quinta-feira, 2 de junho de 2016

No ônibus 1

No ônibus 1

Buraco. Vazio. No vazio.
Desanimo. Sem força.
Perdido. Buscando sentido.
Não há respostas fora.
Não no cigarro.
Bukowski.
Bucólico.
Eis o caminho: consciência do vazio.
O que fazer?
Vazio finito, pois completa-se no fazer. 
Não fazer: vazio.
Escrita, mãos; trabalho sobre si.
Lapidar-se: esculpir si mesmo.
Tempo livre. Tempo livre com educação de si.
Paidéia.
Não perder-se: consciência.
O que fazer?
Preencher o vazio.
Caminha na busca solitária.
Qual palavra? Qual verbo?
Qual sentimento.
Mergulhar-se, sem medo de conhecer-se.
O conceito não foi esgotado.
O caminho não foi trilhado.
Erros, conjunto dos erros: experiência.
Tentar, caminho, sem busca do quê?
De não pensar, em não parar.
Buscar-se, nessa temporada no inferno.
Rimbaud.
Partilha, compartilhar.
Dor no peito, o que queres de mim?
O que queres de mim?
No transporte coletivo,
exercício de eternidade.
Cansaço, recuperar-se.
Re-cura. Curar-se de que enfermidade?
Existência. Existo. Penso. Sinto.
Todo conhecer que habita em mim.
Partilha.
Sem querer doutrinar.
Sem impor verdades.
Há verdade, a verdade reside no agora. Agora.
Ver-se aos olhos alheios.
Ver-se nos olhos alheios.
Prazeres efêmeros, desencadeiam.
Desencadeiam; encadeamentos.
De ideias, sentimentos.
Consciência de existir.
Dor de sentir, sentir.
Arte que não é posta à parte.
Mas é pintura. Autorretrato.
Criar. Criar-se para reduzir o caos,
e do caos, criar novos hábitos,
novas regularidades.
Mutação, rumo à transformação,
evolução, nova pele, novo ser,
novas escolhas, novas atitudes.
Respirar: viver.
Viver o ser humano que sou.
Criar o universo. De dentro da alma posta agora.
Escrita como forma de terapia.
Materializar-me em versos.
Versos. Verbo.
Do caos: o verbo.
Registrar-me.
Deleite. Deleite.
De me ver. De me sentir.
De me viver.
Diminui a intensidade.
Calma.
Papel e caneta: expressões do vazio habitado
pela potência criadora, caótica.
Vazio prenhe de caos. De criação.
Verbo: coerência, regularidade.
Consciência de si mesmo.
Universo.
Unir-versos.
Universos de sentido.
Futuro, sonho, desejo e o medo.
Medo das escolhas.
Os erros são, pois, formas.
Formar. Plasmar.
Plástico.
Escultura.
Métrica: impor regularidade ou a forma
mais elevada da forma da consciência?
Mostrar-me: compartilhar
da felicidade de descobrir-me
parte do universo.
Memórias que habitam em mim.
Do passado, novas expectativas:
Agora. Hoje. Agora.
Sem medo de mergulhar-se no caos:
não há vazio.
Falso vazio:
território múltiplo de potencialidades.
Goodbye Babylon.
Febre de sentir.
Caos em ebulição: inquietude.
Desassossego. Fernando Pessoa.
Criativo caos.
Criativo desassossego.
Potencialidade criadora.
Do caos: o verbo.
Desaceleração:
Ordem. Regularidade.
Órbita.
Sol.
Luz.
Vida.
Deus. Senti-lo.
Recriar-me me realiza.

Torna real existir.

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