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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Comunicar - François Arago

"Aquele que não comunica aos outros o que conhece parece com a murta do deserto, cujo perfume se perde para todos... Até o último dia então serei interamente da ciência e dos meus semelhantes." François Arago.

Recomendado por Antonio Rosa Campos ( http://skyandobservers.blogspot.com/ )

A História que está na moda: divulgação científica, ensino de História e internet

Keila Grinberg, professora de história da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), discute divulgação científica, ensino de história e internet em artigo exclusivo para o Café História

Por Keila Grinberg
O advento da internet trouxe novas questões para a produção do conhecimento. Já chamada de “o quadro negro do futuro”, antes do entretenimento online e do e-commerce, ao surgir a internet foi imediatamente atrelada a possibilidades de renovação de métodos de ensino (1), mesmo que o mundo dos negócios tenha avançado bem mais rápido no uso da rede do que o da educação. De qualquer forma, aliar os avanços tecnológicos e da comunicação a novas formas de educar já seduzia professores e universidades desde pelo menos a década de 1960, com a criação das primeiras Universidades Abertas na Europa, dedicadas ao ensino à distância, mais ou menos na mesma época que a linguagem da educação em massa começava a mudar, e a ênfase na palavra “aprendizado” ganhava espaço em relação à quase démodé “ensino”.

Mas o espaço que as chamadas novas tecnologias ganharam no campo da reflexão em Educação não encontrou correspondente similar na área de História. Para além da utilização do computador como ferramenta para construção de bancos de dados, principalmente por especialistas em história econômica, quantitativa ou demográfica – procedimento feito desde a década de 1960 – até recentemente foram poucos os historiadores que se dedicaram a refletir sobre as mudanças que a rede mundial de computadores traria à pesquisa, à produção e à divulgação do conhecimento em História (2).

Como bem notou Camila Dantas, os primeiros historiadores a chegarem na internet foram os amadores, seguidos por centros universitários e instituições de memória. Atualmente, projetos de divulgação científica em História na internet, a maioria localizada nos Estados Unidos, estão mesclados a reflexões mais amplas sobre os documentos produzidos em meio digital e as novas formas de realização de pesquisa acadêmica, como o projeto Digital History, desenvolvido por Daniel J. Cohen e Roy Rosenzweig na George Mason University (3).

Hoje, a maioria das atividades de historiadores na internet é relativa à digitalização de documentos e de acervos de instituições, tanto para preservá-los quanto para torná-los acessíveis a pesquisadores e interessados que dificilmente a eles teriam acesso. No Brasil, além de instituições como a Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional, fundamentais na discussão pública sobre a digitalização de acervos, são importantíssimas as iniciativas de grupos de pesquisa, que vêm elaborando projetos de digitalização e disponibilização online de documentos de outro modo praticamente inacessíveis ao pesquisador.

Estes avanços na disponibilização e tratamento com fontes históricas nos coloca diante de novas e complexas questões: por exemplo, a de como preservar os documentos já criados em formato digital. Este e outros desafios certamente acompanharão o trabalho dos historiadores do futuro.

Assim, creio estarmos diante de vários desafios relativos à História, à internet e à divulgação do conhecimento científico. O primeiro é o enunciado anteriormente, que mobiliza, além de historiadores, arquivistas e cientistas da informação: o desafio da preservação da documentação, produzida em vários suportes, inclusive a própria internet.

Uma história pública?

Outro desafio é a reflexão sobre a forma como o público em geral tem dialogado com os sites que disponibilizam documentos históricos, como processos criminais, registros de batismo, fotografias, relatórios oficiais etc. Hoje é muito mais fácil, para estudantes e interessados em geral, obter informações retiradas das próprias fontes históricas, coisa que anteriormente apenas os historiadores que sabiam localizá-los no mundo real o faziam.

Neste sentido, a maior facilidade em consultar documentos de épocas e locais variados significa uma maior divulgação do conhecimento histórico? Por conta da internet, estaríamos mais perto de uma História Pública, no sentido atribuído ao termo pelo National Council on Public History, qual seja, o de tornar a História, seus procedimentos metodológicos e suas referências, mais acessíveis ao grande público?

Acredito que não. Sendo um pouco pessimista, talvez um dos efeitos de tanta facilidade de acesso, neste caso principalmente a textos, possa até ter sido o contrário: apesar de não termos estatísticas ainda a respeito, é flagrante o aumento de plágios em trabalhos acadêmicos, e não há professor universitário que não tenha uma história triste para contar da ocasião em que se sentiu um policial, procurando crimes de autoria no Google (4).

Talvez aí esteja a maior dificuldade, e ao mesmo tempo o maior desafio, que une tanto o ensino de História quanto a divulgação científica na internet. Ao invés de apenas combater o plágio – que já existia mesmo antes de serem criados os mecanismos de busca, pasmem – trata-se de evidenciar, através da internet, o processo de produção do conhecimento, a começar pela própria noção de autoria, tão discutida no âmbito da criação artística. Afinal, a acessibilidade a textos e documentos proporcionada pela rede mundial de computadores, para ser bem usada, requer conhecimentos prévios sobre confiabilidade e relevância das informações a ser obtidas na internet. Sem elas, o leitor – ou o usuário do sistema – não consegue avançar na leitura e na produção de texto (de qualquer texto, de uma tese a um comentário em um blog).

Como fazer isso? Um caminho possível é criar mecanismos que permitam ao usuário – leitor, estudante, qualquer que seja seu login – conhecer as etapas do processo de produção do conhecimento em História. Assim, saber ler documentos de época, contextualizá-los, criticá-los, cotejar as informações obtidas com outros documentos e com outros textos, verificar a procedência de informações obtidas nestes textos são alguns dos procedimentos que ajudam as pessoas a observar, analisar e classificar informações de qualquer natureza. No caso das informações de natureza histórica, isto é fundamental, tanto para os estudantes de História, quanto para os interessados no assunto.

Refletir sobre o processo de produção do conhecimento histórico talvez não seja o objetivo inicial das pessoas interessadas em História – público potencial das ações de divulgação científica – que buscam a internet como forma de aprimorar seus conhecimentos. Mas talvez esta seja uma surpresa que os historiadores podem reservar a seus leitores: além de divulgar o conhecimento produzido nas universidades, divulgar também seu processo de produção. E a internet, para isso, é um meio extraordinário. Quem sabe se, agindo desta maneira, conseguiremos começar a superar o paradoxo de lidar com uma História ao mesmo tempo tão desestimulante na escola e tão interessante na mídia?

Notas

(1) A expressão é do Secretário de Educação de Bill Clinton, dita em 1996, por ocasião da implementação da ligação, por telefone fixo, das salas de aula da Califórnia com a Internet. Apud Briggs, Asa & Burke, Peter (2006). Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, p. 303.

(2) Ver, a respeito, Figueiredo, Luciano (1997), “História e informática: o uso do computador”, in Cardoso, Ciro Flamarion e Ronaldo Vainfas (orgs.). Domínios da História. Rio de Janeiro, Campus. Para uma história da relação entre os historiadores e a internet, ver a excelente dissertação de mestrado de Camila Guimarães Dantas. Dantas, Camila Guimarães (2008), O passado em bits: memórias e histórias na internet.Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Memória Social/UNIRIO.

(3) Camila Guimarães Dantas, op. cit., p. 50. Ver o projeto Digital History: http://chnm.gmu.edu/digitalhistory/ acessado em 02 de setembro de 2010.

(4) Ver, a respeito, o artigo de Brent Staples, “Cutting and Pasting: a sênior thesis”, publicado no New York Times em 12 de julho de 2010.http://www.nytimes.com/2010/07/13/opinion/13tue4.html?_r=1&src=me&ref=opinion acessado em 08 de setembro de 2010.


Keila Grinberg - nasceu no Rio de Janeiro em 1971. Graduou-se em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), na qual concluiu também o doutorado em 2000, após um período como estudante visitante na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Em 2002, tornou-se professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e, desde 2004, é pesquisadora do CNPq.

Hoje, 11 livros e vários artigos e capítulos depois, a colunista continua a estudar a escravidão no Brasil do século 19, mas se dedica também à divulgação científica na área de história e ao desenvolvimento de novas metodologias para incrementar o ensino dessa disciplina nas escolas e universidades. É colunista titular da coluna “Em tempo”, da revista Ciência Hoje Online. Envie críticas, comentários e sugestões para keila@pobox.com.

sábado, 18 de junho de 2011

As várias formas de divulgar ciência - Tome Ciência


recursos para as pesquisas. Consequentemente, mais desenvolvimento, mais avanços. 
Mas já há quem conteste o rumo do próprio desenvolvimento baseado nas novas 
tecnologias. Afinal, houve época em que a ciência podia tudo e que tudo seria possível 
no mundo a partir dos conhecimentos científicos. De repente, o louvado DDT, o pesticida
 que permitiu o aumento da produção agrícola, revelou-se desastroso para a saúde. Os 
CFCs dos sprays, geladeiras e ar condicionado começaram a abrir um buraco na 
camada de ozônio e tiveram de ser retirados de cena. Consta que os primeiros e 
verdadeiros divulgadores da ciência foram os gregos, com sua preocupação de ensinar 
a arte de pensar e duvidar; valorizando o pensamento como a grande
força da vida humana. Repensar e definir o tipo de difusão e educação científica que
queremos é o desafio dos convidados do programa.

Participantes: Maria de Fátima Brito Pereira, socióloga, diretora executiva da Casa da 
o centro cultural de ciência e tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – 

foi eleita presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência. Henrique 

Lins e Barros, doutor em física e pesquisador titular do Centro Brasileiro de Pesquisas

 Físicas, já foi diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins, outro espaço dedicado

 à popularização da ciência, Ciência – autor de filmes e obras de divulgação científica e

 integra o Conselho Editorial do Tome Ciência desde os anos 80. Nélson Maculan Filho, 

doutor em engenharia de produção, também conselheiro do programa desde o início, 






























já foi reitor da UFRJ, Secretário Nacional de Educação Superior e Secretário de Educação

 do Estado do Rio de Janeiro. Rui Cerqueira Silva, doutor em zoologia de vertebrados,

 é professor titular do Departamento de Ecologia do Instituto de Biologia da Universidade

 Federal do Rio de Janeiro, com ampla experiência na preparação de professores do

ensino médio.







domingo, 1 de maio de 2011

Preferência do brasileiro: Menos futebol, mais ciência?

Uma enquete realizada pelo MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) levantou um dado curioso: os brasileiros dizem gostar mais de ciência e tecnologia do que de esportes.


A pesquisa foi feita em todo ao país, com diferentes classes econômicas, faixas etárias, sexo e outras variáveis. Do total de 2.016 respondentes, 65% disseram que se interessam ou se interessam muito por “ciência e tecnologia” (bem mais do que os 41% da mesmo pesquisa realizada em 2006), enquanto 62% tiveram a mesma resposta para o tema “esportes”.

Isso é possível no país do futebol?

Sim. Explico: ciência e tecnologia são temas que agradam muita gente, mesmo que boa parte das pessoas não entenda do tema.

A pesquisa do MCT viu, por exemplo, que só 12% das pessoas conseguem dizer o nome de um cientista ou 18% dizem o nome de uma instituição de pesquisa (como uma universidade). Esse número certamente seria muito diferente caso a pergunta fosse sobre o nome de um time ou de um jogador de futebol. Ou seja: as pessoas não conhecem a ciência brasileira, como conhecem esportes. Mas gostam dela.

Alguns especialistas dizem que, nesse tipo de pesquisa, muita gente quer agradar o entrevistador e, por isso, acaba respondendo mais o que soa “bonito” do que o que a pessoa realmente pensa. Exemplo disso é Bogotá, a capital iberoamericana com maior índice de interesse revelado em ciência e tecnologia. Lá,  89% dos respondentes revelaram se interessar ou se interessar muito pelo tema.

Outra hipótese é que o tema “ciência” seja simpático às pessoas. Mesmo sem entender, mesmo sem ir a museus de ciência (talvez porque não tenha nenhum por perto), as pessoas gostam de saber sobre ciência. E prestam atenção quando o tema aparece na mídia – especialmente na TV. 

Já o tema “esportes”, que é definitivamente uma paixão nacional, pode não ter um interesse tão generalizado. Isso porque as pessoas mais velhas e também mulheres se dizem menos interessadas pelo assunto. E aí a porcentagem geral cai.

Mas, independente da discussão de quem ganha na briga esportes X ciência, a pesquisa do MCT levantou outro dado bacana: 46% das pessoas se dizem satisfeitas com o conteúdo de ciência veiculado nos jornais. E de quem está insatisfeito, 74% reclama que existe pouca ciência na imprensa.

Se esse estudo for um termômetro real da nova sociedade brasileira – com mais com acesso à educação e a condições melhores de vida – talvez esse seja um sinal de que a ciência ainda deve ganhar mais espaço no Brasil nos próximos anos. E isso será lindo.
Escrito por Sabine Righetti às 14h46

Brasileiro se interessa mais por ciência, mas desconhece instituições de pesquisa

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

Não é só por bola de futebol que o brasileiro se interessa, mas também por pipetas e microscópios. Pelo menos é isso o que sinaliza uma pesquisa do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia).
De acordo com os dados, o brasileiro está mais interessado em ciência e tecnologia do que estava em 2006 e o interesse declarado (ou seja, o que a pessoa afirma ter) já supera até o tema "esportes".
No entanto, apenas 12% dos entrevistados conseguem citar o nome de um cientista brasileiro e só 18% sabem mencionar de cabeça uma instituição científica.
Quem consegue nomear está na parte mais rica da população. "Isso mostra que o Brasil ainda é uma país extremamente desigual", analisa o físico Ildeu de Castro Moreira, coordenador do trabalho.
E os cientistas mais citados são Oswaldo Cruz e Carlos Chagas. "Praticamente ninguém menciona cientistas sociais, sendo que o Brasil têm nomes importantíssimos como Paulo Freire e Gilberto Freyre", completa.
A pesquisa consultou 2.016 brasileiros com objetivo de investigar as atitudes e percepções dos brasileiros sobre a ciência e tecnologia. O trabalho dá continuidade a uma investigação similar realizada em 2006.



RESULTADOS
A amostra foi desenhada de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de modo que os resultados possam ser projetados para o que o brasileiro "médio" pensa sobre vários temas.
O nível de interesse em ciência e tecnologia aumentou significativamente desde 2006. O número de interessados ou muito interessados no tema subiu de 41% para 65% dos respondentes.
Em ambiente, o interesse disparou de 58% para 83% no mesmo período --empatando com o gosto por medicina e saúde.
Para o coordenador do trabalho, o resultado condiz com o momento atual de preocupações ambientais no mundo e no Brasil- especialmente na Amazônia.

FUTEBOL E CIÊNCIA
Outro dado que chama atenção é que o tema "ciência" tem quase o mesmo nível de interesse declarado (65%) que esportes (62%).
"As pessoas, no geral, estão mais interessadas em todos os assuntos. No caso da ciência, isso reflete o momento positivo da situação econômica do país e a ampliação do acesso a espaços e atividades científico-culturais", explica Moreira.
Apesar do interesse científico declarado de boa parte dos entrevistados, 92% dos consultados revelaram que não frequentam museus de ciência (37% dos quais sob a justificativa de que eles não existem na sua região).
Mesmo baixo, o número de visitantes dobrou desde 2006, passando de 4% para pouco mais de 8%.
Entre as pessoas com ensino superior completo, no entanto, o índice de visitação sobe para 14% dos respondentes- e se aproxima dos índices europeus, que é 18%.

MAIS CONFIANÇA
Outro dado que muda de acordo com a escolaridade e classe econômica do entrevistado é o índice de confiança em determinados profissionais como fonte de informação --com exceção de médicos, que são "confiáveis" para todas as classes.
Entre os mais pobres, a confiança nos religiosos é maior do que nos cientistas. Já nas classes com mais recursos e formação, os campeões são os cientistas de instituições públicas. Quem faz ciência em instituições privadas parece ter uma certa descrença do entrevistado.
Em relação à ciência brasileira, a opinião geral é que ela vai bem. A avaliação sobre a posição da ciência do Brasil no mundo tem se tornado cada vez mais positiva.
Para metade dos brasileiros consultados, ela está hoje em uma posição intermediária.
Mas, novamente, o resultado muda conforme a condição econômica: pessoas de classes menos favorecidas têm, em geral, uma posição mais otimista em relação à ciência brasileira.
Em outras palavras, quanto menor o nível econômico do entrevistado, mais ele declara achar que a ciência nacional é bastante avançada.

Fonte: Folha de São Paulo

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Galera do GAIA - Astronomia e Astrofísica!

Essa é a galera do GAIA, grupo de educação ambiental e de astronomia pelo qual desenvolvo os trabalhos de Divulgação Científica que falarei bastante aqui. É com muito prazer que trabalho com esse povo que é demais! Com a "Caravana Astronômica" viajamos para várias cidades do interior de MG para democratizar o conhecimento científico!