
•Erguida entre 1766 e 1812,reúne trabalhos de Mestre Atheyde, que pintou o forro da nava e os painéis do altar-mor, e Antônio Francisco Lisboa,o Aleijadinho, autor do projeto da igraja, do desenho da portada, do ratábulo, dos púlpitos laterais e do lavabo de pedra-sabão na sacristia.
•Lavabo Sacristia:
Um dos trabalhos mais perfeitos de Aleijadinho mostra uma figura de olhos vendados que representa a fé. Acima dela, um arcanjo carrega um escudo com a imagem de São Francisco.O anjo da esquerda, no alto, é a vida. O da direita, com uma caveira, retrata a morte.


•Teto da nave:
Obra prima de Mestre Athayde,pintada em 1802,a Nossa Senhora da Porciúncula aparece cercada por querubins.
Tem entalhes de madeira feitos por Aleijadinhoe, na lateral, cenas da vida de Abraão pintadas por Mestre Athayde. Os dois púlpitos representam Cristo e o profeta Jonas.
Fonte: http://cscjouropreto.blogspot.com/2008/11/contedos-histricos.html
Histórico
A igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto é uma verdadeira suma das artes, em Minas Gerais, no século XVIII: arquitetura e escultura do maior de todos os artistas brasileiros: Antônio Francisco Lisboa, chamado o Aleijadinho, e pintura, do mais importante pintor mineiro, Manuel da Costa Ataide. Como costuma ocorrer nas épocas de decadência ao fim de um período de esplendor e opulência, é precisamente aí que surgem as obras mais preciosas, mais requintadas, fruto de uma experiência acumulada. Assim aconteceu com essa igreja, a mais bela de Minas, na qual o Aleijadinho, em plena maturidade do seu gênio, pôde realizar um conjunto único de arquitetura, escultura arquitetônica, talha e ornamentação verdadeiramente excepcional. Acrescente-se a isso a pintura de Ataide, nos forros, imitação de azulejos. Pelo primeiro livro de Termos da Irmandade, sabe-se que a mesma foi fundada na Capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões, a 9 de janeiro de 1746, presidida pelo Padre Doutor Felix Simões de Paiva, Capelão Fidalgo de Sua Majestade. Compareceram a essa reunião de fundação "para mais de 80 irmãos professos e noviços, aqueles apresentando patentes vindas do Reino". A Irmandade, composta, como se viu, por membros da nobreza e homens ricos de Vila Rica, prosperou rapidamente o que determinou sua mudança para a Matriz de Antônio Dias. Foi então deliberada a construção da Capela da Ordem, e pedida a licença para isso. Como demorasse a chegar essa licença, a Irmandade pôs mãos à obra, iniciada oficialmente em 1766. O terreno no qual se ergueu a capela pertencia ao Sargento-mor João de Siqueira o qual, tendo falecido, teve suas propriedades levadas à hasta pública. Assim foi que a Ordem arrematou o terreno pelo valor de 450$000. Muito se tem escrito, estudado e investigado, com respeito a esse monumento excepcional. Relegado ao esquecimento, junto com toda a arte que se produziu no Brasil, durante o período colonial, o barroco mineiro sofreu também da decadência das cidades do ouro. Os estudos dos visitantes estrangeiros que deixaram observações sobre o Brasil mostravam-se mais interessados nos aspectos etnológicos ou folclóricos. Homens de ciências naturais, como Agassiz, St. Hilaire pouca ou nenhuma atenção deram a uma arte que consideravam secundária, decadente, destituída de toda e qualquer originalidade. Enfim, abreviando, o século XIX não se interessou pelo período. Mergulho fundo no neoclássico, no neogótico, nas primeiras manifestações do ecletismo. É usual que as épocas de arte rejeitem seus antecedentes imediatos, e assim o século XX procedeu relativamente ao oitocentos. Em relação ao barroco mineiro, o testemunho básico é do contemporâneo da época áurea de Minas, o 2º Vereador da Comarca de Mariana, José Joaquim da Silva, recolhido por Rodrigo Bretas, já referido neste trabalho. Os documentos que poderiam compulsar, ou mesmo citar, desapareceram em grande parte. Mas em 1938, Rodrigo Mello Franco de Andrade - então Diretor do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, fundado em 1937 - conseguiu, através das investigações do Serviço por ele orientadas, especialmente por Manuel de Paiva, reunir uma farta documentação sobre a participação de Antônio Francisco Lisboa em obras que até então lhe eram atribuídas sem provas. Em resumo, há comprovação de autoria nas obras seguintes: Púlpitos (1772-73); Barrete da Capela-Mor (1773-74); Risco da Portada (1774-75); Risco da Tribuna do Altar-Mor (1778-79); Retábulo da Capela-Mor (1790-91); risco de dois altares colaterais, executados em 1829, depois da morte do artista, por Vicente Alvares da Costa. Falta aí o essencial: a prova de autoria do projeto da igreja. É irrisório verificar que existe o recibo de um pagamento de 7$200 feito a um certo André Benavides, por ter copiado "o risco da Capela". E nem uma palavra sobre o autor. Ora, a atribuição é antiga, expressa: do Vereador de Mariana, de Bretas, de Diogo de Vasconcellos, de Furtado de Menezes. Este último teria visto as plantas, como documento comprobatório, em 1911. De lá para cá, essas provas desapareceram. Por tal razão o trabalho de Rodrigo é uma das contribuições mais importantes para a historiografia brasileira, e assim permanece até hoje. O primeiro arrematante do grosso da obra de alvenaria foi o pedreiro e canteiro Domingos Moreira de Oliveira, em 1766. Em 1771 o grosso da obra deveria estar concluído, pois a capela foi benta nesse ano. Bento Luís e Henrique Gomes de Brito foram os arrematantes das abóbadas da capela-mor e corredores. Em 1773-74 foram pagos. Moreira de Oliveira é encarregado de outros serviços: em 1787 as torres estavam adiantadas; em 1794 Oliveira entrega o grosso da obra, sendo a aceitação feita pelos louvados Antônio Francisco Lisboa e José Pereira Arouca. A obra do frontispício e os trabalhos de escultura em geral: púlpitos, lavatório e a obra de talha na capela-mor e altares da nave, está discriminada em diversos pagamentos feitos a outros empreiteiros que não o Aleijadinho, pois as tarefas eram subdivididas, o que justifica a desigualdade na qualidade de execução. Por fim há que mencionar os trabalhos de pintura, feitos por Manuel da Costa Ataide, entre 1801 e 1812: o maravilhoso forro da navee os painéis em imitação de azulejos, pintados sobre tábua.
Descrição
A igreja situa-se numa elevação e possuía outrora uma escadaria que desapareceu com o alteamento da pavimentação. Encontra-se ao fundo de um grande adro, lajeado com grandes pedras. O partido tradicional "porta + duas janelas", é mantido no corpo central plano, enquadrado por duas colunas jônicas aneladas no terço inferior e apoiadas em pedestais-consolos. O portal é uma obra-prima de beleza e elegância; tudo aqui está ordenado dentro de uma aparente desordem. A multidão de figuras integra-se num suporte e num enquadramento do primeiro medalhão de Nossa Senhora dos Anjos. Três cabeças de serafins elevam-se, ritmadamente, no eixo, partindo do alto da verga do portal. Os dois grandes anjos, um dos quais portador da cruz, os dois brasões: o da Irmandade e o de Portugal. Enquadramento de asas e rocailles, criações como que de organismos vivos, vegetais ou concheados multiformes, espraiando-se, livremente, abrindo-se em fita caprichosa, solta e leva à volta do oval do medalhão, e a coroa da Senhora dos Anjos, cuja ponta parece tocar a extremidade do florão que retém o grande medalhão circular, o medalhão triunfal onde aparece a Imposição dos Estigmas a São Francisco no Monte Alverne. O Cristo aparece parcialmente entre nuvens e raios, debruçado sobre o Santo em êxtase, com os braços em cruz. O modelado é poderoso e a capacidade de transfiguração das formas que muda as flores em conchas e as ervas em chamas. A escultura é de uma força extraordinária, apoiada no jogo de luz e sombra, e também no contraste do cinza-azul-verde da pedra-sabão e os elementos de arenito, de um fulvo dourado e ruivo como as cabeleiras das mulheres de Ticiano. Voltando à fachada, apreciamos a justeza das proporções e a posição perfeita das janelas. O entablamento acompanha as variações de superfície e de volume, abre-se, escancarando a cornija em forma de S, prolongando-se em curva generosa, abrigo do medalhão central, a bela forma circular, o tondo dos italianos da Renascença, de Botticelli a Miguel-Angelo e Rafael. O círculo que marca o ponto de convergências do máximo interesse e da projeção espiritual. Esse é o frontão, suspenso visualmente pela ilusão da forma. Sobre a cornija redonda levanta-se o grande pedestal da cruz de dois braços. Como no Carmo, como no Rosário, o pedestal é composto como um altar, com a cruz com fogo nas pontas dos braços e assentada entre duas chamas. Ê essa presença do fogo que impressiona nessa fachada. O dinamismo das formas, parece fervilhar em vôos flamíferos ou palpitar em labaredas. Após este grande plano agitado pelo abrir de asas do frontão, uma curta ligação convexa conduz à rotundidade das torres, grandes cilindros, encapuzados por cúpulas em taças invertidas baixas, terminadas por longas e afiladas pirâmides. Nestas torres a disposição das pilastras tem as diagonais em cruz, seguindo o ângulo reto do grande eixo e sua perpendicular, o que resulta o aparecimento de duas sineiras ao observador que contempla o conjunto. Logo à entrada, o espectador é empolgado pelo tratamento espacial. O olhar é irresistivelmente atraído para o alto, para o forro onde Manuel da Costa Ataide pintou, na sua maneira clara, o triunfo de Nossa Senhora, dentro de um fundo luminoso, cercada de anjos músicos, numa orquestra de cordas e percussão, com a figura central do Rei Davi. Os elementos de arquitetura imaginária que servem de apoio à composição, e se liga a esta por meio de rocailles são de um desenho fino e elegante. Aqui Ataide criou sua obra-prima, com seu estilo tão popular, seus anjos mulatos e a própria mulatice da Virgem. É a nota justa, que completa a longa nave e lhe dá, por teto, a penetração ao infinito. A área ocupada pelo forro é a mesma do piso, retângulo com cantos curvos, e a entrada é separada por arco de cantaria, sobre o qual se desenvolve em curva graciosa a balaustrada do coro; esta é em madeira recortada, de desenho original, em balaústres perfurados, ligados por elos vazados. Os seis altares são desenhados segundo o modelo do fim do rococó, pintados em branco e ouro. O arco-cruzeiro duplo é de desenho original, e dentre as duas pilastras divergentes, encaixam-se os célebres púlpitos de pedra-sabão: "Jesus na barca" e "Jonas atirado ao mar". Lourival Gomes Machado desenvolveu uma ousada aproximação desses relevos com os florentinos, de Lorenzo Ghiberti, da porta do Batistério. A capela-mor é obra magistral coberta com abóbada de madeira, em forma de barrete, tendo nos cantos quatro medalhões ovais (São Conrado, Santo Ivo, Santo Antônio e São Boaventura), relevos encarnados que são da mão do Aleijadinho. A urna do altar tem o frontal entalhado, com a cena das santas mulheres e o anjo, em ouro, sobre fundo branco. A composição do conjunto altar-sacrário, retábulo, trono é de desenho elegante e delicadíssimo; as colunas laterais esbeltas, com largas caneluras ondulantes na base, encimadas por dois grandes serafins. O grande arco, todo coberto de talha, com figuras e motivos diversos, é encimado por uma longa tarja ricamente trabalhada. É extraordinária a riqueza e a finura dos detalhes: nichos laterais de São Luís de França e Santa Isabel de Portugal, o grande nicho central com a imagem de São Francisco, trono todo entalhado. É preciso notar ainda um ponto originalíssimo: os azulejos "fintos", numa imitação magnificamente executada por Manuel da Costa Ataide. São policromos, com a cena central azul. São imitações de painéis da época Dom João V, porém com uma gama de cores que nunca existiram no azulejo português, com uns vermelhos de coral magníficos. As cenas representadas são as da vida de Abraão. Esses azulejos estendem-se pela capela-mor, dos dois lados, até o arco-cruzeiro. Saindo da capela-mor veremos, na sacristia, o belíssimo lavabo, esplendidamente lavrado em pedra-sabão, obra da mão do Mestre. Ao sair da igreja, do lado direito, encontra-se o velho cemitério da ordem, construído posteriormente à igreja, mas historicamente interessante. Além dos túmulos do cemitério, a própria igreja tem o soalho de campas, com as sepulturas de Henrique Gomes de Brito, que trabalhou nas obras da igreja, João Gomes Batista, o abridor de cunhos da Coroa, e o Padre Felix Antônio Lisboa, irmão do Aleijadinho.
Fonte do texto: http://webcamturismo.com/igrejas-e-capelas/25
Para saber mais: http://www.ouropretovirtual.com/igrejas-e-capelas/igreja-sao-francisco-de-assis
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Fotos tiradas e retiradas de: http://ezerberus.multiply.com/photos/album/814/814#
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