com carisma e humor notáveis. Uma aula sobre a vanguarda das artes plásticas do início do século 20.

No fim da palestra ele dá a chave para entender seu raciocínio. "O pioneirismo une a busca artística do início do século 20 à ciência, que sempre tenta a novidade. Nesse período, na arte, não era mais a questão do belo. A beleza não era importante, o importante era fazer o que nunca ninguém tinha feito".

Mas haveria uma diferença: "Na ciência, pode-se estar certo ou errado. Na arte, não existe certo ou errado", conclui Lewin, de modo simples e, não por isso, menos verdadeiro.
Assista (em inglês) à palestra do físico Walter Lewin

Assista (em inglês) à palestra do físico Walter Lewin


Thiago Camelo
Ciência Hoje On-line

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/da-quase-na-mesma/view

Vácuo - Rogério Skylab

Excelente interpretação desse músico que literalmente desconstrói! Acho que não deve existir melhor música sobre o "vácuo". Fica a dica!


Vácuo
Parece Vasco, mas é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro

Sem a força da gravidade, a gente flutua no vácuo

E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
Embalado a vácuo eu continuo

Palavra estranha
Duas vogais se encontrando no vácuo
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro

As vezes eu me confundo
Eu não entendo
Esvazia tudo...
E eu fico tonto

Qual o seu signo?
Vácuo
O que você vai ser quando crescer?
Vácuo
Do nosso amor o que sobrou?
Vácuo
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro

Um cu no meio do vácuo
Você não entende?
É o vácuo!
Um buraco no meio e um vazio dentro

Parece Vasco, mas é o vácuo
Um buraco no meio e um vazio dentro
(Rogério Skylab)

Preferência do brasileiro: Menos futebol, mais ciência?

Uma enquete realizada pelo MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) levantou um dado curioso: os brasileiros dizem gostar mais de ciência e tecnologia do que de esportes.


A pesquisa foi feita em todo ao país, com diferentes classes econômicas, faixas etárias, sexo e outras variáveis. Do total de 2.016 respondentes, 65% disseram que se interessam ou se interessam muito por “ciência e tecnologia” (bem mais do que os 41% da mesmo pesquisa realizada em 2006), enquanto 62% tiveram a mesma resposta para o tema “esportes”.

Isso é possível no país do futebol?

Sim. Explico: ciência e tecnologia são temas que agradam muita gente, mesmo que boa parte das pessoas não entenda do tema.

A pesquisa do MCT viu, por exemplo, que só 12% das pessoas conseguem dizer o nome de um cientista ou 18% dizem o nome de uma instituição de pesquisa (como uma universidade). Esse número certamente seria muito diferente caso a pergunta fosse sobre o nome de um time ou de um jogador de futebol. Ou seja: as pessoas não conhecem a ciência brasileira, como conhecem esportes. Mas gostam dela.

Alguns especialistas dizem que, nesse tipo de pesquisa, muita gente quer agradar o entrevistador e, por isso, acaba respondendo mais o que soa “bonito” do que o que a pessoa realmente pensa. Exemplo disso é Bogotá, a capital iberoamericana com maior índice de interesse revelado em ciência e tecnologia. Lá,  89% dos respondentes revelaram se interessar ou se interessar muito pelo tema.

Outra hipótese é que o tema “ciência” seja simpático às pessoas. Mesmo sem entender, mesmo sem ir a museus de ciência (talvez porque não tenha nenhum por perto), as pessoas gostam de saber sobre ciência. E prestam atenção quando o tema aparece na mídia – especialmente na TV. 

Já o tema “esportes”, que é definitivamente uma paixão nacional, pode não ter um interesse tão generalizado. Isso porque as pessoas mais velhas e também mulheres se dizem menos interessadas pelo assunto. E aí a porcentagem geral cai.

Mas, independente da discussão de quem ganha na briga esportes X ciência, a pesquisa do MCT levantou outro dado bacana: 46% das pessoas se dizem satisfeitas com o conteúdo de ciência veiculado nos jornais. E de quem está insatisfeito, 74% reclama que existe pouca ciência na imprensa.

Se esse estudo for um termômetro real da nova sociedade brasileira – com mais com acesso à educação e a condições melhores de vida – talvez esse seja um sinal de que a ciência ainda deve ganhar mais espaço no Brasil nos próximos anos. E isso será lindo.
Escrito por Sabine Righetti às 14h46

Brasileiro se interessa mais por ciência, mas desconhece instituições de pesquisa

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

Não é só por bola de futebol que o brasileiro se interessa, mas também por pipetas e microscópios. Pelo menos é isso o que sinaliza uma pesquisa do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).
De acordo com os dados, o brasileiro está mais interessado em ciência e tecnologia do que estava em 2006 e o interesse declarado (ou seja, o que a pessoa afirma ter) já supera até o tema "esportes".
No entanto, apenas 12% dos entrevistados conseguem citar o nome de um cientista brasileiro e só 18% sabem mencionar de cabeça uma instituição científica.
Quem consegue nomear está na parte mais rica da população. "Isso mostra que o Brasil ainda é uma país extremamente desigual", analisa o físico Ildeu de Castro Moreira, coordenador do trabalho.
E os cientistas mais citados são Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. "Praticamente ninguém menciona cientistas sociais, sendo que o Brasil têm nomes importantíssimos como Paulo Freire e Gilberto Freyre", completa.
A pesquisa consultou 2.016 brasileiros com objetivo de investigar as atitudes e percepções dos brasileiros sobre a ciência e tecnologia. O trabalho dá continuidade a uma investigação similar realizada em 2006.



RESULTADOS
A amostra foi desenhada de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de modo que os resultados possam ser projetados para o que o brasileiro "médio" pensa sobre vários temas.
O nível de interesse em ciência e tecnologia aumentou significativamente desde 2006. O número de interessados ou muito interessados no tema subiu de 41% para 65% dos respondentes.
Em ambiente, o interesse disparou de 58% para 83% no mesmo período --empatando com o gosto por medicina e saúde.
Para o coordenador do trabalho, o resultado condiz com o momento atual de preocupações ambientais no mundo e no Brasil- especialmente na Amazônia.

FUTEBOL E CIÊNCIA
Outro dado que chama atenção é que o tema "ciência" tem quase o mesmo nível de interesse declarado (65%) que esportes (62%).
"As pessoas, no geral, estão mais interessadas em todos os assuntos. No caso da ciência, isso reflete o momento positivo da situação econômica do país e a ampliação do acesso a espaços e atividades científico-culturais", explica Moreira.
Apesar do interesse científico declarado de boa parte dos entrevistados, 92% dos consultados revelaram que não frequentam museus de ciência (37% dos quais sob a justificativa de que eles não existem na sua região).
Mesmo baixo, o número de visitantes dobrou desde 2006, passando de 4% para pouco mais de 8%.
Entre as pessoas com ensino superior completo, no entanto, o índice de visitação sobe para 14% dos respondentes- e se aproxima dos índices europeus, que é 18%.

MAIS CONFIANÇA
Outro dado que muda de acordo com a escolaridade e classe econômica do entrevistado é o índice de confiança em determinados profissionais como fonte de informação --com exceção de médicos, que são "confiáveis" para todas as classes.
Entre os mais pobres, a confiança nos religiosos é maior do que nos cientistas. Já nas classes com mais recursos e formação, os campeões são os cientistas de instituições públicas. Quem faz ciência em instituições privadas parece ter uma certa descrença do entrevistado.
Em relação à ciência brasileira, a opinião geral é que ela vai bem. A avaliação sobre a posição da ciência do Brasil no mundo tem se tornado cada vez mais positiva.
Para metade dos brasileiros consultados, ela está hoje em uma posição intermediária.
Mas, novamente, o resultado muda conforme a condição econômica: pessoas de classes menos favorecidas têm, em geral, uma posição mais otimista em relação à ciência brasileira.
Em outras palavras, quanto menor o nível econômico do entrevistado, mais ele declara achar que a ciência nacional é bastante avançada.

Fonte: Folha de São Paulo