Mostrando postagens com marcador voz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador voz. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Saude e qualidade vocal do professor - Maria Aparecida Stier

Atualmente, a alteração vocal do professor recebe o nome de “Transtorno Vocal Ocupacional”. Recentes pesquisas mostram que fatores como demanda vocal, ruído de fundo, acústica pobre da sala, distância interfalantes, qualidade do ar, doenças respiratórias associadas à resistência vocal baixa e à técnica pobre contribuem para o aparecimento de lesões nas pregas vocais e rouquidão.

O mau uso da voz e a comunicação inadequada, além de comprometer o conteúdo didático do professor, podem afastá-lo das atividades em sala de aula. A prevenção é o remédio para aulas sem a qualidade desejada, para os gastos com remuneração de professores afastados por ordem médica e prejuízos com indenizações trabalhistas.

Desde 1997 venho realizando na rede municipal de ensino de Curitiba o Programa Saúde e Qualidade Vocal dos Professores, em que são realizadas aulas teóricas sobre o mecanismo vocal, cuidados e uso profissional da voz e treinamentos de técnicas de aquecimento e desaquecimento vocal. A prevenção tem como fundamento a conscientização da correta utilização da voz em sala de aula e melhora da comunicação por meio da utilização de elementos da prosódia como modulação da freqüência e da intensidade, entonações, ritmo e pausa. Até o momento, mais de 6.800 professores já foram treinados e cerca de 30% deles necessitam de tratamento de voz.

A prevenção e o avanço na qualidade da voz do professor capacitam o profissional nos seguintes aspectos:
  • quanto ao conhecimento e cuidado da própria voz;
  • reduzem o fonotrauma em sala de aula;
  • melhoram a qualidade da voz pessoal e da voz profissional;
  • garantem um ganho na comunicação em sala de aula.
Dar condições ao professor de prevenir alterações vocais é uma forma de melhorar a qualidade de vida.

Alguns cuidados que ajudam a manter uma boa voz:

  • Não fumar.
  • Beber em média dois litros de água por dia.
  • Enquanto estiver falando, manter boa postura corporal.
  • Evitar bebidas geladas. Quando for beber algum líquido gelado, manter os primeiros goles por alguns segundos na boca antes de ingeri-los.
  • O consumo de bebidas alcoólicas, balas e pastilhas de menta funcionam como anestésicos e mascaram a dor do esforço vocal.
  • Em ambientes com ruídos de alta intensidade deve-se procurar articular bem as palavras evitando assim o aumento do tom da voz.
  • Em ambientes com ar condicionado, hidrate-se!



Fonte: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=1092

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Refluxo Gastroesofágico e a Voz - Patrícia Maia

(Fonte: BEHLAU, M. Voz: o livro do especialista v.2. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.)

A doença do refluxo gastroesofágico é um transtorno crônico e está relacionada ao retorno do material gástrico para o esôfago, afetando estruturas relativamente próximas do esôfago como boca, faringe, laringe e até pulmões. O paciente com doença do refluxo gastroesofágico típica apresenta dor epigástrica, azia e pirose (queimação e ardência no estômago e esôfago).
Quando não há comprovação de que as alterações na vias aerodigestivas sejam decorrentes da doença do refluxo, utiliza-se, de modo alternativo, o termo síndrome laringo-faríngea do refluxo pois nesta situação há uma série de sintomas laringofaríngeos ( rouquidão, pigarro, tosse crônica, halitose, garganta irritada) além de sinais observados no exame da laringe (edema, espessamento ou hiperemia (vermelhidão) na região posterior da laringe) que são frequentemente, mas não exclusivamente, associados à doença do refluxo. Tais pacientes não apresentam pirose (queimação).
É muito importante que o fonoaudiólogo ( e também o professor de canto) conheça este tipo de alteração. Muitas vezes uma rouquidão persistente pode não ter nada a ver com a conduta vocal do indivíduo sendo portanto, de extrema importância o exame da laringe feito com o médico otorrinolaringologista.
Se este paciente for um cantor ou ator profissional, essas alterações vocais decorrentes do refluxo irão atrapalhar demais sua performance vocal. Algumas estratégias (citadas abaixo) podem ser utilizadas a fim de controlar o problema e algumas medicações podem auxiliar mas devem ser prescritas pelo médico.

ESTRATÉGIAS PARA CONTROLAR O REFLUXO GASTROESOFÁGICO

1- NÃO COMER NA CAMA ANTES DE DORMIR

2- NÃO DEITAR ANTES DE 3 HORAS APÓS AS REFEIÇÕES

3- NÃO COMER NO MEIO DA NOITE, EVITANDO PARTICULARMENTE CHOCOLATES

4- COMER PORÇÕES PEQUENAS

5- REDUZIR ALIJMENTOS GORDUROSOS, CONDIMENTADOS E FRITURAS

6- EVITAR EXCESSO DE QUEIJOS, LEITE E DEVIVADOS

7- EVITAR ALCOOL PRINCIPALMNETE A NOITE

8- EVITAR EXCESSO DE PRODUTOS COM CAFEÍNA

9- EVITAR BEBIBAS GASOSAS, ESPECIALMENTE AS DIETÉTICAS

10- EVITAR CONSUMO DE SUCOS CÍTRICOS (LARANJA, ACEROLA, ABACAXI, TANGERINA, LIMÃO)

11- EVITAR INGESTÃO EXCESSIVA DE TOMATES, MOLHO DE TOMATE E CEBOLAS

12- EVITAR CHOCOLATES E ACHOCOLATADOS LÍQUIDOS

13- EVITAR BALAS EM GERAL, CHICLETES E USO HABITUAL DE ASPIRINA

14- FRACIONAR A ALIMENTAÇÃO DIÁRIA EM DIVERSAS REFEIÇÕES

15- ELEVAR A CABECEIRA DA CAMA EM 15 cm

16- NÃO USAR ROUPAS APERTADAS NA CINTURA E TÓRAX

17- REDUZIR O PESO, SE NECESSÁRIO

18- CONTROLAR O ESTRESSE

19- DEIXAR DE FUMAR POIS O FUMO FAVORECE O REFLUXO

20- CONTROLAR A COORDENAÇÃO FONODEGLUTITÓRIA

Por Patrícia Maia (cantora / fonoaudióloga / professora de canto)