No ônibus 1
Buraco. Vazio. No
vazio.
Desanimo. Sem força.
Perdido. Buscando
sentido.
Não há respostas
fora.
Não no cigarro.
Bukowski.
Bucólico.
Eis o caminho:
consciência do vazio.
O que fazer?
Vazio finito, pois
completa-se no fazer.
Não fazer: vazio.
Escrita, mãos;
trabalho sobre si.
Lapidar-se: esculpir
si mesmo.
Tempo livre. Tempo
livre com educação de si.
Paidéia.
Não perder-se:
consciência.
O que fazer?
Preencher o vazio.
Caminha na busca
solitária.
Qual palavra? Qual
verbo?
Qual sentimento.
Mergulhar-se, sem
medo de conhecer-se.
O conceito não foi
esgotado.
O caminho não foi
trilhado.
Erros, conjunto dos
erros: experiência.
Tentar, caminho, sem
busca do quê?
De não pensar, em
não parar.
Buscar-se, nessa
temporada no inferno.
Rimbaud.
Partilha,
compartilhar.
Dor no peito, o que
queres de mim?
O que queres de mim?
No transporte
coletivo,
exercício de
eternidade.
Cansaço,
recuperar-se.
Re-cura. Curar-se de
que enfermidade?
Existência. Existo.
Penso. Sinto.
Todo conhecer que
habita em mim.
Partilha.
Sem querer
doutrinar.
Sem impor verdades.
Há verdade, a
verdade reside no agora. Agora.
Ver-se aos olhos
alheios.
Ver-se nos olhos
alheios.
Prazeres efêmeros,
desencadeiam.
Desencadeiam;
encadeamentos.
De ideias,
sentimentos.
Consciência de
existir.
Dor de sentir,
sentir.
Arte que não é
posta à parte.
Mas é pintura.
Autorretrato.
Criar. Criar-se para
reduzir o caos,
e do caos, criar
novos hábitos,
novas regularidades.
Mutação, rumo à
transformação,
evolução, nova
pele, novo ser,
novas escolhas,
novas atitudes.
Respirar: viver.
Viver o ser humano
que sou.
Criar o universo. De
dentro da alma posta agora.
Escrita como forma
de terapia.
Materializar-me em
versos.
Versos. Verbo.
Do caos: o verbo.
Registrar-me.
Deleite. Deleite.
De me ver. De me
sentir.
De me viver.
Diminui a
intensidade.
Calma.
Papel e caneta:
expressões do vazio habitado
pela potência
criadora, caótica.
Vazio prenhe de
caos. De criação.
Verbo: coerência,
regularidade.
Consciência de si
mesmo.
Universo.
Unir-versos.
Universos de
sentido.
Futuro, sonho,
desejo e o medo.
Medo das escolhas.
Os erros são, pois,
formas.
Formar. Plasmar.
Plástico.
Escultura.
Métrica: impor
regularidade ou a forma
mais elevada da
forma da consciência?
Mostrar-me:
compartilhar
da felicidade de
descobrir-me
parte do universo.
Memórias que
habitam em mim.
Do passado, novas
expectativas:
Agora. Hoje. Agora.
Sem medo de
mergulhar-se no caos:
não há vazio.
Falso vazio:
território múltiplo
de potencialidades.
Goodbye Babylon.
Febre de sentir.
Caos em ebulição:
inquietude.
Desassossego.
Fernando Pessoa.
Criativo caos.
Criativo
desassossego.
Potencialidade
criadora.
Do caos: o verbo.
Desaceleração:
Ordem. Regularidade.
Órbita.
Sol.
Luz.
Vida.
Deus. Senti-lo.
Recriar-me me
realiza.
Torna real existir.
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