Partindo de um raciocínio dialético, o movimento de oposição que se dá entre os conservadores e os revolucionários, ou aqueles que discordam do status quo, é o motor de muitos acontecimentos políticos da História. Hoje no nosso curso, em relação ao nosso D.A. especificamente, existe uma meia dúzia de "estudantes" que são os conservadores. Eles não se importam em abrir mão de algumas práticas tradicionais, tradicionalistas melhor dizendo, em troca de uma maior inclusão dos estudantes de História nesse espaço, que em teoria é de todos. Por outro lado, aqueles que não são os freqüentadores, mais ou menos 90% do curso, parecem ser condizentes com tal situação, pois não procuram participar e muito menos se apropriar fisicamente de um espaço que foi conquistado historicamente para ser da maioria. Sabemos que uma democracia representativa não é bem aquilo que é previsto em teoria... Alguns poucos estudantes votam e depois se ausentam totalmente dos acompanhamentos acerca do desenvolvimento político desse nosso órgão. Outros, a maioria inclusive, deixam de vez o D.A. cancelando as suas contribuições, e por isso mesmo se tornam indiferentes com esse espaço que tem um valor histórico crível acerca das lutas estudantis desde a ditadura militar. Os estudantes se recusam a fazer a manutenção das permanências boas da nossa história... Enquanto isso os conservadores pensam que a dimensão da diversão, que é importante e legal, é a mais emergente nas questões do D.A. O alvoroço é repetitivo: vinhadas, calouradas, excursões e viagens para os encontros de estudantes de história por todo o Brasil. Tudo isso é importantíssimo, claro. Mas somente para 10% do nosso curso? A resposta deles revela o teor do conservadorismo: "O D.A. é daqueles que se apropriam dele..." O que falta em ambos os lados do jogo é uma lição clássica da luta histórica: Práxis. É preciso mais atitudes críticas frente a nossa realidade social e menos idealismo. O fato é que não existe democracia no nosso D.A., não existe uma inclusão da maioria, que não acontece devido a atitudes egoístas e infantis dos que o ocupam fisicamente de não se disporem para fomentar discussões a respeito da desconstrução de certas concepções de senso comum a respeito de determinadas drogas. Quem não quer democracia, não quer mobilização. O pré-conceito é usado como artifício pelos conservadores para manter a maioria do curso afastada. E esses últimos, os que estão fora do D.A., são da mesma forma conservadores, talvez piores que os primeiros, pois nem para procurar se mobilizar em prol de uma participação nas tomadas de decisões esses se prontificam. Ficam a repetir o que lêem nos textos de história e educação sobre a formação crítica do cidadão, mas não praticam cidadania no órgão político da comunidade em que está inserido. Além de conservador é um idiota em relação à coletividade. Segundo Gramschi, o intelectual orgânico é aquele intelectual que não fica somente a mercê da erudição, mas é um intelectual engajado, que tenta colocar em prática todos aqueles termos que são aprendidos na universidade. Para Braudel, o ofício do historiador é o de aclimatar experiências, ou seja, provocar experiências para que elas sejam discutidas, re-discutidas e talvez até alteradas. Em teoria a terra não é o centro do universo, na prática, para os astrônomos, ela ainda é o centro, pois eles vêem o universo a partir daqui ainda. Em teoria a terra é redonda, na prática, para um engenheiro por exemplo, ela é plana. Na teoria o tempo é relativo, na prática, para qualquer um que tem compromissos e que sabe que é necessário chegar na hora marcada, o tempo é absoluto. Na teoria já não existem ideologias e meta-narrativas, na prática, ou melhor, na práxis, a ideologia como prática crítica em prol da igualdade social existe e se faz existir. Ainda é necessário lutar historiador e historiadora, seja realista: peça o impossível!
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